terça-feira, 28 de julho de 2015

Tenho um cais dentro do peito



Tenho um cais dentro do peito
um cais que se some no nevoeiro
e me deixa solitária e presa
às manhãs que não me pertencem.
Sobra-me um muro
um muro de gente indiferente
encostado ao cais
onde invento as tardes de gente que não sonha.
E os navios dormem lá longe
sem gaivotas a voar sobre si
porque ficaram aprisionadas ao meu peito
e gemem-me moribundas
dizendo que não têm forças para partir.
Tenho um cais dentro do peito
que hei-de voltar em mim a reconstruir.
cheio de gente a vibrar, de barcos espertos e gaivotas a sorrir.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Quando eu de mim já não for


Deixa repousar sobre mim
a madrugada
Tenho medo da escuridão
e do silêncio do nada
Deixa ficar também uma flor
uma rosa encarnada.
Depois, podes ir meu amor
eu ficarei encantada
no meu túmulo de luz e cor.
Mas antes de ires embora
ajoelha-te e reza
Reza-me um poema qualquer
Um poema que fale de amor e paixão…
Dum homem e d´uma mulher
Depois vai…
Vai embora por favor
Temo que eles te vejam
e te queiram como eu ainda quero
e nada me seria agora mais penoso e severo.
O dia já vai alto e eu preciso sair de mim.
E tu não podes mais me acompanhar
porque eu já não assento os pés na terra pra caminhar.
Agora serei o teu guia... E sem que me vejas
Vou seguir-te pra onde fores
e todas as noites, serão dia...
e vou proteger os teus passos de todos os malfeitores
e o teu corpo de todas as dores.
Vai meu amor, mas volta... !
Volta sempre com um poema pra me rezar
serei a alma mais grata que ao Céu vai espreitar
Obrigada meu amor
pela rosa
pela luz que me deste
pelos poemas que me rezas nesta vida celeste…
Vai...!
Obrigada meu amor.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Estão cansadas as minhas mãos



Estão cansadas as minhas mãos
E deixam marcas nas paredes do meu rosto
A minha pele franze-se ao frio que entra pelas janelas da mente
Estou cansada e nada tenho que me seja urgente
Somente portas e janelas voando do meu corpo
Corpo, que aprisiona o sangue que se dilui em absolvição
Como um rio que se pavoneia sem fôlego.
Há uma face translucida que me sorri morna
Num espelho disforme num ato decomposto
Sobram-me aves… Falta-me rosto
E dentro de mim ergue-se uma voz confusa e magoada
Que me grita mas, eu não entendo absolutamente nada!
Desenho no chão uma boca a sorrir
Adentro-me e deixo-me ir.
E as palavras engasgadas com o meu corpo
Dizem-me sufocadas:

Estou tão cansada de ver o que nenhum vê
Estou tão cansada de sentir o que nenhum sente
Estou tão cansada de ser repetidamente
Um dia novo a anoitecer na gula do tempo que tanto mente.
A minha alma está cansada e afasta-se de mim
Talvez pra descansar…?!
Dizendo-me:” Até sempre!...”

terça-feira, 23 de junho de 2015

O Céu, a Terra e o Mar

Para te encontrar
exorcizei
a terra
o céu
e o mar
Encontrei-te!
E, hoje
Peço que me devolvam o chão,
porque não tenha onde pisar
peço que me devolvam o céu,
porque não vejo
o sol
a lua
nem as estrelas a brilhar
peço que me devolvam uma só onda
E, eu
chamar-lhe-ei: Meu mar!
Peço que me devolvam a vida
porque me perdi,quando te encontrei no meu olhar!
 

