quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Esperança


Esperança…
Num olhar de uma criança
Num sorriso de um idoso
Num anoitecer duvidoso,
Em auroras de bonança.

Esperança…
Na ponta dos dedos, na palma da mão,
Na entrega de amor e compaixão
E no toque, transmitir gratidão…
Converter lágrimas, em sorrisos de satisfação.

Esperança…
Na doença desagradável,
Na esperança que transmuta
A dor, de um Ser que luta…
Numa esperança imutável

Esperança…
Em comungar a um Deus
Misericordioso…
Aquele, que nos devolva em oração
A esperança, de um Mundo Novo.


Esperança…
Na maré inconstante, exagerada
Que ao mar leva crentes…
Numa esperança, confirmada

Esperança…
Num abraço de despedida
Na aventura projectada…
Esperança, de voltar a ser sentida,
O sentido da chegada.

Esperança…
Estrada de sorrisos e cantos…
Por momentos, também és prantos,
Daqueles que percorrem vidas…
Sem amor, sem luz e nela ficam vencidas.

Esperança…
Que alimentas a fome, a desconfiança, a fatuidade,
E se tardas em ser mudança…
Oh esperança…
Serás chamada de ”Acaso” ou “Fatalidade”

Esperança…
Imortalizada esperança
Consoladora de ideias,
És eterna pertença, Imortal…
De todos os Mortais!


domingo, 25 de dezembro de 2011

Tua a Noite.


É
madrugada…
lá fora,            cá dentro…

um silêncio ondulante
de lembranças em caldo…frio…
de renúncia, em pecados gritantes…

de
euforia…consumismo…
estulto, cepticismo, contenda…

quem Te convidou a entra, e sentar à mesa pelo, pão ázimo?
o pão da fé, da esperança, da luz!

chegaste! 
as Tuas chagas sangraram de novo, pelo mundo com que te deparaste!

imundo…

irracionalmente…irrazoável…

impenetrável!…

[onde tudo, é tanto…e tomado, por tão pouco]

Jesus, onde ficas agora?
 porque choras?

anda vem!...

ainda há quem macere descalço o chão!

e ajunte a palavra amor...sem dor… sem tumulto…

Vem!

És a Salvação...!

não quero vestir-me de [LUTO]

sábado, 17 de dezembro de 2011

Imortais


Em palavras azuis
 de céu e mar
 escrevo meu sonho
a navegar

em palavras
que não amarro,
nem escondo,
em palavrear…

em palavras
 e valsas te danço
em rosas vermelhas
 te abraço
e não canso…

neste sonho
em te aquietar…
em palavras,
no meu perpétuo desfolhar

amarra-as
 em beijos, ondas
e vendavais…

As palavras que escrevo…
São, salivas imortais.

Metade


 Que a metade
Nos grite,
Nos amarre,
E em nós fique
Em palavras,
Em gestos,
Em verdade,
Em sopros de amor
 E gratidão,
Em suportáveis momentos,
Em visões que não se apaguem
 Nos tempos
Que cada metade se una
Em morais cobertos de flores
Que não se confundam jamais
Em colaterais encontros de dor,
Que cada metade seja,
Pra sempre unida
Em
Amor e compaixão
Pelo mistério da vida
Pelo amor…Pela união!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vermelho e paixão


Olho o mar por ti  atendido,
onde ardem...

céleres e aplaudidas pinceladas,
em compasso,
que roçam deleitadas
 vermelhos,
rosas,
cinzas e prata,
inalo
 os aromas por onde passas…


 onde o olfacto se apura
 e a visão viaja grata!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Abraço de mel e sal


Em silêncio te abraço
E abarco o desejo,
Em meus braços…
Nas noites em que transito…
Em sonhos…
Contidos em silenciosos gritos…
Que abato, em memorias a transmutar,
Onde não consigo imaginar…
O devolver…O ficar…
Procuro-te em mim… Me aninho…
Em casca… Como passarinho…
Onde o querer anoitece…
Frio e lento...
E a manhã desfalece,
Como nascente de um rio, sedento de mar…
Mistura divina de doce e sal…
Em suplicas… Me envolvo…
E amotino o meu sofrer…
Na infinita vontade de poder…
Ser ainda…
A envolvente causa…
Da minha infindável…Vontade de te viver!

