quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

QUEM SOU?



Quem sou eu…
para além de mim…
quem me habita em quina
desfigurada...
onde me estoiram flores
como sons de aves
em debandada.

Quem sou eu …
para além de mim…
não me reconheço…
nem me sinto,
ainda que me açoite,
e me sorria, em contrafeitos dias,
porém,
choro-me em brancas noites.

Quem sou eu…
para além de mim…
serei tudo…
ou apenas, uma matizada alma,
subordinada à fantasia…

Mas, também que importa…
quem sou para além de mim
se, nem eu sei se existo…
para além de uma palavra vazia.

MelAlmeida

domingo, 8 de julho de 2012

Inexistente


Longe de ti
Não, não sou ninguém,
Sou sombra desfocada,
... Inexistente…

Sou um pedaço de nada
Em corpo de gente…

Sou quem vive silenciada
…. Imortalizando…
As palavras que me soam
 Constantes
E me fazem tingir os dias
Em tons falsamente brilhantes.

Perto de ti
A escuridão é abraço
As nossas bocas são rosas
Que desfolhamos em prosas
Silabadas de amor
Em chão de estrelas
Que matizamos de violetas
No nimbo de duas almas poetas.

Melalmeida


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Hoje...Sempre.




Hoje, faço amor contigo em poesia
Desguarneço-me de véus e mantos,
Que guardam o desejo

Perfumo-me de essências corporais,
Na ânsia excessiva
De te querer nesta página
 Como marcador
…Em Ais…

Entrego-me inteira ao teu querer,
Iniciado no pólo de um beijo.
No episódio perfeito…
A tua boca…No meu peito,
Num
Esmagar de almas em sintonia

Cerro os olhos, entrego-me embriagada de paixão
                                        Um tecto, um chão, dois corpos em desalinho
Onde apenas os ais, voam, no sussurrar dos beijos
Loucura incontável, ao comum dos mortais

Onde me arrombam frases poéticas,
em concordância descarnada
Entre o tudo… E o nada…
Morremos depois…Os dois!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sombras Reescritas.


Reescreve-me em beijos,
em abraços…Em sorrisos
desenha-me em folhas de prata
borrifadas nas águas do desassossego
em instantes perfeitos,
 feitos, no instante de um silêncio.


Partilha-me na tua pele, arranca de mim o sentir
aquele que de longe ecoa ainda, nos nossos sentidos


Clama-me…O quanto me desejas
em palavras, em escritos,
em bocas que ardem sufocadas
no vasto campo dos tempos perdidos

Ou então,
sonha-me oxidada…
Na oficina abandonada de um velho artesão.


sábado, 26 de maio de 2012

Sempre!


Saberei sempre, distinguir-te em cada vírgula,
Em cada [a] que não se esgota
Nas palavras que, como corda vacilante
Te fazem estremecer a carne, solta de ti

Saberei sempre…Quem és!

Minha fonte viva, onde brotam acácias em pedras soltas
Que ardendo de desejo,
Tentas controlar como barco, em maré de despejo

Abnegas o que mais desejas,
E colocas-te em posição de queda,
 Nas alucinantes lembranças, que te investem de mim.

Agora, não sou mais eu, quem em ti se passeia
És tu, quem me prescreve.

Eu,
Parti noutros braços, em viagem sem retorno
Na busca dos teus…
Encontrei-os com os olhos bem cerrados
Encontrei-os…Por fim, ao abri-los sem receio.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tão tarde...!



É tarde,
Que nem me lembro de mim
Nas tardes,
Em que como um livro, ao vento…
Se me folheiam
As páginas, num frenesim

É tarde sim.
Mas, apesar do tardio,
O livro que leio, são folhas,
Folhas, que não sei encerrar
Por ser tarde, fecho os olhos
E nele me arrebato a sonhar.

Por ser tarde,
As noites, chegam fugazes
E os dias tardios vão vazando
Como rio no seu leito
Nas tardes, em que sinto frio,
Por já ser tarde demais no meu peito.
Tão tarde…!

domingo, 20 de maio de 2012

MORRI



Na irrefragável força que nos envolveu,
como barcos atracados ao cais,
em abraços e beijos, de luar vivo.