Por vezes

E por vezes
por vezes…
Sou tão escassa que temo não me bastar
E por vezes
por vezes… mergulho no meu azul infinito e singular
E por vezes
por vezes…
sou floresta virgem subtraindo a claridade ao solo
E por vezes
por vezes…
sou mar bravio que morre no areal do teu colo
E por vezes
por vezes…
sou astro e sangue quente nos teus braços ausentes
E por vezes
por vezes…
sou aquela que nada possui e sonha dar-te do mundo todas as cidades
E por vezes
por vezes…
sou imaculada aos olhos da imbecilidade
E por vezes
por vezes…
sou o meu próprio e indizível tormento
E por vezes
por vezes…
sou quem não reconhece a sua própria pele na pele do tempo
E por vezes
por vezes…
sou a libido que te agita, provoca e abandona
E por vezes
por vezes…
sou o grito abafado o gemido contido num cenário envenenado
E por vezes
por vezes…
sou margem, sou centro, sou aragem sou lamento,
E por vezes
por vezes…
sou apenas um cigarro que não fumo e sufoco entre os dedos
E por vezes
por vezes…
sou breve, intensa, sou ave, sou uma fera que me atenta
E por vezes
por vezes…
sou coragem, sou medo, sou desabafo, sou segredo
E por vezes
por vezes…
sou apenas a eternidade dos versos que amo e não escrevo
Apenas… Por vezes!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Procuro-te

Procuro-te
no cume das montanhas
e não te encontro...
desenterro-te das profundezas da terra
e não te reconheço
mergulho no fundo dos oceanos
e não consigo tocar-te
voo com as aves em céu aberto
e não te vejo
procuro-te
nas multidões
e todos os rostos me parecem disformes
de uma violência enorme...!
Não, não te encontro
nem te procuro mais
porque não sei jamais onde te procurar...
e destroçada a minha alma vocifera num grito abafado
e, é aí que em mim que te identificas, adormecido e tatuado
intacto no sagrado
e despedaçado no profano indefinido.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Silabas mudas

***
Caem sílabas mudas
nas pedras nuas
da rua quente
Não passa ninguém...
Só cantam as aves
e apenas as folhas indiferentes
mergulham
na sombra das árvores

* * * .

Meu sonho intacto

* * *
Sonho-te intacto
nas minhas mãos inertes
e num segundo eterno
de pedra e terra quentes
faço-te meu somente
em poemas que enlouquecem
adormecidos
E tu não sabes, nem sentes
O quanto me és querido.



* * *

Apeteces-me

 Sim, apeteces-me
como se fosses carne e osso
e se não te vejo
oiço-te.
Ah como amo amar-te
neste desejo em esboço.
Como amei provar-te
quando eras transparente
agora que não te vejo, nem oiço...
Sei que não te amo mais
e que tudo não passou de um sonho pertinente.
Mas apeteces-me indiferentemente
Talvez eu em ti me quisesse saber quem sou.
Aprovado está o desejo
que nos consome, e de nós some, depois de consumado.
Apeteces-me...
Oh palavras...Que tão bem sabem, quando me falam e as escrevo!
Palavra, apeteces-me!

Dei-te colo e choras-me


***
Gosto de improvisar
no que escrevo
gosto de caprichar
naquilo que não vejo

**
sou como a espuma
que depressa se esvai
no areal de sol e bruma
que a meus pés me cai
**
e se um dia eu for onda
abraça-me amor, não hesites
estou disfarçada de mar
pra que outro não me cobice
**
o meu caminho é incólume
segue-te, sem escolher se há lume
nos passos que dou parada
em direcção ao amor, ou ao nada
**
se me encontrares por ai
olha-me amor e sorri
eu ficarei a saber, então
que estou perto de ti
**
se os poetas não fossem loucos
quem de louco o seria
antes poetas e poucos
do que loucos sem poesia.
**
O meu mundo não tem tamanho
faço dele um gigante a cantar
e depois de o agigantar tanto
fujo para dentro de mim a chorar
**
Poetas, poetas escrevam sempre
porque sem a poesia sois incompletos
e do que vale viver com saudades do vento
E chorar o frio num tempo ardente
***

Des/amar/ des/umano

Não sei onde foi que errei...
Mas também que me importa...
Se errar é vida
E quem não erra, está morta!
Vou continuar errando, certamente
pois que me seja urgente errar
e amando, vou
indiferente, ao que me sou.
E se o céu chorar por mim
que seja de alegria insana
porque amar não é utopia
E (des)amar, é desumano.

Quero-te tanto!

* * *

Como te quero que nem sei dizer o quanto...


E enquanto te espero não sei o que fazer com o tempo?

