terça-feira, 24 de maio de 2011

Doce Novembro

Naquela manhã de Novembro…
Amanheci querendo…
Engolir o Mundo em ti…
Olhos húmidos …
Bocas mudas…nucas curvas,
De desejo…e… medo…
Num toque …impensado
Abraço o teu corpo transpirado…
…E…avanço…
Na urgência dos sentidos colados…
Lançamos asas ao gemidos…
…Compassados…
Ao violento…E lento…
Desejo abraçado…
Nossas bocas famintas …
Ávidas de nós…de nossas línguas…
O meu ventre…e o teu ventre …
Molhados…deixavam,
Escapar por entre os meus dedos...
...O desejado...
Erecto e escaldante Falo…
E num credo a preceito…
Arrojado…macio…aveludado…
Entre pernas cruzadas…
E bocas amarradas…a beijos
Numa estonteante vibração
De desejo...
...Sem ensaio...
Nem condição...
Ao nosso recôndito jeito…
Sugo de ti...e tu de mim...
A seiva...perfeita…
A derradeira… a colheita…
Seiva dos teus sentidos …
... Reencarnados...
Carregamos…Então
O Adeus...Final...
Numa dança de amor sem aplausos,
No eterno renascer...que lembro!
De todas as manhãs...
Aquela doce manhã de Novembro!

sábado, 21 de maio de 2011

Chegaste

Adicionar legenda

Chegaste, sem dizer que vinhas...
Abriste a porta à minha primavera
Floriste um Inverno de calor e cores
Cintilantes, suaves, como só tu sabes…

Chegaste, sem avisar que vinhas,
Chegaste, por tinhas de chegar…
Abracei-te como quem colhe flores,
Bebi-te com sede... de beber,
Amei-te,como quem quer morrer

Levei-te comigo, para o lugar...
Onde me perco,nas carícias que me despertas
No envolvente sentir,dos meus sentidos…
Cama isenta,de impostos de colectas

Serás eternamente o meu acordar
O meu sorriso com gosto de amar
A minha boca... na hora certa,
Não me enganei...eras tu!...
Aquele por quem esperava...
E quero... ainda esperar!

Mesmo que os relógios parem no tempo
E, se gastem de tanto trabalhar...
Serei o segundo pontual,
O minuto, na hora incerta...
Serei tudo o que sou, e mais...
O que inventas...e em mim despertas!

Lembranças

Na calma desta manhã
Sussurram-me doces ventos
Como vozes de anjos cantando
Nas alegrias de um advento

Sinto o cheiro perfumado
De camas feitas de lavado
Nas delícias dum repasto
De manjares inventados

A claridade dos dias
Isenta de nuvens vazias
Nas sombras de outrora
São agora apenas memórias

Tudo parece em câmara lenta
Nas visões que me assolam
Nos aromas que se sentem
Nas horas que vão passando

Como relógios parados
De esperanças que não voltam
Em tempos já gastos…onde
Sobram apenas alegrias que demoram!

Tão Longa

Longa sem ti a vida
Quantos sorrisos
Quantas lágrimas
Já nem sei!
Quantos sonhos
Inacabados
Pouco importa!
Se chorei
Se sou alguém
Que vive
Se alguém
Já morta
Pouco importa!
Já nem sei
Se a alma
Que calo
Ou a poesia
Que invento…
Pouco importa
Se é lamento
Pouco importa!

Grito

Tanto…tanto…
Que te amo
E quero!
Grito…
Soluço…
Choro…
Perdidamente.
Enlouquecer…
Não, não quero!
Invento …
Que és meu…
Meu Eternamente!
Chamo-te
Meu amor…
Aperto em mim
O vazio
Do teu ser,
A minha boca
Saboreia a cor
Dos teus beijos
Com prazer,
Só os poetas
Talham saudades
Instantes…
Fantasias…
Loucas verdades.
Só os poetas,
Rasgam a alma
Parindo com destreza
Seus filhos
Chamados de poesias
Com apelido
De tristeza.
Serás minha melodia
Cantada…
Ou esquecida…
Serás eternamente
Vida!...

Alheada

Alheada minha alma
Está dormindo,
Em bramidos gestos
Abandonados,
De tormentos,
E emaranhados…
Que não lamento
De ter perfilhado,
Saltam-me em
Rubros caminhos
Encontrando-se
Tão sozinhos,
Em auroras
Que me despertam,
Desnudando-me
Os sentidos,
Num palpitar,
Convincente
De frases, que me
Vão pairando,
Como primaveras cobertas,
De brumas incertas,
Até quando?...
Sou ainda a escuridão
Do dia que me cega
De ilusão, aos poucos,
Quero sentir o aconchego
Da noite fria,
Para me envolver quente,
No regozijo
De adormecer de pura alegria.

Poema Inacabado

Tu…és a fonte sagrada
Onde bebo tudo
E nada...
Tu, onde busco uma verdade
Mesmo sabendo já ser tarde
Sedenta de ti
A minha alma
Trás em mim
Um receio que arde
De toda esta luz
Que me acalma
Ser simplesmente
E só piedade...
Neste poema inacabado
Que à vida me prende inteira
Vou sonhando...acordada
Até à hora derradeira!

Sou Gente

Sou gente
Sou gente...
Igual a todos
E de todos
Sou diferente
Sou mulher
Vestida de poeta
Sou ave
Com asas de papel
Sou criança
Que brinca
Indiferente
E de todos
Sou igual
Sou alma de gente
Contente
Sou quem chora
Sou quem ri
Sou quem cai
E se levanta
Sou farrapo
De cetim
Sou gente
Igual a toda a gente
Que compra
Vende e dá
Por momentos
Ou para sempre
Sou gente
Gente igual
Mas diferente
De gente
Que por ser gente
Tem medo
Do que sente
Vergonha de errar
E ser julgado
Viver isolado
Por inteiro
Ou castrado
Ser gente
Igual a toda a gente
É ter cá dentro
Do peito alguém
Que fala por nós
Ser poeta é ser
Igual a todos vós.