Remoinhos imersos de verdade,
onde, desvendámos palavras acríticas,
que em nossos olhos arquivámos,
 na esperança, de uma reiteração viva.

queimámos os corpos, em desejos irrecusáveis
 em sorrisos abraçados,
 mas, inacabados no hálito do amanhecer.


Numa boca de paixão que ardeu,
em águas estagnadas de silêncio,
na distância tão curta, e tão longa
no abismo,
de um “Adeus”

Morri, na embriaguez dos sentidos
...entre...
duas bocas que se tocam por prazer.

Que  [ Preciso!]


Morri?
Não, não exigia, ter morrido!
Para renascer em renovadas frases de prata,
que à chuva do meu olhar, têm escurecido!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Existe em ti



Existe em ti…
Um rio…Retido na sombra do teu olhar
Em frases que se encantam
Na pauta…Dos teus versos raros…

Existe em ti…
Madrugadas de loucura…
De uma luz, intensamente, intensa de ternura…


Existe em ti…
Uma árvore solitária…Nua…De braços erguidos…
Em madrugadas que ignoram os sentidos

Existe em ti…
…Aves que não voam, não cantam, nem sonham
Tombaram…No pranto de um poema frio

Existe em ti…
Um lugar distante...Vazio…
Onde as estrelas adormecem…Numa inquietude que não merecem…

Existe em ti…
Um Mundo…Que te implora tempestade…Prontas a explodir em vontades…


Existe em ti…!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sou-te


Sou o silêncio estrelado,
no manto azul da noite
Sou lua que te contempla,
descalça a sorrir…
Sou água que no seu leito,
folheia poesias de amor
Sou silêncio imortalizado…
Vestido de veludo…
Em madrugadas de olhares mudos…
Sou melodia,
que voa nas asas alvas da saudade…
Sou quem abriga o mais belo e profundo…!
Sou a Verdade..!
Sou a tua dor…!
O teu grito…!
O teu Mundo…!
Sou-te tudo…!
Meu amor…!

domingo, 15 de abril de 2012

Fui eu!



Velozmente, tudo se transmutou
E se revestiu de um só som
O som do silêncio!

Fui eu,
Quem te pintou …
Quem te descobriu…
Quem te amou…

Fui eu…que nasci pra morrer em ti
Pintura perfeita que representas para mim!

Procuro-te, mas não te vejo…A tela desbotou orvalhada de desejo…
Transformou-se em vento…
Vento,
Que abraço no momento em que pondero existir…


Agonizo de dor… [Meu Deus] …
Dor, que grita nas masmorras…Da punição,
Amar-te assim é crime, pra ser cumprido.

Vou desenhando no ar, palavras que não consigo reproduzir

[Meu Amor, Sou Tua, Para Sempre… Tua!
Ainda que o Mundo se engula a si Mesmo.]

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sem Ti


Sem ti…

A saudade, é ermo, é brado
É sopro de vento,
Que geme…
Num frenesim mendigado

Sem ti…

O céu é distante…É vão…
E, as horas são o bastante…
Onde o desejo, é pecado…E, perdão

Sem ti…

Há um convento de nostalgia…
Onde os sonhos
Apenas se cruzam
Na clausura, da fantasia…

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livro

 


Sou livro inacabado…
Rasurado, perfilhado…
Livro que tudo contém…
Páginas de mim…
De ti…De tudo.. E, de ninguém…
Desamarro segredos banais,
Verdades casuais…
Injustiças diabólicas…
Alegrias celestiais…
Em cada linha que escrevo.
Dobro-o em rituais chorados
Em linhas, desenhadas por fados
Que a vida me vai cantando.
E, em prosa, ou poesia…
Em desilusões…Ou alegrias…
Escrevo, o meu livro em memórias
Que adormeceram… Amarelecidas nos bancos,
De tantas...Páginas em branco…
Hoje, de joelhos curvo-me,
Sobre o meu livro Sagrado,
Escrevendo com fidelidade,
O livro, há séculos programado…
Nos céus, na terra,
Nas margens, de um rio transbordante,
Nas ondas, de uma mar ondulante...
Em palavras que leio, numa edição limitada...
Mas, Exuberante!
 