Há em ti...


Há nos teus olhos a incerteza
Na tua alma a estranha recôndita…
Em pálpebras adormecidas
Na ambiguidade da vida…
Em noites por ti veladas
Em horas por ti esquecidas
Há em ti…
Um estado que vigia
Uma noite sem dia
Um descansar que não sonha…
Um acordar que não adormece…
Um pousar que não voa, nem esmorece…
Há em ti …
Uma esperança...uma longa visão
Uma estação…que suspende
Um viver sem razão…
De que a partida….
É,
 Hora que não se adia,
Há em ti…
Algo de belo... Assustador…Há magia…
Algo, de fantástico e merecedor
Que à vida, fica devendo…
 Momentos ávidos de incerteza
Há em ti…
Meu amor…Tudo que desejo, com clareza
Sabor… Saber…Doçura…Ternura…
A contemplada ventura…do teu ser…
Há em ti
Meu amor …”o meu viver!”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sopro Salgado

Um beijo em sopro salgado
D´ ontem…
De hoje…
De agora…
Beijo que guardo como sagrado
Na boca,
Que beijo em memória…
Memória, de Sol…
Sal… Mel…e Açafrão…
Em,
Madrugadas amarradas, em cordão
De abraços…
Laçados em imagens de cancela …
E
Catedrais imensas... de sonhos e caravelas
Nas orações que vou desfiando…
E
Esbarro na noite enevoada,chorando...
Em
Sonhos e pesadelo…em agonias toldadas
Nas horas que flutuo…fantasiada...
De bailarina, em pontas quebradas,
Na solitária caverna, que monte e desmonte
A esperança que adormece…pela aurora que aponte
O beijo, sem sopro...sem sal …nem maresia...
Em sólida realidade, toldada…de Alegria.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em águas


Boca de ninfa, de tempos, sonhados
Boca de adamastor que no passado
Roubaste sentimentos, meditados...
Em bravura de águas e verdes prados

Boca de águas tão…impetuosas
Onde pintores desbotaram rosas
Poetas escreveram…docemente
Palavras levadas por ti na corrente


                                                          Em ti caminho ainda na procura,
                                                              Do que julguei ter um dia pintado…
                                                         Por ti encontro agora a ventura


                                                         Em poemas por mim lavrados,
                                                              Que coro em aguarelas e pinceladas...
                                                             Breves instantes e quentes madrugadas

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Voo


Não descansarei…

Enquanto, minha alma voar,
Em primaveras e folhas de calendário rasgado

Não descansarei…

Enquanto o meu voo, se augure incompleto
E seja, página de um livro inacabado,

Não descansarei…

Enquanto sentir que o amor, é abrigo e afectos,
Em qualquer sítio, em qualquer lugar,

Não descansarei…

Voarei, sempre em seu rumo,
Neste doce voar, onde adormeço e não durmo,

Não descansarei…
Mesmo que se faça noite, irei a tactear…

Nesta alma, de criança…e mulher
Que voa …voa… sem cansar…

Não descansarei…

Enquanto os teus olhos, não alcançar,
E neles, puder espelhar o meu sonho, e sorrir,

Não, não quero descansar!

Seria morrer, no caminho que me conduz, ao cume
A que me propus escalar,
Ainda que, o cume expluda, em Urbe nuclear…

Não, não descansarei!
Irei até onde, o voo me saiba aninhar!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sinto!