* * *

Apenas


Apenas um beijo
sem pedir
apenas um abraço
a sorrir
apenas uma ave
a voar
apenas uma onda
a morrer
apenas um sol
para aquecer
apenas uma estação
pra viver
apenas uma pedra
a chorar
apenas uma noite
pra amar
apenas uma voz
no ar
apenas tu
em tudo..
perdido de ti
Apenas!

* * *

* * *

Hoje até nas sombras te sinto e nas vozes dos outros te oiço.

* * * 

Inquietude

Que inquietude é esta?
que me devora inerte
e se demora
Mas tudo me diz que passa
é só mais uma sombra
e vai embora
Mas tudo me diz que és meu,
e tudo me pede que não me demore.
Que inquietude é esta?
que me confunde e enlouquece
que me prende, solta e arrefece
que me esquece e promete recordar.
Que inquietude é esta?
que extinguiu o fogo do meu corpo
e o deixou na sombra de outros sóis
Onde já nem sei se adormeço
ou se sonho como todos os mortais.
Só sei que já não me reconheço
E apenas me pareço,
com alguém, que à vida emprestou,
Tudo o que tinha de seu
e a vida usou e gastou,
e hoje vagamente me lembro quem fui, ou quem sou.

Gozada a vida



Quero a vida
arrepiada
despenteada
adormecida
acordada
maquilhada
limpa
imunda
suave
funda
em sossego
desassossegada
amarga
doce
dura de roer
a seco
molhada
soalheira
ou trovejada
quero a vida
num beijo
num abraço
num amasso
numa bebedeira
numa loucura inteira
num sofá a lê-la
numa cama a amá-la
quero a vida
grávida de mim
e eu, grávida dela
e, ao pari-la
pela vida fora
vou sorrindo
vou chorando
vou gritando
vou escrevendo
vou cantando
vou dançando
e nessa caminhada eu digo à vida: puta que pariu vou gozar-te com a arte que te é devida... Vais ver?!
E pudesse eu ser eterna que me havias de temer?!
mesmo assim te digo: Nada temo
Nem as sombras que me envias me metem medo
E se um dia vou ser pó
que seja num dia de grande vendaval
para correr o mundo inteiro, à boleia
agora enquanto for carne
vou-te dar muito trabalho...
hás-de roer-me com dentes de alho
e depois de te sufocares, vais cuspir-me e dizer":Dou-te vida novamente superaste todas as provas, com a nota que vale a pena ter!"

Cai a noite


Cai a noite
E a música nasce no meu corpo
E no teu corpo
E a lua dança connosco.
Os livros adormecem na mesa de cabeceira
Os copos de champanhe cristalizaram
Na hora em que os nossos corpos colados dançaram.
Cai a noite
E a música não pára de nascer
No meu corpo
E no teu corpo
As paredes são musica
E os nossos corpos possuem um desejo vegetal
Que escorre pelas portas e janelas do nosso interior
Cai a noite
E lá fora a vida parou
Mas nós existimos...
Num desejo animal que não resiste
Em dançar a música que os nossos corpos exigem.

Uma Sereia ou um Deus?!




Vejo uma sereia a passear-se no mar
Vai ondulante, seca, insegura e lenta
Qual prostituta em desalentado silêncio nos túneis da negrura.
Escondo-me na reticência impura do meu tempo
 Mas não tenho como disfarçar ao que assisto
E com um lenço de seda pura, insisto…
Em secar as lágrimas do seu sangue.
Ruborizada a sereia ao sentir-se observada
Diz-me em tom de voz sofrida e doce  
“Eu também escuto os teus lamentos
Qual arcanjo em jejum por longos tempos,
Sempre que perdes o chão do teu céu sagrado
 E te prostituis na timidez dos teus versos Ateus
Esquecendo-te de ti e encarnando num Deus.
Num Deus que te abraça com flechas de fogo
E o coração hostilizado pelo abismo da tua memória”
E com um pedaço de céu bordado sobre mim fez história
Com nuvens espessas de paz e amor
Seca as lágrimas de todos os poetas porque eles não merecem
Sofrer tanta dor… Nem tão amarga inglória.