sexta-feira, 30 de março de 2012

JESUS


Fizeste-te Verbo…
Por Tua própria vontade
Verbo, chamado “Vida”
P´ra salvação da Humanidade


 Dela, bebeste o fel da compaixão,
Doaste tudo o que era Teu
Numa entrega equitativa
Renegaram-te…Perseguiram-te…
Tiraram-te a Vida!


Nada temeste por amor…
Carregando com sofrimento, e dor…
A Cruz ao Calvário...E, na hora derradeira,
Clamaste apenas ao Pai;” perdão e amor p´ra humanidade inteira!”


Agora, vive o Mundo em guerra…
Por desmedida ambição…
Quem dera …Que todos soubessem o quanto…
Ainda, nos amas, nesta estéril condição!

sábado, 24 de março de 2012

Não te penso!


Não,
Não te penso…
Pensar-te
É…
Perder a noção do real,
No tempo
Em que a pensar-te
És ténue ilusão…Fatal
Não,
Não te penso…
Invento-te…
No instante…Em que o pensar voa,
Nas asas de um falcão…
E, ao inventar-te…
Encontro-me no atalho
Que vive ante a lucidez…E a ilusão.

[...]


[…]
Beijo-te…
Sonho-te…
Abraço-te em mim…
Escaldante…Pensar em que me adormeço…
Na boca,
Absorvo o doce gosto que de ti invento…
Na pele,
Aflora-me,
Um arrepio intensamente…Intenso,
Te Amo…Te pertenço!
Vem, o meu sonho é sentinela…
Sem tempo…Nem hora…
E, ainda espreita pela janela,
As serenas ondas deste cais
No perfeito desejo que cerca,
O desejo dos mortais…
Te pertenço!
Te amo!
E, não sei porquê?...
[…] Ainda!

quinta-feira, 15 de março de 2012

No Meu Sono

Hoje, invadiste o meu sono
Com tamanha expressividade
Aconchegaste-te ao umbral
Da minha quietude, chamada verdade

Hoje, que os versos me estão descalços
Piso o meu chão sem transtorno…
No alongar de um silêncio, quase incauto
Que perfilho… Mas, que abandono…


Hoje, vesti-me de mim por vontade
De me encontrar com a entidade
Que me nasce, num bem-querer

Num desapego total de malignidade
Como a dor de um embrião a nascer
Onde, a alma chora…liberdade.

LUA

Se a lua sonhasse…

Tanto quanto eu…

Acordava somente,

Quando despertassem

Os sonhos meus…

Ela eleva-me ao alto…

À essência…Ao infinito…

E, pela noite fora…

Vagueamos em poesias, e escritos...

Em sorrisos, lágrimas, e fantasias…

E, abraçadas,

Sonhamos como crianças alienadas.

Quer de noite...Quer de dia.

terça-feira, 13 de março de 2012

Beijo Vadio

Hoje percorri o teu corpo,
Com um beijo vadio…
Percorri-o, num vadiar…
Louco…
E,
Em meus lábios húmidos,
Destilados de desejo…
Corre uma ânsia acesa,
Em que me afundo...
Beijar-te inteiro…Num só beijo.
E,
Nele beijar o Mundo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Flores que falam.


Esperei o teu sorriso,
Nas pétalas de uma flor…

Flor, com que me brindaste
Numa noite de amor…

Esperei…
Mas elas não puderam esperar comigo,

E, foram enfeitando aos poucos…
O meu chão…como mendigo…

As pétalas, que me falavam de ti…
Falavam-me por comiseração…

Fui, então...
Apanhando pétala…a pétala…
E, perdi-me no tempo…do meu chão

Só agora vejo,

Como as minhas mãos sangram
Embebidas de solidão.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Saudade

 

Sentimento sem cor
Trajas de branco…
Preto, incolor…
Em silêncio te fardas
E, no campo de batalha,
Me aguardas.