Sinto!
O teu corpo, trémulo, frágil,
Em lugares distantes…
Em ventos de levante
Sinto!
O teu olhar penetrante,
Gritar de saudade,
Escondido de ti,
Vacilando,
Em qualquer lugar.
Sinto!
As tuas mãos carentes,
De um novo começar
Sinto!
A tua voz,
Nas asas de pássaros a voar
Sinto!
Algo que escondes,
No teu saber mais profundo...
Sinto!
Tumulto, no teu sentir, furibundo…
Sinto!
Poema…Enfraquecido,
Em reticências...hífenes, perdidos,
Em inseguranças, em crenças...
Em espaços cobertos, de astros latidos,
Sinto!
O teu sentir...
E em poemas escrevo [Sentindo!]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Silêncio

Se os meus olhos puderem navegar
Em lágrimas derramadas…
De saudade...
Serei, apenas olhar vazio…
E barco navegando em alto mar,

Calo em serena agonia…
Como ave, que vai pairando…no dia
Em voos húmidos,
Penas tingidas de óleos e águas
Tão pouco, nos prende e amarra à vida, sem mágoas,

Em madrugadas lavradas de doce e sal...
Onde se morre em toques, e sinfonias...
Em estreitas noites...E  melodias...
De silêncios, vestidos de dedos
E gemidos que queimam…Lábios
…De sonhos e medos…

Luares despidos de Céus… Infinitos...vestidos de véus…
Onde o olhar ventilava …A par
E
Os corpos se aninhavam como anjos em altar…
Oh...Ave minha, pousa no meu ombro, vem descansar!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pudesse eu


Pudesse…eu
Ser pomba,
 E poisar no teu espaço

Pudesse…eu
Ser sombra,
E acalmar o teu cansaço

Pudesse…eu
Ser teus lábios,
P´ra na palavra existir

Pudesse…eu
Ouvir a tua voz,
E de alegria poder sorrir

Pudesse…eu
Ser água,
E no teu corpo me banhar

Pudesse…eu
Ser sede,
P´ra me saboreares...

Pudesse…eu
Ser manhã,
E envolver-te no sol nascente

Pudesse…eu
Ser atalho, poente,
 Ermida de fé presente

Pudesse…eu
Ser fogo, na noite acesa
Cinza, lama, mas certeza!…

Pudesse…eu
Escrever, nas ondas do mar
 Em escritos lavados, sais purificados...

Pudesse…eu
Só poder sonhar...
Pudesse…Eu
Adivinhar!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Oceano


No oceano

                                                                                       do teu olhar

existem caudais

                                  de mel doirado

onde ceifo rosas sem espinhos

                                           colho abraços apertados

no oceano

                                                     do teu sorriso…bebo o brilho

que me cega de amor

                                              no oceano imenso

do teu corpo em flor

                                              navego sem rumo,

sem medo, sem dor,

                                 como pântano,

onde semeio...

simplesmente com prazer...

                                                                      Sonhos…
                                                                                                   E Flores…

Quero!



Quero !

mesmo,
que o teu querer seja noite,
e me desalente na madrugada…

quero!
mesmo,
que o teu caminho seja vento,
e me arraste acorrentada…

quero!
mesmo,
que o teu sol seja chuva,
e me embeba como folha vincada…

quero!
Ser um caso poente,
traço, obliquo na curva apertada

quero!
viver-te, encontrar-me,
 no tempo, na íngreme subida…

quero!
ser poema
em corpo de mulher presente…
quero ser, Vida!…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lua


Beijo a lua com olhos
                    De madrugada …

Abraço o céu com abraços
                         De vento…

Toco nas águas do mar com dedos
                    De cinza e prata…

E
No teu rosto pouso os meus lábios
                       Em chamas…

Onde
Me perco nas ondas do teu corpo
                    em lama…

Em
Impenetráveis lamas
               De violetas violadas…

Perpetuando
Minha existência…Em águas petrificadas…

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Flutuo

Flutuo em margens…

              De brandos ramos…

No alcance inatingível de mim…

              …Flutuo…

Em águas que gelam mágoas…

E secam minha alma…

Como amoras pisadas e gastas……

                 …Flutuo…

Como…Estaca…Sem nome... Paralelo flutuante…

E vigio na noite…E a cada instante…

O teu rasto…Como estrela vigilante…

                    …Flutuo...  