Amo Amar-te

AMO AMAR-TE
Na manhã límpida e serena
Espera-me um mar doce e calmo
Um céu prometido ….
De um azul estonteante
Quase perfeito…
Caminho num silêncio gritante
De quem tenta exorcizar
O desamor contido
A descoberto no teu olhar
Dou-me por inteiro…ao meu desejo
Infinito de possuir-te …de prazer…
Tão loucamente amo amar-te
Que impensadamente
Abracei o vento …
Abracei o céu e o mar...
Como se em ti eles vivessem
E, os pudesse em mim conter
Porque tão loucamente …
Amo…amar-te!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SÓ OS DEUSES

Desnudaste...O meu olhar...
Como dança erótica…
A sós...
Contemplo-te...Em êxtase...
Como...Serpente feroz...
E, na carótida nua dos meus sentidos,
Acometo arrepios...Que me violentam a mente,
E, tão veemente...
Escorrem, gemidos húmidos... Lentos...
No vazio, dos meus olhos cerrados…
Antevendo, o vácuo...Já ocupado,
Das minhas entranhas a sugarem,
...O teu pénis erecto...
Em delírio constante, macio…E recto!
Arrombas minha porta... Meu véu...
Retorcendo-me...Em teu contorno.
Abarco o meu sitio...O meu trono,
Num vaivém sem limites...
Num céu sem tempo...Nem estirpes.
Grito-te de prazer...No meu prazer...
Vão...e vêm...Em mim...
Fantasias... Deuses... Inventados,
Como fogo, queimando…
Heroína nos meus desejos ...Viciados,
Sedento meu corpo... de um orgasmo…Novo...
Arrebatas hábil...A vagina,como polvo
Num retorcer que não rasga, a tenaz
Deste meu querer-te...Insaciável...Incapaz...
De dizer-te: "vem agora que me ardem"
Meus lábios...Nos teus lábios... Em fogo!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Descobri

Descobri o mundo…
Pela mudez dos
Meus dedos…
Pela sombra dos
Meus medos…
Pela inerte vontade
Que não cala…
Servir a vontade tardia
Que lembre…
Que os sentimentos,
Não se prendem,
Quando…
Fortes e profundos…
Como fugazes
Prisioneiros …
Negando o crime
Hediondo…
De uma verdade…
Que sussurra…
Ardentemente…
Ser ouvida …
Calada… ou eternamente
Perdida…
Pela mudez dos
Meus dedos…
Pela sombra dos
Degredos!
E, em nuances
Se transformem…
Em fontes de luz,
Que brotem…
As palavras que
Contidas…Caladas…
Apagadas…Ou…
Ordinariamente escondidas.
Sejam lembradas…agora,
Ou… simplesmente… perdidas!

Vamos brincar.


Anda…vem encharcar comigo
Os teus pés na lama …
Vem brincar como as crianças…
Vem gritar à chuva …
Dançar ao vento…
Chorar…e rir …ao mesmo tempo…
Vem… o tempo não pára…e a chuva
Não molha!...quando,
Deixamos de brincar…
Com o tempo… de chuva …e lama.
Vem… despe-te…
De preconceitos…
Esquece por momentos…
Quem és…afinal…
Tens uma criança
Aos teus pés…
Que te implora a toda a hora
Vem…brinca, comigo!…
Contigo!….Agora!...
O tempo não pára e
Não volta atrás…
Nem é instituição…
Com livro de reclamação…
Não aceita queixas …
Dos que não souberam
Brincar… pela vida fora,
Vem…dá-me a mão,
Vamos escorregar pelo varão,
Da nossa escadas…
Cair lá em baixo… ficar escalavrada
Porque cair… é …senão…
A forma mais engraçada…
De rir…e ter a certeza!...
Que brincar é natureza…
De viver …e saber sorrir! …
De dizer …e fazer cumprir…
A criança…que não cansa…
De brincar em cada um de nós…
Na forma de adulto…ou…Não….
Vem…esquece a tua condição!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Porque me deste o Mundo?



Porque me deste o mundo
Se meu, era só um pedaço,
Porque me envolveste em
Lençóis de linho...
E me aconchegaste nos teus braços,
Fazendo-me adormecer em ti...
E acordar com a boca húmida

Dos teus beijos...em mim...

Porque me chamaste de "querida"
Se querida é querer!
E tu não querias afinal saber
Que o som da tua voz,
Era a minha alma a cantar,

Na exaltação de tanto te amar!...

Porque mergulhavas em mim?
Como submarino apressado...
Exaltando-me os sentidos,
Depois,
Devolvias-me ao espelho
Num rosto totalmente,
Transformado...

Depois...
O que foi que aconteceu?...

Porque não me devolves a alma?
Se vida tenho para viver!
Será que sem ti eu vivo mesmo?
Ou fui cremada sem saber?
Que este corpo que foi teu…
Morreu… sem ter morrido…

Nesta forma de existir,
Existindo!...

O que foi que aconteceu?...
O teu mundo… era meu!...
O meu mundo… era teu!...
Agora... o que me resta?
Um universo em conclusão,
A implorar-me...explosão!

Seivas de amor

Arrancas-me os botões
Da camisa…sensual
Onde os teus dedos
Não cabem…pela pressa
Do teu toque… abismal…
A tua língua húmida
Hirta…sentida …perdida
Molha-me os sentidos
Que me ardem…como ferida

Soltam-se… cristais,
Como vapores…aos Ais…
E meu ventre trilha já,
Um gemer!..
Um odor…
Que derrete glaciares…
E me cega… os olhos…
De prazer…

Ofegante a tua boca
Na minha…
Línguas unidas,seiva
Lambida…
No degustar…
…Majestoso…do
Manjar que se adivinha!