És quem me veste,
Me solta, me prende, e me despe…
És vento aspergido,
Folha de pergaminho
Envelhecido…

És vida, onde me morro…
Luz alucinada que me cega
Lua embuçada e vazia
Névoa lavrada, orgia…
És meu sentir, e, nada somos!

…Saudade…
Condoída realidade,
Em acervos me cais,
Desmoronas-me aos ais…
Na alma desnuda…
Na carne seca, surda-muda…
Cravas punhais.

Oh fantástica saudade,
Que inflamas…
Fogos extintos, cinzas…E lamas
.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Espero-te



Espero-te…
Nas horas
Embriagadas
De desejo…
Em angustiantes
    …Ais…
Impossíveis,
De se ouvirem
Nas palavras
Que te escrevo.
Solto o meu corpo
 … Ao vento…
P´ra com o teu,
…Se encontrar…
…Quem sabe…
Se ainda ardem,
Os nossos sonhos…
No mesmo (Ar.)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Em teu corpo

Em teu corpo abarquei…
O meu corpo sem vela…
Em teu corpo me espraiei…
Como pintura sem tela…

Em teu corpo me perco…
Em teu corpo me prendo
Em teu corpo eu desato…
O meu adoçado lamento…

Nesse encanto me perdi
Rumo, ao infinito desconhecido
E, do teu corpo eu fiz,
O meu secreto, porto de abrigo.

Em teu corpo reluzia…
O meu, como estrela candente…
Queimando desejos e fantasias
Que dele brotam iminentes

Em gesto brandos te sonhei…
Em cantigas, que não cantarei
Em cantos, de puro espanto…
Que adornam meu precioso manto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nas asas do vento


Lanço minhas asas ao vento
E, com elas paira
O meu corpo,
Em desalinho,
Neste tremendo
Assalto,
Que me atrai
Voar como pomba,
Fora do meu ninho…
No céu,
Quero desenhar-me
Em bordados,
De oiro e prata
E, ao som do violino,
Compor uma serenata…
Quero…Voar…Voar…
Neste meu corpo,
Por mim aprisionado…
Solta-lo,
Dos ancestrais degredos,
Liberta-lo
Dos sólidos metais,
Que me acorrentaram,
Aos medos…
E, na sombra me sufocavam…
Pasmados…
Quero…Voar…Voar…
Nesta minha alma, livre…
Insolente…
Voar alto, como gente…
Agarrar a íngreme subida…
Ouvir a voz do vento…
Que me sussurra consciente
No ânimo…
Que me amparam…A esta vida.

Liberdade

 
“Liberdade”…
De que és feita?
De pó…
Que o vento levou…
De borrifos,
que a chuva lançou,
De risos… ignorantes…
Ou,
De cravos vermelhos
Já de nós,
Tão distantes…
Quantas ilusões…
Mascaradas…
Nas palavras
Que soam a “vazio”
Nas opiniões…
Atos …
E Vontades…
De um povo
Que vive em fastio…
Em falsas ideologias,
Em palavrões…
Em demagogias...
Que nos traem,
Cada hora, cada dia,
Como se liberdade fosse,
Fantasia…
Nas palavras mágica
Que se escondem,
Nos palcos da pura hipocrisia…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

S. Valentim

Por mais cartas de amor que te escreva meu Amor, serão sempre insuficientes e áridas as palavras que te possa escrever.
O Amor que sinto e vivo por ti…Não cabe em mil cartas de Amor.
O quanto me fazes Sentir, Viver e Recordar, é tanto…Que nenhum poeta ou escritor, por mais iluminado, sofrido ou feliz, o conseguiu traduzir como ele é sentido na realidade. Sabes porquê meu amor?
O amor não é traduzível! O que a alma sente, não dá espaço só à palavra, mas a atos! Atos de bondade, partilha, solidariedade, compaixão, admiração e respeito. E, todos esses adjectivos são Nossos, e cumpridos em Nós …A isto, eu chamo de “Amor”.