Nos mares onde passam…Por instantes os olhares [meus]

Em longa estrada de prata e cetim…

Flutuo em mim…

Esperanças vãs de seguir-te…

E se perdeu!

Oh… Meu amor…Rogo aos Céus…

                      …Infinita…Dor... De alcançar o esplendor…

                         …Flutuo…

Até onde… Começa a vida…

E termine a saudade, de um Adeus... Sem [dor]

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vagabundas palavras


Sou vagabunda…De palavras…
Vaguei-o na noite… Embriagada,
Pelos sons,
Dos meus sentidos…
Onde as palavras,
Não adormecem…
E me gritam aos ouvidos…
Quando cansadas,
Descansam…Apenas…
Em palavras, em escritos…
São teimosas e teimam…
Em me acompanhar…Aos gritos…
Faço delas,
Minha companhia…
Um tanto desolada…
Nas palavras que se movem em conflito
E me levam a lugares distantes…No infinito
Onde não posso como antes,
Declama-las aos ventos…Vadios
As palavras que me inundam como rios
Hoje, sem elas…Não vivo,
Sou…
Vórtice sem comunhão
Ou apenas, um descampado em confissão.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oiço



Oiço a tua voz …
Nas vozes que não falam …
Venho os teus olhos….
Nos olhares que não avisto…
Oiço o teu sorriso….
Nos sons que não visto…
Vejo o teu corpo…
Em corpos mutantes…
Incertos…E tão distantes…
Sinto os teus passos…Em,
Fantasmas sem rosto, nem nome…
 Num Universo imenso...
Onde cresce a vontade…Descompassada…
Na urgência…do nada…
Onde tudo, tem curso… Movimento.
E eu, pauso…No tempo…
Olhando o tempo…Simplesmente alienada!

sábado, 5 de novembro de 2011

O voo do poeta


Alma de ave
Emigrante…
Soltas-te livre
E sem medo…
Entre mares
E penedos…
E Continentes
Distantes…
Abarcas teus voos
Em águas paradas
Mortas…Estagnadas
Marés vivas…
E revoltas.
Poisas…O teu vozear…
Em silêncios
Gritantes…
Sem desesperar o voo…
Por contratempos
Ou penares…Hesitantes
Oh…Ave
Leva-me contigo…
Ensina-me…
O teu voar…
Deixarei conduzir-me
Nas asas do meu sonho…
E sonhando…
Irei até onde…
O teu voo…E o meu sonho, 
Se encontrarem!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Poema perdido


És poema,
Perdido…
Entre os livros que não li …
Em palavras...
Onde já não cabem…
As frases,
Que gritaram por ti,
Dançavam-me…
Tão inquietas…
No meu peito, contundido…
Em memórias que batem incertas…
De algum dia…
As ter vivido…
Jazem...
Agora as palavras...
Gélidas,
Em
Túmulo sagrado...
Perfumadas,
De incenso e eucalipto…
Cobertas, com mantos de nevoeiro e gritos,
Em gotas de água …e veleiros…
que derramaram…ribeiros de lágrimas...
Purificadas, nas lágrimas que bebi!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

No silêncio.



No silêncio onde te busco, sobram-me, sons incapazes…de decifrar!
Na ausência com que luto, resta-me a esperança de… esperar!
O silêncio quase enlouquece …nos sons… intensamente agudos…
Arrastam-me então… os sentidos …por mim inventados, onde não me consigo encontrar!
 Neste absurdo silenciar, de sons que vão cavando fundo… brechas …prontas a enterrar…os receios nesta espera… de voltar…a esperar!
Só, a dor, do mistério …acrescentada… à urgente… vontade… de te ver entrar, pelo meu mundo…sem nada mas mãos, apenas com um coração pronto a amar…aquele que sinto meu!...
Vou abrindo gavetas …sem razão …fechando janelas…amarrotando o fato na espera…procuro-me na escuridão…nem na luz me encontro! Senão…e simplesmente …na busca sem rosto, sem mãos para apertar…procurando o impossível de achar.
Que pretensão…que loucura…como foi que aconteceu…?
Procuro…procuro…
 Apenas um motivo…que mesmo ao de leve…
 …Me leve a pausar…
Só nele me quero encontrar!

domingo, 30 de outubro de 2011

Abracar-te-ei!