Minha vulva fechada.
Como botão de rosa…
Ao teu toque …meu amor…
Abre-se uma página …
A ler…somente em prosa…

Nesse copular…infernal
Sem paragens…nem cansaço…
És hospede…a caminhar pelo meu espaço
Em longuíssimas… viagens… sem igual

Humedecem… minhas entranhas,
Salivando …
Antevendo… o desejado…
O momento…
Na vulva que de novo
Se aninha…e aflora…
No querer tão doce e lento.
Ter-te... neste húmido abrigo…
Um pedaço do teu ser…
Por dentro!...e por fora!...

Lençóis de nada

A cama feita com lençóis

De nada…
Num caminho… sem destino…
Como tecto, um céu
Avermelhado...
Com vergonha… de dois
Namorados...
Despindo-se de preconceitos …
Roupas… cintos…
E enfeites…
Sapatos sujos e rasgados…

Por longos...

Ou, fugazes desejos…E,o
Despretensioso…momento
De amar …e ser …amado…
De joelhos como prece…
Agarrados como maçãs
À macieira…
Ofegantes e apressados…
Entravas no meu corpo
Como esteira…
Em campo livre e chão lavrado…

domingo, 15 de maio de 2011

Caminho

Na sombra dos meus
Passos caminham...
Madrugadas de sonhos
Acumulados...
Noites, de magicas
Palavras bebidas,
Em cálice de folhas,
De cristal partidas,
Na sombra daquela
Luz vermelha,
Sinto ainda o clarão
Que tanto se assemelha,
À sombra dos meus
Passos soluçando.
Por entre pastos,
E mantos de flores,
Cantam-me...
Sonhos a cores.
Caminham...
Sozinhos, indiferentes
Os meus passos,
Gastos e dormentes…
Os meus cabelos...
Esvoaçando...desgrenhados,
Na sombra dos meus
Passos queimados,
O mar encontrou-me,
A tombar os sentidos
Arrastou-me... para bem
Longe da sombra
Onde moram,
Os sonhos perdidos...
Por entre ondas gigantes,
Bebo o mundo...
Perdida na sombra,
Dos passos profundos.
E quedo-me a sonhar...
Perdida nos meus
Passos de tanto caminhar!

Ao teu lado





Quando estou ao teu lado,
Procuro um céu de sonhos,
Uma estrela no luar,
Um cavalo alado,
Uma rosa a desfolhar.
Uma pedra em coração,
Uma folha caída no chão,
Um lugar por destino
Onde te possa sentir.
Procuro uma resposta
Um sinal que me devolva
A razão de tanto querer
O amor é carinho…
É partilha, é verdade
Entrega e emoção.
O amor não tem razão
Não se escreve em poesia
Não dá sinais de fantasia,
Nem se canta numa canção.
Está no ar que se respira,
Está na pele de quem toca,
Tocando com prazer.
Não se acha no querer,
Não é objecto perdido,
É sentimento sentido.
De dois seres, num só ser.
Sentimento puro
Que toca fundo,
Cá dentro do peito...
E deixa a alma sem jeito,
De explicação,
O amor é somente...
A alma em pura ebulição.

Abraço

Abraçaste-me
Na solidão
No pensamento
No relógio que batia…
Na passagem do tempo
Na ave que voava
No vento que sentias
Trespassaste-me de amor
E, não sabias
Abraçaste-me na dor
No desejo…
Um novo principio,
O mesmo beijo,
Lábios ajustados
Molhados, quentes
Ofegantes e crentes
Mãos apertadas
Queimadas de desejo
Dois corpos
Balbuciando sons
Como bocejos
Puros e indefinidos
Um cocktail
De prazer
Uma taça de sentidos
Uma garrafa vazia
Um chão de deleite
Uma lareira que ardia
Trespassaste-me de amor
E não sabias
Que bebias em mim
O mais puro odor
Aquele que os mortais
Chamam de amor
Quero-te assim…
Ardente, fiel...
Sedento de ti...
Para sempre presente,
Imortalizado em mim!

Beber as palavras

Oiço a tua voz quente…
Lá longe no infinito…
Aproxima-se de mim agora
Como pedaço de um escrito,
Trazes nas palavras gestos,
Nos gestos, saudades de palavras
No olhar um medo disfarçado
Nas mãos o vazio guardado,
Teu peito arqueia de ansiedade
Dos momentos de verdade
Passados, no nosso passado.
Já não saberás proferir mais
O que proferiste outrora
As palavras foram gastas…
Gastaste-as, de tanto esperar…
E o tempo esvaziou o sentido
Que lhe querias dar,
Escreve-as a alguém que saiba
Dizê-las com jeito de mendigar
Alguém, que as saiba chorar
Gritar… ou até calar…
As palavras que se gastaram
No tempo que se fez esperar.
Ficarão escritas por mim agora
As palavras que outrora,não foram ditas...
Serão lidas por outras bocas…
Que as saibam beber como infinitas!...

Beijo




Beijar é sentir na boca,
O toque suave de uma rosa,
Lábios quentes e desejados
Secos ou bem molhado,
Beijar é ter na boca outra boca
Sentir paixão e ficar louca.
De beijar e ser beijada.
É respirar o mesmo ar,
Mesmo nele sufocando.
E querer continuar beijando,
Pelo prazer que o beijo provoca,
É ir a lua e voltar sem roupa
Porque beijar é sentimento,
Que despe o ser de preconceito,
O mais atrevido, ou envergonhado,
Fica totalmente alheado,
No momento do beijo dado.
Sentir a língua na boca,
De quem nos fala ao coração,
É devorar beijando o outro
Senti-lo, tão louco, quanto pouco,
E sem pudor beijar aquela boca.
Beijos roubados são sempre poucos,
Para quem deseja recebe-los loucos.
Beijos de amor ou entusiasmo,
São sempre lábios tocados
Mas o beijo mais belo,
É o beijo com suavidade,
O melhor beijo de verdade.
Beijos tocados com agressividade,
Beijos da pura mocidade.
Beijos durante o ato sexual
São, beijos tórridos e quentes,
Por vezes ausentes, da essência
Que o beijo tem como existência.
Mas quem nunca beijou, perdeu,
Fosse, porque motivo fosse,
Um momento que nos leva ao céu,
No tempo em que o beijo durou.
E não concretizou o desejo...
De beijar e ser beijado,
Nem sabe o que o beijo provoca,
Num coração apaixonado.
Abençoadas bocas, de muitos
Beijos trocados!...