Sei que nunca é de mais, ouvires ou leres o quanto te Admiro e Adoro…O quanto para mim és Importante!
Mas, questiono-me: “Será que o dia da mulher, faz da Mulher mais Mulher?”
Será que o dia do Pai faz dele, mais Pai?
E o dia da Mãe faz dela, mais Mãe?
Será que o dia dos namorados é o dia para Amar?

O sentimento e a partilha que nós vivemos, esses sim, fazem de nós eternos namorados, eternos pais, eternas mães, eternos amantes.
É linda a palavra, “Amor…Amo-te,” e todas aquelas palavras que andam de mãos dadas com a Paixão, eu sei! Mas, elas podem conter tudo…Ou nada!

Para mim, meu amor, sem a pomposidade, com que este dia se habituou a espreguiçar-se, e a alongar-se nas palavras, para que se sinta colocado no dia e hora, com a empolgante distinção, de uma folha de calendário, que alguém que se lembrou de assinalar como importante, para que se vendam flores, postais, prendas e tudo o que possa fazer parte, de um consumismo desfasado de sentimentos.

Não!
Não para nós, meu Amor…A palavra “Amo-te!”, está gasta, é pobre e pouca, está falsificada e banalizada, nas bocas de quem não as tem sabido alimentar e respeitar com o respeito que ela merece. O nosso Amor, não faz parte desse clube, de apenas um dia de palavras doces, flores, postais, prendas ou cartas de amor. O nosso amor está imbuído nos tempos, nos ventos, na chuva, no sol, no céu e na terra.
S. Valentim, habita nesta casa, quando colhes uma flor do jardim e a colocas na minha almofada, quando me acordas no calor dos teus braços, quando sorris p´ra mim, quando a dor é nossa, ou mesmo quando as palavras dão lugar ao silêncio, e, nós sabemos como ele é necessário, porque é no silêncio que as nossas almas falam mais alto.

S. Valentim, é membro da nossa família, come connosco à mesa, dorme no nosso quarto, chora nos nossos olhos, sorri nas nossas bocas, grita nos nossos gritos, congratula-se com as nossas vitórias e entristece-se com as nossas derrotas! Ele está assente na palavra e no ato “Viver!”

S.Valentim, está impresso no nosso calendário, de Janeiro a Dezembro, em nossos corações. O nosso Amor é um Amor Maior, que não se contenta com as breves 24 horas do dia 14 de Fevereiro…
Por isso, meu Querido, não vou escrever-te uma carta de amor p´ra dizer que te “Amo” escrevo-te somente: “Obrigada meu Amor por existires na minha vida, sem ti… Ela, não teria o encanto que ambos sabemos imprimir-lhe!”
Só assim sei dizer: “Amo-te!”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Abri o dia