quinta-feira, 21 de maio de 2015

O fogo vivo da vida


Curvo-me sobre o fogo do meu corpo
fogo que não me consome
nem tampouco de mim se afasta
sem ele sinto-me pouca e gasta.
E hoje faço tudo em gestos lentos
e de mãos cruzadas.
Já não tenho pressa de nada
E nesta calma em que mergulho
passeio nas ruas paradas
e sinto o perfume das flores moribundas nas jarras
de casas com janelas trancadas
onde se vive sem fogo no corpo
e onde a vida se demora em cinzas cimentadas
e este meu fogo, teimoso, continua em mim
vivo, liquido e em brasa.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Dissertação


O fogo pega onde houver estopa.
a água passa se tiver caminho
a fome engana-se com sopa
o amor dura se tiver carinho
e
tudo passa
tudo pega
tudo tem graça
tudo avança
tudo abunda
tudo falta
mas
que nunca falte ao poeta
motivos para escrever
pois se isso lhe faltar
ele não vive... finge viver.
e
não, não há lugar para disfarce
troco uma leve mentira
por uma boa verdade
ainda que seja tarde.
e
tudo cala
tudo ri
tudo chora
e
tudo me parece
que já vi
até a madrugada
me parece, ser a que escolhi.
e
tanto posso fazer,
que já não sei se estou nua
ou se as palavras me chegam
vivas, ao fundo da minha rua
eu
gosto tanto delas...!
e elas tanto de mim...!
e
não me deixam um instante
pedem-me insistentes
escreve-me? Sim...!

esgotei-as agora
e deixo-as
assim
quando as leres:
podes poetisa-las como entenderes
Até podes brincar com ela
que elas não se vão ofender
...................................
...................................
...................................
...................................
e
do...................................
eu...................................
...................que seja breve
do muito.....................que aprendeu

*** Vida ***

***
Gosto de experimentar a vida
Amá-la
Odiá-la
Desafia-la
Prová-la
Degusta-la.
Cuspi-la
ou até
Escarrá-la… Se for preciso
Mas envolver-me sempre e intensamente no seu verdadeiro enredo...
Não a quero temer seria como se me enterrassem viva antes de falecer !

***

Amor- (im)perfeito


São intermináveis as horas em que te aguardo
E a Primavera já me virou a face
E é agora um perfil reverso
Onde procuro as cores multifacetadas
Da sua existência
Na ânsia do que não vejo.
Não tarda acordo com o Verão nos meus braços.
E temo meu amor
Que as manhãs me adormeçam prostradas
No silêncio das ruas em ardência
E me devolva em cinzas os sonhos que criei no meu peito.
Como uma mãe extremosa que a seu jeito
Protege os filhos dos acúleos das rosas.

[…?!...]




Não sei porque me condeno
Nem porque me condenas
Se o absoluto me é insignificante
E o não-ser me é imenso.
Amo a vida que nos meus olhos se demora
E odeio a morte em pleno movimento.
E mora em mim uma força leve como penas
Que me liberta o carrego e o tamanho
Ao que de mim mais me importa
E uma que me prende ao que me castiga
Mas sempre me exorta e comigo tanto briga
Não sei porque me condeno
Não sei porque me condenas…
Oh vida.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

LIVRE/MENTE


Um dia serei tão livre
Como livres são as aves
E vou ter asas
E bico
E garras
E gritos
E penas
Para escrever
E vou confundir outras aves
Quando cansada do meu voo
Eu tentar repousar
Em qualquer rochedo escabroso
Porque elas,
Vão-me ouvir
Cantar de prazer
Rir de gozo
E chorar de desgosto
Pelo Mundo indecoroso
Onde ninguém sabe amar
Sem exigir possuir, como moeda de troca
E ai...
Não há quem me possa julgar
E serei tão livre
Como livre é o ar.
Agora:
julguem à vontade
enquanto o meu corpo
aprisionado
não tem a liberdade de uma ave.