sábado, 14 de maio de 2011

Sou História

Sou história de um livro
O mais perfeito,
Jamais escrito.
Nas páginas de um
Curto romance,
Escrevo as minhas
Memórias,
Em lances de breves
Parágrafos,
Escrevo a minha história!
E nela quero ficar!
Para ser lida e relida,
Nas noites longas
De Inverno…
Ou nas horas mortas
De uma vida,
Em que possa
Parecer já esquecida.
Breve história que me foi
Querida…
Onde jamais ousarei escrever,
O que nela vivi...
Porque as minhas memórias
Ficaram todas ali...
Foram escritas com sangue
De vitória de dor,
Numa breve história
Interminável de amor.
Dum sofrimento quase
Abominável, mas doce!
Que não nasceu em vão…
Eu sei!…antes fosse.
Fez-se sofrimento…
Para que se escrevessem memórias
Nas vidas que não se vivem,
Em tão breves histórias.

Mel Almeida.

Perdi-me

Perdi-me do meu Ser…
Não sei onde me ficou,
Procuro-o por todo o lado,
PERDI-ME DE MIM
Quem foi que o levou?
Com ele levou os meus braços
Aquele, com que faço laços
Entre o meu ser, e outro Ser.
Com eles... eu abraçava o mundo,
No meu abraço mais profundo,
No meu, mais bem-querer.
Devolvam-me o meu Ser...
Ele não resiste sem mim!
Vai perder-se de certo...
Num longo caminho sem fim,
Onde habitas Ser do meu Ser?
Volta …quero-te ainda assim.
Tudo que te dei foi amor,
Não te escondas agora de mim.
Sei que te esgotei em cansaço,
Em sonhos, em fracassos…
Mas,foi assim que soube Ser…
Volta Ser do meu Ser
Sem ti, vou perder-me de Mim!...

Toca-me

Toca-me amor…
Toca-me, como só tu sabes fazer
Toca-me amor…
Compõe em mim melodias de prazer
Toca-me, com o teu bafo…
Toca-me, com o teu zelo…
Toca-me, lembrando ou esquecendo...
Que o mundo lá fora é pequeno,
Para um sorriso tão terno...
E um tocar tão ameno,
Juntos tocamos na lua,
Nos planetas mais escondidos,
No Universo não permitido…
Toca-me…amor…
Porque sem ele,
As estrelas não brilham no céu,
Nem a noite se envolve no véu,
De brilhantes e pérolas, para tocar
Toca-me amor…
Solta-te em mim, é urgente!...
E vamos brindar como quem sente
A festa da vida a pulsar…
De amor…pelo toque de amar!

Ordenar

Nesta simples manhã
Onde tudo tem harmonia
Vejo o sol, vejo o mar
Vejo as coisas mais belas
Que se podem ver e sonhar

As borboletas esvoaçam
Num constante vaivém,
As flores abrem-se à vida
Como quem, se é de alguém,

Nesta manhã simples e calma
Dou largas à minha alma
De viver somente ditando
O que os sentidos vão captando

Vejo, ao longe um rio parado
Despido de roupa sem frio…
Vejo a lua que veio espreitar
Se o poeta está cumprindo,
Os encantos e desencantos...
Duma vida alegre a pulsar,

Pela sua hábil destreza,
Nos poemas que se fazem
De alegria ou tristeza,
De saudade ou verdade,
Da sua humilde natureza,

Sinto a vida a correr, como
Sangue, nas minhas veias
Sinto o que quero expressar,
Nesta ávida vontade, onde não cabe
A inerte condição de paragem,

Que me conduz por vaidade
Simples… e natural vaidade,
De dizer, que a saudade…
É prosa no verso, é canto,
No silêncio é grito na gargalhada,

Desordenadas as palavras,
Serão sempre escritas na vontade,
De sentir, escoar… escrevendo,
As frases que se vão fazendo,
Ordenadamente …desordenadas.

Gotas de água

Lá fora a chuva cai
Faz-se lama
Nos quintais
Ouvem-se ais
De lamentos
Ais de ansiedade
De vazio
De saudades
Do passado
Que no presente
Lhes fugiu…
As aves aquietaram-se
Saboreando o néctar
Dos céus…
As plantas dançam
Ao sabor da chuva
Reforçando a sua cor
Agradecendo ao universo
Tanto amor…
As mentes se aquietam
Chamando-lhes
Sonolência!
Que magia pura.
O meu coração
Exaltou-se de alegria
Corro para a chuva
E encharco-me de poesia
Quero sentir a natureza
A terra que me deu
Esta forma de viver
De estar e querer,
Voltar à terra
Um dia …
Inunda-la de novo
Com chuva de poesia

Não vencida

Não me venço
Pelo desalento,
Encontro-me
Por rumo certo,
Nas poesias
Por onde caminho,
O meu cansaço
É um abraço,
De caminhar
Longe ou perto,
No ideal, de quem
Sabe vencer,
A vida em
Pequenos passos,
Para caminhar
Certinho e distante,
E saber o caminho
Que quer percorrer!
Encontro barreiras,
Buracos, monte,
Vales e charcos,
Onde me banho
De prazeres!
Me deleito, de manjares
Já fartos,
De bocas famintas,
De desdém,
Deste meu querer,
Que não tem
Obstáculos, pelos
Prazeres de ninguém,
Ultrapasso-me…
Em todos eles!
Vou caminhando…
E pisando consciente,
O chão que me eleva…
Mais alto, que gente,
Que,tem como certo,
A antítese do meu viver!...

