quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tão bela.



Sei que o tempo nunca foi lugar

Onde o habitar é eterno abrigo

E eu que bailava dentro de mim

Como bailam as searas de trigo



Tão distante, Já tão distante...

Me está a voz desta terra

Aquela que outrora

Se me perfumava, sempre, de primavera



Vida…



Como posso eu dizer-te…

Que me sinto a morrer de sede

Senão há água pura para beber

O mundo secou de mágoas

Pelas dores dos mártires, a sofrer



Vida…



És livro já tantas vezes lido

Que abandono na mesa, de cabeceira.

Porque decorei toda a tua história, tão dura, tão matreira

Mas ainda assim, vida, chamo-te bela

Mesmo sendo sofrida desta maneira


MelAlmeida

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Voltarei!



Como foi que me reconheceste na multidão
Se tu ainda és carne, e eu não!
Vi o teu olhar deter-se em mim
Com tanta precisão
Sorriste-me,
Decifrei-te o pensamento
Soletravas o meu nome, num eco lento
Agora,
Sei que me sentes
Até quando de mim
As estrelas estão ausentes
E a escuridão me é pedra morna
Onde me assento sem demora
Na beira do teu leito, pela noite fora
Sabes amor sinto muita nostalgia
De não poder mais cerrar os dentes, de paixão, na tua pele macia
Porem, o Céu prometeu-me
Voltar a ser semente
No útero de uma manhã vazia
E quem sabe…
Eu volte a ser gente…Somente por um dia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mas tu não sabes!



                                          

Amo-te! Porque não dizê-lo?!
A poesia é uma máscara
Onde me oculto
Te ocultas
Me encontro
Te encontro
Amo-te!
Sorri
Quer seja
Pela vaidade
Ou remorso
Sorri
Porque amar-te
Assim
Ainda é viver uma verdade!
Amo-te!
Quem dera que assim não fosse
Desconhecia a escuridão
E, seria livre
Como as penas no peito das aves
Amo-te
Mas tu não sabes!


Porque me sou!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Apaga-me





Apaga-me das noites

Silencia a voz que clama em segredo

Para que os dias nunca saibam de nós



Apaga-me dos ventos

Porque eles sopram um pouco de mim

…Um pouco dos tempos…



Apaga-me de um sorriso prisioneiro

Naquele esboço insensível

…Que faz de nós…

Uma montanha a gerar nevoeiro



Apaga-me no voo das aves de rapina

Porque elas não poisam em arvoredos lentos

Nem em crianças sem tempo… Nem em livros em ruínas…



Apaga-me não me leves para uma inglória guerra

Eu não possuo armas

Que me conduzam a uma falsa vitória na terra



Se depois de me apagares
Eu ainda te surgir na noite

Acorda...!

Não vá o mundo ruir em omissos sentires


Apaga-me sou apenas um embuste. …Nu

Na luz de uma cegueira presa.

MelAlmeida

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poetas



O idealista
Seja Homem
Seja Mulher
Tem contracções
Tem delírios de morte
Consome-se na seiva da sorte
Quando o poema
É um parto delicado
E da sua alma nasce maduro
O poema expatriado
Do seu próprio futuro.

MelAlmeida



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

No meu poema



No meu poema
existe
um homem que chora
em palavras rubras como amoras
numa cidade que adormece fria
e precipitadamente sucumbe vazia
No meu poema
existe
uma voz que canta
nos lábios puros de uma criança
No meu poema
existe
ilusão em verdes prados
de esperança e razão
sem pedaços rasgados
No meu poema
existe
uma palavra de sorte
em mãos cheias de vida
aonde não espreita a morte

MelAlmeida