HISTÓRIAS


Uma mão que abraça...Em vão
Outra solta que amarra o punhal, e espeta o coração.
São memórias que prendem
a quem habituado está, ao que de suportar é capaz.
Dividir um amor, maior,
com amores de ocasião,mascarados de trabalho mentiras e fatos
fatos, que se vestem, nus, em cima do corpo.
E beija-se o tempo
E beija-se a boca de outras bocas
E faz-se amor... Em cima de outras sombra.
Enlouquecesse-se de tormento..
Fuma-se de novo...bebe-se uns cafés
E tudo passa...Tudo passa e na próxima viagem.
o amor volta imperfeito e farto de novo, por um troco de mentiras e promessas vãs.
Perdoem-me a mim...Que não sou dessas,
sou diferente, e não me interessa, ter assim tais parecenças...!
Que se viva de memórias e histórias turbulentas,
tanto se me dá.
Contudo; não me leiam contos de fadas. onde só existiam duendes
E que não se aponte os defeitos da outra, na presente.
A mentira tem perna curta, mas veste sempre, farda de indulta.
Uma mão que se estende, curta
no papel distante, mas presente!
Ama-se a puta... Como uma senhora!
E o paciente é Inglês.
E veste-se de indigente ... Por piedade talvez...!?
...E pronto...!
Lembranças... Memórias...Histórias!
Num painel que abraça...Mas vive solta!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Palavras no abismo de mim.

***
Suspendo
do abismo
rompeu das cinzas
um clarão
***
Um corpo
que morre
sem palavras na boca
uma alma
que sobe
em plena ressurreição
***
Suspensa
e quieta
a voz do poeta
ficará para sempre
suspensa
nas tuas mãos
***
Num caminho que arde
do nada
Numa qualquer oração
***
Suspenso o poema
dentro de mim
Apenas suspenso
sem principio
sem fim.
***.

Onde estás?

Onde está aquele
Que me mostrou
o vulcão quieto e manso
Que circundámos
 com olhares de espanto
E me fez acreditar
com voz firme
Que todos os rios
 têm fome,
E que todas as pedras

 sabem cantar
Onde está aquele?
Que uma vez me disse:
Que todas as vidas

 têm caminhos semelhantes
E um dia sentou,

o tempo no seu colo
Adormeceu as tempestades

 sem rumo
E acordou as tardes 

demoradas e lentas
No brilho dos seus olhos
Onde está aquele?
Que das estradas

 fez tapetes em delírio
Colheu flores

 em muralhas de gente
Na minha boca

 escreveu o seu nome
E no meu corpo

 depositou a semente
Que faz nascer

 poemas órfãos de frio.

A Tua Paz























Dá-me a tua paz…
Porque a minha já me mente
Quando me diz
Ser capaz
De te esperar serenamente.
Dá-me a tua paz…
Na cidade branca
Que não acorda
E
Vamos caminhar de mãos dadas
Ou,
Simplesmente repousar o olhar
............ Tranquilos ........…
No vazio
Das paredes
................. casadas.................

Com as azul das janelas e das portas.

domingo, 26 de abril de 2015

O meu Mundo


Sobre mim
adormeceu
o vento
no embalo
de uma canção
suave
ele trouxe-me
os odores
da paisagem
E das águas
E dos montes
E das borboletas
E das fontes
E já nada morre
no meu colo,
porque o mundo
é meu!
E eu,
sou o mundo!
No vento
No verbo
Na ave
No sonho
Na pele
Na saudade
E tudo em mim canta e nasce
numa palavra nua sem corpo.
E tudo... Tudo em mim
tem principio sem fim...
Apenas com um sopro de vento que me adormece no colo!

Um prazer total


Desafia-me o cansaço
no som lento dos seus passos
mas a alma repousada e plena
faz-se ousada ao verso
que me ultrapassa como a Deusa de Atena
E vive para além de mim...
Antes de mim...
E em mim.
E num passo apressado
entre folhas de marfim rosado
os meus dedos obedecem cegos
e o coração no peito aritmado,
cede exaltado ao verso que me chama.
Cede-me o cansaço
e a existência é inteira aceitação
deixo-me morrer pra vida, sem saber que se chora
e é no poema que renasço em cada hora
Não tenho outra solução
e ainda que a tivesse, não a aceitava
ele é meu dono,
eu, sua escrava.
ele me sustenta... Me arrasta... Me usa.. . Me abusa...
Mas não me gasta!
Cede-me o cansaço...
E
Sopro a vela no castiçal do tempo
E já sem me ver, pé ante pé...
Saio devagarinho na escuridão parcial.
E fica-me o verso no leito da alma
a plasmar num prazer total

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Este é meu fado


Não quero fados
nem fardos no meu destino
porque o fado é triste
e o destino é um menino.