Na noite

Quando cai a noite…
É quando me envolvo
No teu abraço…
É quando caio de cansaço
De tanto… esperar,
E desesperando vou,
Passando os dias,
Já de mim tão gastos
De esperar sempre!...
Querendo o teu abraço
Mas como eu amo,
Este querer… esperar por ti,
É de todos o meu maior crer,
Esperar de cansaço até quando…
As noites já vão longas…
E os meus braços ainda,
Esperando os teus,
No vazio dos meus braços,
Querem desistir mas,
Eu não permito quando,
Eles dão sinais de desanimo,
Sinais de cansaço…
Oiço lá longe uns passos,
Parecem os teus passos,
Abraçando os meus braços
Sem puderem alcançar…
O abraço, dos meus braços.

Minha tela

Pinto o meu pranto numa tela
Dou-lhe a cor que quer tomar…
Brilho incandescente de uma vela
Na penumbra do meu olhar.
Caem gotas de lágrimas no chão
Pinto com elas sem entender
Que não é tinta, nem aguarela,
A cor com que pinto nela…
Minha tela agora tem então…
A cor fria da solidão!
Tão cinza esta minha tela,
Quem nem parece uma pintura,
Mas uma verdadeira loucura,
De estonteante e gasta emoção
Embriago-me, por crer ver nela
O que um dia pintei cantando,
Sorrindo, brincando, à luz desta vela
Que iluminava ardente todas as telas….
E,agora se me vai apagando…!

Enlaçados

Os meus dedos
Enlaçados aos teus
Os teus braços
Apertando em ti
Dois corpos …
Uma alma …
Gemendo de deleite…
De dor!
Noites serenas
E belas…
Auroras beijadas
De paixão
Na entrega de tudo …
Em troca,
De um nada.
Tudo se confundia …!
O murmúrio,
Do mar…
O brilho…
Das estrelas …
O som,
Do teu olha…
Matreiro …
De tormentos…
De amargura …
De demência…
Dois corpos
Enlaçados,
Duas almas
Perdidas…
Num palco
De amor encenado,
No eterno cenário
De duas vida!

Mel Almeida

Filho de um Deus maior

Trazes nas mãos a veleidade,
De quem sabe ressuscitar…
Momentos esquecidos no tempo
Que a outros passam
Indiferentes,
E tu sabes fazer
Presente,
A eternidade, num só olhar.
Ficará para sempre na história,
Por tuas mãos e mestria,
Um Mundo…
Assim gravado,
Onde tudo tem beleza.
Até um simples
Planalto,
Se transforma em mesa,
Uma pedra caída no chão,
É linda nas tuas mãos…
A fruta tem sabor…
As águas movimento…
Os barcos balançam ao vento,
As aves voam rasantes…
Por longos instantes…
No nosso olhar,
As paisagens têm outra cor,
Aquela cor, que Deus,
Se esqueceu lhe de pôr.
Porque tudo é perfeição,
Beleza e amor…
És com certeza:
Filho de um Deus Maior!

Évora

Ruas estreitas, belas e gastas,
De tantas histórias por ti contadas,
Minha cidade de encantos e memorias,
Meu portal, gasto de tantas caminhadas
Janelas enfeitadas de flores e malvas,
Umbrais caiados de brasinhas e calmas,
Por toda a cidade se vai avistando,
A dedicação de quem vive cantando
Fados chorados, de belezas raras,
Cantores lembrados por sua altiva voz,
Vozes, que fizeram hinos entre nós,
E que para sempre, serão lembrados.
Povo alentejano de todos, os mais asseados
Lavam como fosse chão de sua casa
As pedras da calçada onde moram,
E, nas noites quentes de verão, faziam comunhão
De grandes cavaqueiras, anedotas e asneiras
Da sua pura e humilde condição…
Mas, também és mãe de grandes senhores
Cidade de poetas, mestres e pintores,
De tão valiosos dons, de tão grandes valores,
Cidade, que és falada em toda a parte
Como Património da humanidade e arte,
Uma catedral de monumentos e raridades
Sou de ti, Évora, uma filha com orgulhosa vaidade…

15/04/2011

Cromeleques

Ah… como sinto…Ainda agora!
Os gestos que deixamos outrora…
Nos lençóis…
Em sítios sagrados…
Cromeleques…Bafejados…
De sons nos meus ouvidos,
Refrescando, como leque
Os meus inadaptados
Sentidos…
Dança-me … de novo!
Em suor… em dor…
De prazer e amar que condoí...
Desprezando… até o Mundo
No sentir mais profundo…
Parimos prantos… encantos,
E desencanto…fomos…
Asilo de prazer…
Incontrolado...
Carruagem de mantimentos
Que desencaixilham,
E tomba…de cansaço...
Vem de novo!…
Devolve-me o sentir…
Traz-me a dor… e o medo…
Aquele medo de te perder,
Na tua audaz forma de possuir...
Abraça-me!
Com um grito, um longo gemido…
Como Lobo solitário…
Perdido no meu corpo…
Achado no mortuário…
Vem!… Antes que a noite faleça,
De tédio e silêncio….
Vem! …Por mais penoso que pareça,
O tempo não pára!....
E o desejo tem forma de gente…
Que vai caminhando, e serrando os dentes…
Vem!… Antes que o dia se esqueça de amanhecer,
E, eu perca por morrer…o desejo de te viver!

Êxtase

Quero sentir-me dentro de ti
Apertar-te nas minhas coxas
Esfarrapar-te como louca,
Gritar-te de prazer…
Morder-te como quem lambe,
Ferida de cão em sangue…
" vem-te... meu amor”
Eu sou cama que se ajeita,
Na tua erecção perfeita…
Quero dar-te infinitos de prazer…

Nos orgasmos…
Como espasmos de louvor,
De loucura incondicional
De quem sabe por
Excelência,
Agarrar a alma e verter-se
Em prazer sem igual,

De gemer, como quem canta
No leito,enleado de encantos,
Encharcado,
De orgasmos e prantos…
De viver… não só por viver.