Abri o dia como se fosse um presente, retirei-lhe o laço que o cingia ao pensamento.Com as mãos gélidas fui retirando, uma a uma, as recordações que aquele presente continha. Abri-o cuidadosamente e deixei entrar as nuances que o coração não quer apagar. Abandono-me em mim, e deixo-me conduzir pelo sofrimento que inevitavelmente queria sentir, pedi em oração que fosse breve, pois não sei mais até quando o suportar.
Caminhei num vórtice, repleto de sons que me gritam piedosamente, para esconder as memórias mensageiras da tua ausência.
Mas, elas teimam em concordância fazerem-se presentes, e, eu, dou-lhe abrigo sempre.
Aquele presente, mais uma vez era igual a todos os que recebo. Contém a saudade embrulhada em cetim, com uma laço ténue, que me embriaga os sentidos e me faz recuar no tempo em que inalei o aroma do mais puro odor.
Abraçada, aos meus braços, abracei-te, alcançando por instantes o bater do teu coração contra o meu peito. Olhei o relógio, eram 9,15 horas da manhã, os ponteiros pareciam dois braços abertos, como se também eles, estivessem a abraçar-te.
As lágrimas que teimam em ser armazenadas, soltaram-se desaguando pelo meu rosto, como rio que corre em paralelo com a amargura. Bebi aquelas lágrimas, porque as senti tuas…Queria provar-te mais uma vez, o sabor que senti, era doce, tão doce, como os abraços que nos levavam de imediato, às nossas bocas entreabertas, onde o salivar e o desejo dançavam a par.
 O brilho daquele momento enevoou-me, compôs uma visão desfocada, mas tão real de ti! Sorrias-me como um fantasma, os teus olhos brilhavam mais do que o sol que entrava pela minha janela, o calor que senti era tão físico, que receei estar louca, gritei silenciosamente, p´ra dentro daquele presente…Dentro dele fez-se eco…E ouvi a minha alma murmurando. “Não, não quero mais visões enevoadas, não quero abrir mais presentes distantes…Ausentes, quero clarear os meus olhos, cansar os meus braços no abraço que religiosamente guardo, nos meus braços”.
Guardei o dia, no fundo de um baú de pedra, ladeado de jasmim, com uma lápide onde se pode ler; “Aqui jaz, mais um dia p´ra esquecer”
Voltei-lhe as costas, como quem quer fazer o luto longe daquele lugar, julgando tê-lo tumulado devidamente. Mas em vão! Sinto-o ainda a acompanhar os meus passos como se imortal fosse este sentir.
Por fim, cedo à tentação de o perpetuar, tentando perpetuar-me, sei que não morrerá sem mim!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PROCURO-TE


Sentada no meio da saudade, olho à minha volta, não me encontro.
Entre tantas recordações, não sei mais que chão me agasalha…Procuro-me…Procuro-te já sem fôlego…Apetece-me rasgar a folha que se colou a mim, como que pedindo, ser desenrugada e lida…Num repente apanho-a no meio daquele entulho…Agarro-a com sofreguidão…ela, contêm uma Oração…Um poema …Um grito… Uma lágrima cristalizada, que no passado, se escapou dos meus olhos, e se fechou dentro dela mesma envergonhada.
É pouco quero mais…Continuo na minha busca…Distraindo-me por segundos, ou talvez horas… Não sei…De novo mergulho, numa recordação que me escapou ao sofrimento do passado…Mais uma vez ajuntada a tantas… As lágrimas de novo afloram…Agora, já sem o fantasma que temia…A dor da saudade, ela, já me habituou à sua presença…Em todos os lugares por onde caminho.
Procuro-te…Procuro-me…E, tudo o que diviso, são, amontoados de sonhos esbatidos e esgotados. Onde a cor e o brilho d´outrora, deram lugar, ao, cinza desmaiado, ao carmim rosado, ao azul de mar, num tom apenas a inventar, o branco puro, deu lugar ao amarelo seco, como folhas caídas num Outono já prestes a caminhar, dando lugar ao Inverno que espreita dentro mim, neste amontoado de razões por abrir, de sentimentos semeados, que não foram abençoados, por um raio de sol que os fizessem florir.
Oiço qualquer coisa, não sei bem o quê? Procuro no silêncio, encontrar silêncio maior, que me faça descer, do pico onde me encontrava a sonhar. Com um tremendo esforço consigo…E eis, que me debruço sobre mim, com as mãos, tremulas, de emoção…Procuro…Procuro…E, encontro o vazio, do que procuro. O nada!
Sinto-me inútil, nesta busca, onde não soube encadernar as imagens do passado, no meu chão, de emoções… Agora, andam soltas, à deriva no mar do meu chão, projectado em recordações, distantes, ausentes, em paralelo com o meu olhar, já de mim esgotado.
Desisto desta procura!
Como te encontrar no amontoado da minha ilusão!?
Sem forças para esta procura, repouso na exaustão.
Ao sacudir o breve repouso, em que me consagrei. Encontrei-te afinal…Habitas em mim! E, em mim, não há procura …Há sentimentos, devidamente ordenados na alma e na razão!
Encontrei-te por fim, encontrei-te dentro de mim!