Abraçar-te-ei…
 Eternamente…

           Em meus braços
                     De cetim …

Em Outubro,
 Incandescente…

             De abraços…
                Guardados em mim…

Deste-me a Lua…
Sem sono…

Levaste contigo,
 O meu Sol…

                   Deixa-me viajar…
                   No abandono…

Que roda em mim,
Como violento… farol!…

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Astro"


Teus lábios… um Astro…

Astro… em cadente

…longitude…

lábios, onde respirei…

…alentos…

bebi virtudes…

esperança…momentos….tempo…atitude…

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O azul do som


No azul do som, caminho…
Em pauta sintonizada…
Em brumas de amor… em estrada de fadas…
Beijo os aromas…da noite…em poças de lágrimas tombadas…
E em passos de folhas orvalhadas…caminho…
Caminho…com a força anunciada…de folhas…
Que vão cobrindo o meu chão…como manto sagrado…
Caminho…caminho…
Mas, não encontro o abrigo…
Aquele, que me leva aos teus braços …
E me deixe adormecer…contigo…
E em teu corpo descansar …
O meu desejo…o meu olhar…
Só o nevoeiro, me toca,  com um húmido beijo…
 Nele me detenho,sonhando...pelos lábios que desejo...
Mas, o gosto do teu beijo, é aroma penetrado…
Que nenhum outro nevoeiro poderá... algum dia ter provado!

Em ti!



No teu corpo…
Me deleito…
Em campos por mim
Mondados…
Em prazeres
Que não rejeito…
Nesse teu ar…
Exaltado…

Quero-te assim…
Entra em mim…
Arromba a fechadura…em
Meu corpo
Aquela que nos separa
Por… tanto!
E por tão… pouco!

A tua
Língua de prazer…
Na minha…
Saliva… solta…
Gemidos serenos…
Como cão desfeito…
Em correria louca…

Minhas garras…
Em bravura…
Deixam, marcam
De ternura…
Que esmagam…
O fogo que apagas…
No meu corpo de prazer

Quantas?…
Valsas… dançamos
Neste…
Eterno…dançar…
Em horas que
Se perdem…
Em nosso enlaçar…
…Ah….
Nunca… antes havia sonhado…
Que o amar…
É vinho abafado …
Que se bebe quente…
Em lençóis a ferver!

[...] Sente-me

[…]
Não tenhas pressa…
Deixa-me tocar-te …
Fecha os olhos…
Sente-me…
Sente, a minha boca…
A tactear-te…
Os meus dedos…
A navegarem nos teus medos…
Agarra-me forte …
Não me soltes agora…
Sente-me…
Arrepia-me…
Despenteia-me…com os teus dedos…
Amarra-me…aos teus segredos…
Ou terei dos inventar…
Nesta chama que pulsa…
De paixão…
Onde o meu coração
Arde…
Envolto num disfarce…
Urgente de emoção…
Numa negra espera…
Num luto permanente…
Oh…minha impaciente
Loucura…
Sem fim…
Que moras na impotência…
Que se despe pura…
De Viver-te… em Mim!…

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sonhei na praia


Na praia distante deixei…um sonho afogado…

Um poema inacabado…um abraço, não abraçado…

Num pesadelo que me acordou…apressado…

Na hora que Deus marcou…Sem, sequer, me ter avisado!                             

Quis Deus!


Sigo em frente…olho o vazio…

              Aquele que me faz distanciar do tempo…

Em que apenas fui ...Frio!...