Vem-te… agora em mim!
Dá-me o que tens de melhor,
Neste momento de êxtase…
Sinto o fim!
Que, de novo volta a acontecer,
Neste meu querer, por querer,

Sou depósito que guardo,
O teu sémen, como sagrado,
No meu leito,
De prazer acumulado…
Meu apogeu,
Sem resguardo,

Depois, de tanto te sentir,
O meu corpo estremece ainda,
Num calor que não esmorece,
De voltar a ter-te em mim…
E novamente iniciar…
Uma dança de amor sem fim,

Levando-te de novo ao além…
Neste meu jeito de ninguém,
De ter-te dentro do mim…
E fazer-te sentir também,
Que amar é fazer no momento,
Morrer-te e nascer-te por dentro,
Sem querer, perder ou ganhar…
A volúpia de um sonho…
Sem se sonhar!

Sedução

As tuas mãos hábeis, sedutoras
Percorriam-me de lés a lés…
Não havia canto, mãos ou pés…
Que não fossem um motivo…

Na tua audaz libido!...
Murmuravas-me aos ouvidos
Frases bíblicas de prazer

No meu nome, meu amor!…

“Dá-me a tua boca”
“Abre-te para mim”
“Abraça-me como louca”
“Finca-me as unhas até doer”

Que loucura de intenção
Quando aquilo a que chamamos
Erecção…
Faz do ser…outro ser…

No teu nome, meu amor!…

Em doces odores…
Bebias o néctar…
Meu ventre quente…
No teu a ferver…
Ventre que não dói…
Quando o corpo é sede
De um amor a valer…

Naqueles… silenciosos
Gemidos de prazer…
Haviam vertigem… alturas
Em que me levavas à loucura
Inatingível do meu ser…

No nosso nome, meu amor!

Diluías-te por fim…
Na colheita dos meus sentidos
Nos cenários não proibidos…
De ter-te penetrado em mim!

Onde Habito

Deixem-me estar onde habito…
No meu canto de recordação,
Quero sentir-me, surdo, mudo,
Nesta minha habitada solidão…
Quero sentir-me fantasma…
Perder-me de gente viva…
Achar-me na minha alma,
Encontrar-me na minha ferida
Sará-la com beijos…
Lambê-la com lágrimas…
Escuta-la em silêncio…
Encontra-la perdida…
De mim, de tudo, do meu grito mudo,
Sufocar-me por dentro do que penso,
Deixem-me, ser só, agora…
Por momentos, ou uma longa vida
Ainda que eu me esqueça de cantar…
Lembrarei somente…
O que quero lembrar!
Semeei o pão que me alimenta, numa vida,
Mesmo sem conduto...
Mas que me conforta, e sustenta o luto,
No gesto, que devoro e me escoa por defeito,
Vou, carregar por uma vida…
O cesto apodrecido…
Que teci neste Inverno,
A meu pedido…a meu jeito!

Parei os relógios

Parei naquele dia os relógios que havia
Inocentemente pensando parar o tempo
E ficar na hora, eternamente vivendo…
Parei-os, …e o tempo não parou naquele dia

Quero acompanhar apressadamente o vento
Só ele me poderá levar ao tempo…
Em que parei os relógios a meu parecer
E de novo voltar ao tempo que me fez viver…

Vivo ainda sem tempo nem horas marcadas
Sem sinais de envelhecimento
Sem rugas vincadas!?...
Porque, nem o tempo tem espelho,
Onde me encontre talhada….

Agora… os relógios teimam em igualar…
Cumprem o seu dever de a hora marcar,
O tempo perdido na profícua verdade
De não poder mais alcançar a realidade

Nos relógios que parei …
Inocentemente na vida… ao parar!

Não digas nada

Não digas nada...
Encerra as palavras
Na tua boca…
Amarra-as como loucas
Grita-as em silêncio,
Inventa-as por momentos
Distantes,
Inquietas,
Poucas,
Não digas nada amor…
Pensa, eu adivinho!
Escreve no mar…
Um amor assim,
Pinta-o de jasmim,
Violeta ou framboesa
Que importa a cor…
Pinta-o para mim,
Sonha-o, vive-o
Inventa-o…
Mas não igual
A tantos outros,
Amontoados...
Perdidos...
Crucificados...
Gente indiferente,
De quem vive
Por ser gente,
Num contentar eloquente,
De almas sôfregas,
De verdades...
De abraços...
De gratidão...
Onde, no mundo não cabe,
Um amor a valer.
Por ser amor de verdade,
A eternidade é tão pouco,
Tempo para o viver!

Mentir

Mentir …é não dizer
Não ser e não crer,
Na realidade acreditar.
É fantasiar na palavra,
É como viver fantasiado
Num Carnaval inventado.
Acreditar no sonho,
Sonhar como quem lê
Imaginar como quem vê
Mentir é pura desculpa,
De verdadeiro não ser.
Ou mera loucura…
De quem na mentira
Se pendura, para viver
Quem mente não sente
Que há gente diferente
Capaz de morrer …
Por uma verdade!
Mentir é ser incapaz
Da sua própria realidade
È trazer na algibeira
Notas falsas de verdade.
É como viver fantasiado
Num Carnaval inventado.
Se mentir não fosse prejudicial
Eu queria viver mentindo,
Inventando por um ideal!