Orgulho

O orgulhoso,
Não tem laços de amizade,
Caminha de mãos dadas, na sua condição
Não dá abraços de verdade...
Porque nele não cabe, a sua ostentação,

O orgulho,
Não tens pai… nem idade...
É enteado da santa ignorância…
Por onde se arrasta, exala a fragrância,
Da sua enorme… imbecilidade…

Ainda, que no seu orgulho
Viva, sorrindo em falsa altivez
Vai tombando… inconsciente,
Na sua própria, embriagues…

No orgulho que o adoece,
E lhe corrói, o corpo de rancor,
No ser orgulhoso que É…
Vives decerto, sem amor.

Não trata a palavra, por tu…
Tratando-a, apenas por você…
Oh, orgulhoso como tu és cego…
E, só a ti próprio, te Vês!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fascinas-me

Fascinas-me…
Por dentro…
Por fora,
Por dentro,
Do meu mundo,
Onde mora
A soberba vontade
De ti.
Por fora,
Onde habitas
Nas lentas horas,
Que te desejo…
Acaricio…
E beijo…
Sem me lembrar que existo
Apenas, só em ti
Eu fico…
Imaginando, nos teus olhos,
O meu infinito!

Pensamentos

***

Se todo o conhecimento

Fosse

Dado aos Homens...


Não seriam  necessários

 Anjos

***

Pensamentos


*****

Nada sou…

E tudo me parece

Tão capaz

De o “Ser!”
*****

Pensamentos

***
Não foi o Sol

Que nasceu…

Fomos nós…

Que

Ainda acordámos

 P´ra o ver .
***

Pensamentos

.

***

Se a palavra nos

Ilumina,

que a minha sombra

seja

A luz

que em ti se espelhe

***

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Deixa-me viver.

Deixa-me viver, nos teus sonhos
E tombar no teu cansaço…
Deixa-me cansar nos abraços…
Que não dei, aos teus braços.

Deixa-me sentir a maresia,
Ainda que distante do mar…
Deixa-me fantasiar por um dia
Mesmo sabendo, que estou a sonhar

Deixa-me ser a sombra, dos teus passos
Mesmo que eles, estejam parados
Deixa-me ser caso, no ocaso,
Sem contenda ou embaraço…

Deixa-me sorrir com alegria,
Nos teus lábios de veludo…
Deixa-me morrer no dia,
Em que os sinta, frios e mudos.

Deixa-me escrever à solidão,
Porque dela tenho resposta…
Nas tardes sem pôr-do-sol,
Ela, vem encostar-se à minha porta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Preciso de ti.

Preciso de ti…
…Sim!
 Porquê esconder?
Preciso te cheirar… Te provar… Te beber…
Preciso que me sufoques
…Me partilhes… Me toques…
Preciso do teu acordar…Do meu adormecer
Preciso do frio do teu corpo…Para em mim te aquecer …

Preciso da tua manhã …Do meu anoitecer…
Preciso da tua mão e contigo caminhar…
Preciso do teu silêncio…E nele precisar…De me ouvir, sem falar.

Preciso, ouvir o som dos nossos passos, sem nada questionar…
Preciso …Que me precises…E com um sorriso …Dar-te o que é meu…
Preciso de gritar…e no meu grito dizer:"Preciso de ti!"

domingo, 29 de janeiro de 2012

Amo-te

Porque te amo em silêncio?
Quando os meus sentidos teimam em gritar-te. Amo-te!
Sim. Amo-te!
Que mais poderei dizer a quem amo, do que a verdade que amordaço neste lugar onde me visto de fantasias…por não ser suficiente e audaz para aceitar, o que temo, meu amor? O que me faz calar?
Se amar… é amar!
Amo-te e agora saberás, que me despi de mim …pra te gritar. Apenas “Amo-te!”