Quero rir de alegria
até a barriga doer
quero alguém que me diga: a vida é pra viver!
Mas eu sinto-a triste
e triste me minto
por não poder dar-lhe um pouco
do tanto... Que a sinto.
é fado?
é fardo?
é destino?
é viola indigente?
Mas eu não quero fados
nem fardos que eu sustente.
E no meu barco a oscilar
Vou treinando o meu" fado"
Sem viola pra me acompanhar
Mas, com o coração apaixonado
E
ao soltar esta felicidade sem ameias
vou canta-la doravante p´ras sereias
e vestir esta saudade gigante
com um sorriso rasgado e constante.
É fado?
É indiferente!
É fardo?
Pois que seja perpendicular ao destino traçado
no destino da gente.
É fado...é fardo...é força...é sede...!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sonhos





 Sonhos
Choro contigo
o suave perfume das rosas
e levo para longe
os espinhos que não vês
e vou gastando no tempo
todo o tempo de uma vez..


E assim voam livres,
todos os livros que folheei
Todas os poemas que bebi
todas as sombras que ocultei


Porque a alma do poeta é vadia
e nela vagueia sem destino
todos os sonhos
no desconforto do seu próprio desatino
como o choro inocente de um menino.


Choro contigo todas as marés
em choros escondido
através dos olhares das gentes
que não sabem chorar o mar
quando o têm consigo e não o sabem amar.


E no tempo incerto na medida não exacta
gasto o silêncio com que ofendo
Todas as horas amorfas e rasas.


E lá longe, lá muito longe
onde os sonhos se dissipam como alvos
oiço do amor outra voz
Numa voz feiticeira em sobressalto
Que tenta apagar do céu a memoria de nós.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Falam os poeta.

Falam os poetas
de beijos,
de abraços,
de preces e des(ilusões)
pedidas ao espaço
Falam os poetas
de tudo o que é seu
de tudo o que possuiu
de tudo o que perdeu.
Ao poeta tanta vida lhe é dada
que por vezes ele esquece,
que tem vidas de sobra, em si guardadas
A que inventa
a que vive
a que perde
a que encontra
a que desenhada
a que apaga.
a que chora
a que sorri
Quem consegue viver tantas vidas assim?
e julgar não viver nada.
Ao poeta tudo cabe...
Mas tudo lhe é pouco
Falam os poetas... E digo eu, que de poetas nada sabe!
Poetas...Ai... Poetas... Que sois tão loucos.
Como seria a vida sem esta loucura?
Enfadonha, cinzenta, triste, de uma tristeza medonha
sem remédio, e sem cura?!
Falam os poetas...
Eu apenas os vou lendo e tecendo a minha opinião
que de nada serve, ele têm tudo... Tudo nas mãos.
Mas a mim, não!
Falam os poetas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Quem és tu?

Quem és tu?...
Que me respira e inspira…Que me transpira e refresca…Que me esclarece e confunde?
Quem és tu?...
Que me prende e liberta… Que me escreve e me apaga… Que me encontra e me perde?
Quem és tu?...
Que me acalma e me descontrola…Que me lamenta e me consola… Que me beija com lábios de mar?
Quem és tu?...
Que te sinto tão grande, senão o maior
O maior sonho, que no meu corpo nasce e morre.
Quem és tu?
Como posso identificar-te?
Se o tempo é escasso para pensar
Quando nas nossas mãos a lua vem crescer
E a vida em nós se curva a rezar
Em todas as latitudes do prazer.
Quem és tu?...
E eu, quem sou eu?
Se me encontro tão perto e tão longe de mim
quando ao teu lado, a noite me faz deslembrar
que o amanhã também é p´ra viver…E sonhar!