Visão

Visão

Saio para a rua, no meu caminhar
Despreocupada, leve e contente,
Porque, adoro caminhar entre gente,
Que sai, para simplesmente vaguear.
Mas, há gente que passa e torce o nariz…
Olho-me nas montras pensando ter,
Algo a descoberto, sem querer.
Continuo-o a minha caminhada
Por vezes em direcção a algo,
Outras vezes em direcção a nada…
Os olhares mantêm-se, quase intimístas
Pergunto-me: “Que raio se passa?”
Terei no nariz algum malabarista?
As crianças sorriem-me, fico feliz.
O sol parece ter mais brilho, então
Caminho…caminho em direcção
Ao que o meu coração me diz.
Já farta, de tanto caminhar e cansada,
Sento-me, num banco de jardim
Onde estava uma velhinha curvada,
Sobre si mesma, como quem sofre de dores
E não tem remédios para nada.
Tão sozinha, aquela velhinha…
Parece que não tem morada.
Fiquei, por momentos querendo olha-la
Mas ela esconde, o seu rosto de mim.
Julgo estar a incomoda-la e saio dali
E, eis que a senhora me chama…
Com uma voz que me põe a alma em fogo
Está zangada com a vida, penso…
E, a velhinha dita-me um salmo novo!
“Sou Mãe Daquele que te acompanha.
Ao longo das tuas caminhadas…
Sem que desses conta de nada …
Não temas a vida, Ele existe ….
Os que te olham, não te vêem,
É a luz Dele que persiste…
Ao longo dos Tempos e para Sempre!
Sem que deixasse pegadas na calçada,
Que pisas tão feliz e despreocupada”.

Tu

Tu…és a fonte sagrada
Onde bebo tudo
E nada…
Tu onde busco uma verdade
Mesmo sabendo já ser tarde
Sedenta de ti
A minha alma
Trás em mim
Um receio que arde
De toda esta luz
Que me acalma
Ser simplesmente
E só piedade…
Neste poema inacabado
Que à vida me prende inteira
Vou sonhando…acordada
Até à hora derradeira!

Voando em sonho

VOANDO EM SONHO

Sonhei que voava
Nas nuvens tocava
Em cada uma
Em Sânscrito
Latim e Hebraico
O teu nome e o meu
Deixava escrito
Voava…voava…
Rumo ás estrelas
A caminho do céu
Encontrei-te então…
O mesmo sonho
Sonhavas tu e eu.
Voamos os dois
Como quem dança
Cingidos no mesmo véu
Branco puro leve
Perfumado de incenso
Cravado de estrelas
Os anjos cantam
Os arcanjos tocam
Os santos sorriem
Os jardins florescem
As estradas são luz
Ladeadas de jasmim
Rosas e alecrim
Que sonho lindo
Onde eu quero ficar
Continuando a sonhar
Permanecer até querer,
Acordar e voltar
A adormecer…
É tarde para sonhar
E cedo para viver.
Os nossos nomes agora
Estão gravados no céu,
Na história de quem
Pela vida passou,
E soube sonhar
E amar como amou.

Tela sem assinatura


Desenhei uma tela… um mar
Um planeta …um local…
Sem ponto de referência…


Um lugar, onde apenas a miragem
Me quis encontrar na imagem
E fez meu castelo por exigência


Enquanto no piano tocavas
A melodia que é nossa…
Chorava… a tela… chorava!


Aquela tela sentia como gente
Que não secava a tempo…
De a oferecer como presente…


Olho-a, como se pudesse
Voltar a pintar o que apetece
No momento desejado…


Mas meu lápis está quebrado…
Pela partida… prematura…
E não desenha mais… telas sem assinatura!

Pedaços

Ondulo o meu corpo
Ao sabor do vento
Como folhas de jornal
Caídas no chão…
Desbotadas as palavras
Em pedaços de nada
São apenas folhas
Lidas na ocasião…
Pela vidraça da minha
Janela, caem lágrimas,
Em pedaços de luz,
De luz que me aqueça
Esta alma exilada,
Em cada gota de chuva
Que me dispersa calada
Procuro tudo ao meu redor
Em gemidos de alento
Mas, o meu corpo ondula
Ainda ao sabor deste vento.
Querendo encontrar
O caminho certo…
Para uma jornada sem
Folhas rasgadas no chão
Chão, que me ampara
Em cada passada que dou
Em cada esquina lavrada
De silêncio, eu sou,
Apenas folhas secas
Em pedaços de ilusão,
O que irá sobrar dele…
Quando todos passarem
E não deram conta
Que pisaram então,
O meu corpo em pedaços
Caído no chão!...

Sede de mim

Tenho sede de mim…
Das coisas que não bebi
Quando a sede, me fez
Parecer, que não era sede
Aquilo que senti…
Tenho sede de ser,
Vaso transbordante do meu ser
Que julgava não ser sede,
A sede que sentia ter,
Era de mim… que eu tinha sede
E, não me bebi!...
Não me saciei até ficar
Fartamente, saciada de mim
Hoje, mato a sede, com sede,
Sede, de mim afinal…quase
Morrendo, de sede eu vivi
Para entender por igual,
Esta sede de mim,
Fazendo, leito no meu corpo,
Marcando-o como rio morto,
Sem margens, para amparar
A sede que transbordava,
Na sede, que não saciei ao matar
A sede que tinha de mim,
Agora, de lábios gretados
De tanta sede ter do passado,
Quero matar a minha sede
Sem, que para isso eu viva
Com sede, de ter sede de mim,
Bebo-me em cálice bordado
De ouro fino e marfim,
Farto agora a minha sede
De beber, não outras sedes…
E, Comemorar…somente,
A nobre sede que tenho de mim,

Preciso de ti

Tu, que transformaste
Uma lágrima
Num sorriso,
Tu que foste
O amanhecer,
Na aurora
Em que foi preciso.
Tu que em mim
És vida…
Guardado
No meu peito,
Fechado
Nas minhas mãos,
Em jeito de oração.
Guarda-me
Um canto em ti.
Estou em tudo
Que se avista
Procura-me…
Na estrada distante,
Em fogo na escuridão
Procura-me…
Porque não…
Na lua que habitou
Nossas noites
De ilusão.
Irás encontrar-me
Eu sei…
Não me percas
Agora assim…
Procura encontrar-te
Em mim…
Não me percas assim
Preciso de ti, ainda.