                Pavio, ardendo… contraditório…

Dentro do meu, sagrado oratório…

                Sentia-me … apagar…sem vento…sem sopro…

Apenas gasta …pela dor, que me queimava …o corpo!…


                    Na mentira …na vaidade…na demora…

                                          …Fui…

            Laboratório de análise…cobaia de acuidade…

                        Imagem…desfocada …paisagem…

 deserto, isento de miragem…

                       Que cegueira louca em que me perdias!...

Que sofrimento belo…[ VIVI ] !…

                                Voltava atrás…pra cumprir…algo novo…

Para renascer …das cinzas, ainda em fogo!…

                                 E fazer de mim…o que Deus… sempre Quis!

Como podes?!


COMO PODES ESQUECER-TE DE MIM?!

SE, EU FUI O TEU RESPIRAR…

O TEU OUVIR…O TEU CHAMAR…

O TEU ENCANTO… DE ENCANTAR…

COMO PODES...ESQUECER-TE DE MIM?!…... SE, EU VIVO EM TI!…

EM CADA PORTA QUE ABRES …EM CADA GESTO QUE FAZES…

EM CADA ESTRADA…SEM RUMO…ESTOU EM TI...COMO FIO A PRUMO!…

 NO PARAÍSO…QUE TE LEVA AO INFINITO DE MIM…ESTOU EM TI…

…JAMAIS ME ESQUECERÁS!… SOU… [EU]!…

AQUELA PEDRA…BANAL…ESQUECIDA NO AREAL…

A QUE TE AMOU …NO DOLOROSO ADEUS!

SINTO-O! …SEI-TE!…QUERO-TE! …VEJO-TE!

domingo, 23 de outubro de 2011

QUEM ÉS


Não sei quem és?...
Não sei onde tocam os teus pés…
Que mãos apertam as tuas mãos…
Que braços te prendem de emoção…
Não sei, se amanheces?..
Não sei, se anoiteces?...
Não sei que és?..
 Se tens olhos pra chorar?…
…Boca pra beijar?…corpo pra morrer?……vida pra me dar!?…
…Mas…sei que és!...
Uma paragem…uma miragem…uma razão…sem razão…
Um sentir que pula …sem motivo aparente…
Uma busca, uma imagem …que me envolve no presente!…
Não sei quem sou?
Não sei quem és?
…Mas, sonho-te!...…permito-me!...
Por não saber... quem somos!?


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Deixa-me




Deixa-me amar-te…deixa-me seduzir-te…

Deixa-me amarrar-te…à arte de possuir-te…

Deixa-me brincar…com o teu corpo e ver…

Deixa-me enfeita-lo… com o meu corpo de prazer…

Deixa-me adormecer…em sono… selvagem…

Deixa-me acordar…na minha miragem…

Deixa-me voar…sonhar…cair…de mansinho…

Deixa-me morrer …presa ao teu caminho!

Deixa que eu deixe…antes de deixar!

Deixa que eu deixe …depois…deixa-me continuar!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Horas mortas



Sentada, na minha cadeira já gasta…
Conto as horas…os minutos …os segundos…
O relógio parou,
Gastei-o de tanto o olhar…
Na sala, só batem agora,
As horas do meu respirar.
Oiço o ranger do soalho, também já gasto…
Pelas horas em que caminhei nele,
Como ovelha em repasto,
As manetas das portas estão sem tinta,
De tanto serem abertas em vão…
Nas noites mortas,
Em que esperava o calor das tuas mãos…
Tu, não abriste mais a minha porta…
Aquela que ficou aberta…Que importa! …
Só tu por ela entravas…
Hoje…já longe da esperança que me alimentava…
Resta-me o guloso tédio…o pavor…
Que devoro como chocolate…
ansiosamente sôfrega de dor.
E quando a noite me visita…
Falamos baixinho…
Em sussurro, de mansinho…
Não vá a noite se assustar…
E de mim, também ela se ausentar…
Já esgotada do monólogo …retiro-me!…
Olhando as paredes da minha sela …
E o Cristo que existe nela…
Com seus braços abertos…
Abraço-o, triste!
No imaginário da história que me resta…
adormeço… de exaustão…
Envolta em lençóis de linho, bordados a carvão.