quinta-feira, 21 de maio de 2015

O fogo vivo da vida


Curvo-me sobre o fogo do meu corpo
fogo que não me consome
nem tampouco de mim se afasta
sem ele sinto-me pouca e gasta.
E hoje faço tudo em gestos lentos
e de mãos cruzadas.
Já não tenho pressa de nada
E nesta calma em que mergulho
passeio nas ruas paradas
e sinto o perfume das flores moribundas nas jarras
de casas com janelas trancadas
onde se vive sem fogo no corpo
e onde a vida se demora em cinzas cimentadas
e este meu fogo, teimoso, continua em mim
vivo, liquido e em brasa.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Dissertação


O fogo pega onde houver estopa.
a água passa se tiver caminho
a fome engana-se com sopa
o amor dura se tiver carinho
e
tudo passa
tudo pega
tudo tem graça
tudo avança
tudo abunda
tudo falta
mas
que nunca falte ao poeta
motivos para escrever
pois se isso lhe faltar
ele não vive... finge viver.
e
não, não há lugar para disfarce
troco uma leve mentira
por uma boa verdade
ainda que seja tarde.
e
tudo cala
tudo ri
tudo chora
e
tudo me parece
que já vi
até a madrugada
me parece, ser a que escolhi.
e
tanto posso fazer,
que já não sei se estou nua
ou se as palavras me chegam
vivas, ao fundo da minha rua
eu
gosto tanto delas...!
e elas tanto de mim...!
e
não me deixam um instante
pedem-me insistentes
escreve-me? Sim...!

esgotei-as agora
e deixo-as
assim
quando as leres:
podes poetisa-las como entenderes
Até podes brincar com ela
que elas não se vão ofender
...................................
...................................
...................................
...................................
e
do...................................
eu...................................
...................que seja breve
do muito.....................que aprendeu

*** Vida ***

***
Gosto de experimentar a vida
Amá-la
Odiá-la
Desafia-la
Prová-la
Degusta-la.
Cuspi-la
ou até
Escarrá-la… Se for preciso
Mas envolver-me sempre e intensamente no seu verdadeiro enredo...
Não a quero temer seria como se me enterrassem viva antes de falecer !

***

Amor- (im)perfeito


São intermináveis as horas em que te aguardo
E a Primavera já me virou a face
E é agora um perfil reverso
Onde procuro as cores multifacetadas
Da sua existência
Na ânsia do que não vejo.
Não tarda acordo com o Verão nos meus braços.
E temo meu amor
Que as manhãs me adormeçam prostradas
No silêncio das ruas em ardência
E me devolva em cinzas os sonhos que criei no meu peito.
Como uma mãe extremosa que a seu jeito
Protege os filhos dos acúleos das rosas.

[…?!...]




Não sei porque me condeno
Nem porque me condenas
Se o absoluto me é insignificante
E o não-ser me é imenso.
Amo a vida que nos meus olhos se demora
E odeio a morte em pleno movimento.
E mora em mim uma força leve como penas
Que me liberta o carrego e o tamanho
Ao que de mim mais me importa
E uma que me prende ao que me castiga
Mas sempre me exorta e comigo tanto briga
Não sei porque me condeno
Não sei porque me condenas…
Oh vida.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

LIVRE/MENTE


Um dia serei tão livre
Como livres são as aves
E vou ter asas
E bico
E garras
E gritos
E penas
Para escrever
E vou confundir outras aves
Quando cansada do meu voo
Eu tentar repousar
Em qualquer rochedo escabroso
Porque elas,
Vão-me ouvir
Cantar de prazer
Rir de gozo
E chorar de desgosto
Pelo Mundo indecoroso
Onde ninguém sabe amar
Sem exigir possuir, como moeda de troca
E ai...
Não há quem me possa julgar
E serei tão livre
Como livre é o ar.
Agora:
julguem à vontade
enquanto o meu corpo
aprisionado
não tem a liberdade de uma ave.

HISTÓRIAS


Uma mão que abraça...Em vão
Outra solta que amarra o punhal, e espeta o coração.
São memórias que prendem
a quem habituado está, ao que de suportar é capaz.
Dividir um amor, maior,
com amores de ocasião,mascarados de trabalho mentiras e fatos
fatos, que se vestem, nus, em cima do corpo.
E beija-se o tempo
E beija-se a boca de outras bocas
E faz-se amor... Em cima de outras sombra.
Enlouquecesse-se de tormento..
Fuma-se de novo...bebe-se uns cafés
E tudo passa...Tudo passa e na próxima viagem.
o amor volta imperfeito e farto de novo, por um troco de mentiras e promessas vãs.
Perdoem-me a mim...Que não sou dessas,
sou diferente, e não me interessa, ter assim tais parecenças...!
Que se viva de memórias e histórias turbulentas,
tanto se me dá.
Contudo; não me leiam contos de fadas. onde só existiam duendes
E que não se aponte os defeitos da outra, na presente.
A mentira tem perna curta, mas veste sempre, farda de indulta.
Uma mão que se estende, curta
no papel distante, mas presente!
Ama-se a puta... Como uma senhora!
E o paciente é Inglês.
E veste-se de indigente ... Por piedade talvez...!?
...E pronto...!
Lembranças... Memórias...Histórias!
Num painel que abraça...Mas vive solta!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Palavras no abismo de mim.

***
Suspendo
do abismo
rompeu das cinzas
um clarão
***
Um corpo
que morre
sem palavras na boca
uma alma
que sobe
em plena ressurreição
***
Suspensa
e quieta
a voz do poeta
ficará para sempre
suspensa
nas tuas mãos
***
Num caminho que arde
do nada
Numa qualquer oração
***
Suspenso o poema
dentro de mim
Apenas suspenso
sem principio
sem fim.
***.

Onde estás?

Onde está aquele
Que me mostrou
o vulcão quieto e manso
Que circundámos
 com olhares de espanto
E me fez acreditar
com voz firme
Que todos os rios
 têm fome,
E que todas as pedras

 sabem cantar
Onde está aquele?
Que uma vez me disse:
Que todas as vidas

 têm caminhos semelhantes
E um dia sentou,

o tempo no seu colo
Adormeceu as tempestades

 sem rumo
E acordou as tardes 

demoradas e lentas
No brilho dos seus olhos
Onde está aquele?
Que das estradas

 fez tapetes em delírio
Colheu flores

 em muralhas de gente
Na minha boca

 escreveu o seu nome
E no meu corpo

 depositou a semente
Que faz nascer

 poemas órfãos de frio.

A Tua Paz























Dá-me a tua paz…
Porque a minha já me mente
Quando me diz
Ser capaz
De te esperar serenamente.
Dá-me a tua paz…
Na cidade branca
Que não acorda
E
Vamos caminhar de mãos dadas
Ou,
Simplesmente repousar o olhar
............ Tranquilos ........…
No vazio
Das paredes
................. casadas.................

Com as azul das janelas e das portas.