Os anjos do mar


Imagem de Mel Almeida
Poema de Mel Almeida

Não sei que fazer



Ainda tenho os lábios molhados
dos teus beijos de Abril
E o coração aberto do um jeito
que só para ti fiz nascer
E, não sei que fazer...
Com esta recaída primaveril

Abri agora o regaço
e, estás aqui a consumir-me de novo
nas mãos
na boca perdida
nos seios maduros
no ventre liso e puro
na avenida
que nem me olha nos olhos
para não dizer, que ainda,
não avista os teus...
Até a praça está de sentinela...
E a coitada já dá sinais de cansaço
O que agora faço?...
se nada me apetece fazer
senão olhar a hora...
para te ver aparecer.
Vem... Depressa
Vem... amor
e traz de volta o laço que me prendeu
Vem...
com aquele sorriso de gaiato maroto, que parece nada querer...
Mas tudo é seu...!
Tenho os lábios gretados
de tanto suspirar, neste ar saturado de saudade
Até quando eu sou capaz de esperar
Os beijos da tua boca
até quando a vila, vire cidade?!
e a minha aldeia,seja gaiola vazia
sem passado pra contar, esta história de amor?

Como um poema


A vida foge-me descaradamente
por entre os dedos
como um poema de areia feito ao vento
Que subtilmente se vai desfazendo

*
é neste descontentamento
que me pulam dentro do peito
insatisfeitas,
todas as feridas que me saram, lentas
**
E, é por mim adentro, que entro,
sempre que os meus demónios mudos
ousam segredar-me ao ouvido
Pedindo-me impiedosamente...
Para serem atendidos.
***
E os anjos, passam-me graciosos pelo lado
sorrindo airosos,
pelas batalhas que vou vencendo
****
Mas se o poema não existisse, no verso do poeta,
e ele não o possuísse...Em linha recta
De nada adiantava viver
porque morreríamos todos em silêncio
com o verso atravessado na garganta.
muito antes do poema nascer
*****
O Poema é a razão de toda a paixão
ele nasce e morre quando a palavra tem tesão.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Palavras


Só uma palavra
a que se bebe
num corpo frágil
um dedo apontado ao secreto
segredo
Só uma palavra
um beijo
lábios leves
ombros breves
no desejo que se esconde
guardado no peito
Só uma palavra
um sonho
que nasce
outro que morre
na hora
quieta em que desperta
Só uma palavra
na luz submersa do medo
no ruído da escuridão
Só uma palavra
nas mãos
Um sim... Um não...
e a poesia adormece
na geometria que enlouquece
Só uma palavra
para destruir
sonhos de fogo
Só uma palavra
para edificar
auroras na pele
Só uma palavra.
simplesmente rendida
Apenas uma palavra
para anular a imagem e eternizar a vida.

Mel Almeida

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Será ?!

Não digo o que sou
 nem sou o que digo.
por vezes, até eu me surpreendo comigo.
quando penso não querer mais
agarro o não, e abraço-o
quando penso que quero,
deito tudo por água abaixo
não sou igual a ninguém
hoje reconheço
amo o que já desprezei
e detesto, o que muito amei.
não digo o que sou,
nem a muitos...
nem a poucos...
porque nenhum louco, pode entender outro louco.
O mundo é assim: Hoje por ti, amanhã por mim.
serás que entendes o que escrevo?
talvez não...
Sabes porquê?
Porque eu também não!
Não...Não sou o que digo...
Nem tão-pouco o pouco que pareço.
Será que me conheces?
Será que te conheço?

Poema verbo de ouro

és poema que em mim nasce
no verso que me mata
és prosa que engulo
em lençóis feitos de prata
és
melodia
sinfonia
valsa
tango
és
bolero
és noite
és dia
és fruto maduro
és flor que não colho
és tudo o que quero
és tudo o que escolho!
és meu poema verbo... de ouro!