Rosas pela manhã

Escrevo em palavras
Simples e belas
Como rosas colhidas
Na alvorada, perfumadas,
De incenso e canela,
Beijando tua face,
Calma e resignada,
Vão no tabuleiro,
Da tua refeição,
Contempla-as…
Com amor e gratidão,
Porque são mais,
Do que rosas…
Essas flores em botão!...
São a minha boca
Ardendo de desejo,
Desejo, dos teus beijos
Logo pela manhã,
Desfolha-as!...
Com requinte, e amor
Depois de desfolhadas…
São útero enlouquecido
Em cama amarrada,
Ventre aquecido, folhas
De rosas quebradas,
Mas… delas guarda
O perfume,
Porque o cheiro,
Dessas rosas exprime,
O nosso momento
Mais sublime…
Guarda-as!...
Como algo sagrado,
Foste o primeiro,
De rosas e abraços
Comemorados,
Agora, outras rosas
Irão perfumar,
Outros desejos,
No teu tabuleiro,
Em manhãs de rosas
Prontas a desfolhar.

Punhados de areia

Punhado de areia

Sou poeta, varredor,
Carteiro ou doutor
Sou quem escreve
O que sente, ouve ou vê
Aquela que faz crer,
A qualquer leitor,
Que os poetas são,
Gente que sofre de amor
Sou poeta sem nome,
Sem identificação…
Qual… poeta melada
Por nobre perdição
Sou aquela que diz sorrindo,
E que cala chorando
Sou linha de montagem,
Fábrica de palavras
Prenhas de ilusão…
Maternidades de enteados,
Filhos de qualquer ocasião…!
Sou carteiro carregando
Emoções com sentido
Varredor de folhas caídas
Por um verão já esquecido
Sou Doutor operando
Sem bisturi ou anestesia
Sentimentos de tristeza
Ou de pura fantasia,
Sou palhaço sem circo,
Nem aplausos de pureza
No riso das crianças,
Na minha nobre natureza
Sou poeta, porque brinco
Com as palavras…
Como quem agarra
Punhados de areia…
E com as mãos cheias de nada,
Faço poesia com a alma cheia!

Porque me deste o mundo?

Porque me deste o mundo
Se meu era só um pedaço…
Porque me envolveste em
Lençóis de linho…
E me aconchegaste nos teus braços
Fazendo-me adormecer em ti…
E acordar com a boca húmida

Dos teus beijos…em mim…

Porque me chamaste de “querida”
Se querida é querer!
E tu não querias afinal saber
Que o som da tua voz
Era a minha alma a cantar

Na exaltação de tanto te amar!...

Porque mergulhavas em mim
Como submarino apressado
Exaltando-me os sentidos…
Depois…
Devolvias-me ao espelho
Num rosto totalmente,
Transformado…

Depois…
O que foi que aconteceu?...

Porque não me devolves a alma?
Se, vida tenho para viver!
Será que sem ti eu vivo mesmo?
Ou fui cremada sem saber…
Que este corpo que foi teu,
Morreu… sem ter morrido…

Nesta forma de existir,
Existindo!….

O que foi que aconteceu?...
O teu mundo… era meu…
O meu mundo… era teu!...
Agora… o que me resta?
Um universo em conclusão,
A implorar-me … explosão!

Risos de mulher

Risos de mulher
Sonantes… risos…
Correm nos meus sentidos
Risos de gente,
Que passam contentes
De terem sido…
Ter, ou fingir que têm?
Sentimentos por alguém,
A quem chamam, querido.
E, julgarem que sorrir,
Só por sorrir, é ter…
Uma alma contente
No peito a bater,
Mas esses risos gastos
Como farrapos de lã
Vão-se desfiando aos poucos
Nos risos de cada manhã
Nos seus risos existem,
Amarguras aos molhos
Que não passam indiferentes,
Aos ouvidos mais crentes
Ouço-os ainda agora,
Numa distância louca
Fiquei com eles na memória,
Os risos, que outrora,
Me soaram a amargura de boca
Eu, indiferente vou rindo
Daquilo que sou…
Não, daquilo que queriam,
Que eu tivesse sido.
Porque rir de mim é pouco…
Para quem nasceu alegre
Num mundo entristecido.

Não me peçam pra mudar

Mudar?! Quero...ser...quem  Sou!  
Não me peçam
Para mudar…
Quero ser autêntica.
Vaidosa teimosa
Rude ou impetuosa
Correcta ou não,
Não importa…
O que sou…
Quero sentir à minha maneira
Rir de qualquer asneira
Gritar quem não gritou.
Da injustiça
E da mentira
Que ao outro causou.
Saltar muros e vedações
Viver amores …
Quebrar corações.
Orar ou dizer palavrão
Quero ser eu mesma…
Não importa …
O que sou.
Ser amiga incondicional
E a todos tratar por igual
Sorrir para quem merece
O meu sorriso
Como uma prece
Sentir dor quando a dor
Bater e entrar
Chorar quando apetecer
E a todos dizer
Choro porque quero chorar
Dizer a verdade ainda que doa
Bater a porta
E ir embora
Sem mentira
Sem culpa
E a todos pedir desculpa
De não ser outra
Porque sou eu…
E mantenho a pretensão
De ser quem sou!…

Lancem ao mar minhas cinzas

Lancem ao mar minhas cinzas
De rubros pedaços do que sou
Esvaindo-me nas ondas, vou,

Colorindo-as como arco-íris

E nas aguas mais profundas,
Irão, ver-me, um dia emergir
Mesmo cinzas, serei ainda,

Poesia por se cumprir!...


Irei escrever os mais lindos versos
Cantados nas vozes de tenores
Em memórias de tempos inversos

Em, lembranças doutros amores.


Tudo… que em mim ficou!...
Renascerá deste mar a cantar
Serão livros abraçados em pó

Noutras … poesias por inventar.