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Oblação De Amar





Convertida em Ninfa,
Pelo mar, esvoaçava, em vão
Eis, que vindo do nada
Visiono, o cupido, de seta apontada.

Julguei estar a sonhar,
À tona daquele mar,
Mas, o cupido foi cravando…Cravando…
Até meu o corpo confirmar…

Com a alma já enfeitiçada,
O cupido avançava…avançava,
Doidamente esculpindo em mim, a parte que me faltava.

Etilizou-me em pedaços de amor
Que foram gotejando, ardentes
Numa embriagues, de frases soltas, quentes

E, num sopro de vida ofertado.
Uno os meus lábios, aos lábios desejados
Quedo-me, então, aos pés do cupido, a orar…
Agradecendo, fervorosamente, a oblação de amar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Devolve-me à vida.


Dá-me amor, o teu rir
Porque é dele que respiro
Dá-me amor, o teu sentir
Porque é dele, o meu tamanho

Sem o teu estar, eu não estou
Sem o teu caminhar, eu não vou
Dá-me amor, a formula deste viver
Sem tempo que conte, o tempo de sofrer

Tudo em ti, me é valioso
O teu ombro amigo,
O teu chorar carinhoso
És lapa onde me abrigo,
Nesta paisagem de folhas secas
Sem ti, não há verde...
Não há esperança que me valha
Nesta vida negra, canalha,
Onde nem a água, me mata a sede

Dá-me amor, o teu sangue quente
Que beberei, ao acordar docemente
Em goles, de abraços pelo abraçar
Vem, é imperativamente urgente!
Estes braços, que pendem do meu corpo,
Morrem em cada instante, pelo teu aninhar
Vem!
Dá-me a vida que levaste, abraçada ao teu olhar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Existes!



Apetece-me acreditar....
Que em algum lugar existes,
E atestes o lago vazio...
Que guardo neste lugar,
E me catives, me afagues,
Me contemples e me guardes.
Neste lugar rendido, onde me trazes…
Onde me prendes, sem correntes,
Em amarras ausentes…
Em fragmentos, de ventos quentes,
Em obstinados silêncios, a vozear
Que me prendem neste lugar
De onde, não me quero separar…
Lugar, onde te roço, sem te tocar.
Existes!...
Porque em mim clareias, as margens do lago frio
Onde somente escoavam gotas, gastas de leitura.
Agora, é um rio que verte, vida em goteira,
Derramando sonhos a fio, em plena alvura,
No vigilante cativeiro, onde me prendes inteira.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mulher

Despiste-me
De tudo…
O que me envolvia
Em segredo
Despiste-me
De tudo…
O que me apavorava
De medo.
Depois, nua...
Nem ao espelho me olhava
Não fosse ele
Mostrar-me a imperfeição,
Do secreto medo,
Que me acompanhava,
O espelho reproduziu então,
Uma correcta visão…
Uma mulher, inteira...
De alma e coração.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um Dia

Um dia…
Seremos primavera…
Pombas brancas, riscando o céu,
Em silenciosas…quimeras
Um dia…
Seremos doce aragem, em ventos de verão,
Com breves miragens, aos que ainda cá estão.
Um dia…
Seremos trilhos, de Outono luminoso,
Inverno, em tempo amistoso…
Um dia…
Seremos espuma, que veste a praia,
De veludo adornado a cambraia
Um dia…
Longe de tudo…Até da imerecida tristeza
Seremos fantasia, em Carnaval de Veneza…
Um dia…
Seremos vento, oscilando docemente…
Em marés que moldam o abandono dolente
Um dia …
Seremos margem, singular sem beira…
De ventos em espiral, sem poeira.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Miragem


Na miragem muda
da imaginação
mora um sóbrio castelo
feito de areias
uma armação de árvore
tombada, inerte…
onde perecem como teias…
os sonhos desfocados
de uma vasta visão.
desfaço-a na passagem
  miragem…feita de areia sumida
 armação tombada, abatida
em deserto fugaz
disperso e audaz
na alucinada viagem da vida.