Meu amor

...Meu amor...
Se estiveres por perto dá-me um sinal
Deixa no ar
o aroma a primavera celestial
Deixa nas sombras da lua
as marcas da tua luz
Deixa no meu chão
pedaços da tua cruz
… Quem me dera…
Que nas pedras da minha rua
Escrevesses só para mim
palavras tuas
...Meu amor...
Se estiveres por perto
serei mais mulher
E nos teus dedos irei desfolhar-me
como um bem-me-quer
...Meu amor…
Deixa que te encontre… Sem te procurar
Deixa que te abrace apenas com o luar
...Meu amor...
Se estiveres por perto
Sei que serás decerto...
O mais certo de todos os amores…!
...O meu amor...!

Um poema fechado nas mãos


Enquanto houver poemas
chorando nas minhas mãos
não me recordes,
porque eu não existo.

enquanto houver poemas
voando no silêncio das minhas asas
E o fogo for fruto sereno no meu peito
não me lamentes
porque o poeta apenas sabe viver desse jeito.
Enquanto houver poemas
sobrando na minha noite
fala baixinho, não o assustes
são eles que vivem todo o tempo
que o poeta julga possuir.
Enquanto houver poemas...por cantar
existem almas que se fundem a voar,
entre a loucura e a lucidez
em sombras tão inocentes... Quanto as palavras que lês.

Fui Primavera


Esperei-te nas horas mais jovens de mim,
a primavera havia florido todo o meu corpo
 os meus olhos tinham o brilho das pérolas,
e o meu ventre ardia de desejos ocultos
Demoraste; as andorinhas choraram a demora.
Agora,
Lá fora a rua está submersa de sonhos inertes
Só oiço o coração das árvores a bater no meu rosto
Num abismo... De esperança perdida na folhagem
esperei-te tanto... Tanto meu amor...
que sou incapaz de alcançar a primavera.
E caiu exausta a minha carne, nesta espera.

Ambição







Meu Deus
dá-me
a liberdade
de possuir
o vazio de todos os versos.

Poema sem voz



Queria ser poeta
para desenhar na tua alma, com bravura
as palavras que fechei na cave de mim
palavras que me gritaram
em versos tangidos à loucura.

Queria ser poeta
onde o poema fosse uma brisa suave e pura
numa demência permitida
de amar com verdadeira ternura
um poema feito de carne viva.
Queria ser poeta
poeta que lançasse silabas a voar
e na tua boca poder calar a voz
da luz que se fez em nós
numa noite consumida de luar.

FIca


Não vás ainda embora
deixa que te olhe
só mais uma vez... Só mais meia hora
fica
eu prometo: calma, abraços de alma, e poesia
e se por acaso me esquecer
procura-me nos braços
onde me adormeço sem querer
  ou onde me morro de viver
fica
só mais um pouco
amar é ser louco
e quem sabe
se a vida permite
o amanhã (des) adormecer
fica
e se a tarde nos beber
na noite que nos floresce de emoção
há uma boa razão
fica
fica em mim com paixão
eu prometo em ti...Nascer
Fica.
deixa-me aprender a ser criança
rir de careta
chorar sem razão
fica...
lê-me a tua história
canta-me uma canção
Há tanta razão pra ficar...
fica...!
A saudade está lutando
tão sozinha a coitada
que me amarrota a alma
qual pobre flor que murchou
fica
a taça inundou!

Não sei se acredito


Quem me dera ser crente
e nos santos acreditar
eu fazia mil novenas
queimava o mar em promessas
e na terra suave, fazia o meu altar.

Já não sei no que acredito
adormecem-me os sentidos exaltados
a poesia é o meu grito
e o vento, o vento traz-me este fado.

Imponderáveis são os desejos
que nos abraçam e beijam
como sons de harpas a tocar.
E no meu peito caem aves, que não podem falar

quem me dera ser crente
ou santo popular... Manipulava os milagres
e em mim os fazia acontecer
Mas, nada posso, e tudo me é pretexto pra escrever.

Estou serena



Estou serena
no meu canto a arder
num desejo infinito de poesia,
que em mim quer acontecer.
Não a posso amordaçar
ela tem a força da vida
nas minhas veias a pulsar.
Estou serena
neste canto com encanto
que me faz esquecer
os retratos perdidos,
as flores secas nas jarras de vidro
as memorias da infância
as músicas, as danças...
Estar serena e ser poesia,
é ser tão pequena
como uma grande casa vazia.
Estou serena....................

No meu canto... A respirar


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