quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Saudade

 

Sentimento sem cor
Trajas de branco…
Preto, incolor…
Em silêncio te fardas
E, no campo de batalha,
Me aguardas.

És quem me veste,
Me solta, me prende, e me despe…
És vento aspergido,
Folha de pergaminho
Envelhecido…

És vida, onde me morro…
Luz alucinada que me cega
Lua embuçada e vazia
Névoa lavrada, orgia…
És meu sentir, e, nada somos!

…Saudade…
Condoída realidade,
Em acervos me cais,
Desmoronas-me aos ais…
Na alma desnuda…
Na carne seca, surda-muda…
Cravas punhais.

Oh fantástica saudade,
Que inflamas…
Fogos extintos, cinzas…E lamas
.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Espero-te



Espero-te…
Nas horas
Embriagadas
De desejo…
Em angustiantes
    …Ais…
Impossíveis,
De se ouvirem
Nas palavras
Que te escrevo.
Solto o meu corpo
 … Ao vento…
P´ra com o teu,
…Se encontrar…
…Quem sabe…
Se ainda ardem,
Os nossos sonhos…
No mesmo (Ar.)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Em teu corpo

Em teu corpo abarquei…
O meu corpo sem vela…
Em teu corpo me espraiei…
Como pintura sem tela…

Em teu corpo me perco…
Em teu corpo me prendo
Em teu corpo eu desato…
O meu adoçado lamento…

Nesse encanto me perdi
Rumo, ao infinito desconhecido
E, do teu corpo eu fiz,
O meu secreto, porto de abrigo.

Em teu corpo reluzia…
O meu, como estrela candente…
Queimando desejos e fantasias
Que dele brotam iminentes

Em gesto brandos te sonhei…
Em cantigas, que não cantarei
Em cantos, de puro espanto…
Que adornam meu precioso manto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nas asas do vento


Lanço minhas asas ao vento
E, com elas paira
O meu corpo,
Em desalinho,
Neste tremendo
Assalto,
Que me atrai
Voar como pomba,
Fora do meu ninho…
No céu,
Quero desenhar-me
Em bordados,
De oiro e prata
E, ao som do violino,
Compor uma serenata…
Quero…Voar…Voar…
Neste meu corpo,
Por mim aprisionado…
Solta-lo,
Dos ancestrais degredos,
Liberta-lo
Dos sólidos metais,
Que me acorrentaram,
Aos medos…
E, na sombra me sufocavam…
Pasmados…
Quero…Voar…Voar…
Nesta minha alma, livre…
Insolente…
Voar alto, como gente…
Agarrar a íngreme subida…
Ouvir a voz do vento…
Que me sussurra consciente
No ânimo…
Que me amparam…A esta vida.

Liberdade

 
“Liberdade”…
De que és feita?
De pó…
Que o vento levou…
De borrifos,
que a chuva lançou,
De risos… ignorantes…
Ou,
De cravos vermelhos
Já de nós,
Tão distantes…
Quantas ilusões…
Mascaradas…
Nas palavras
Que soam a “vazio”
Nas opiniões…
Atos …
E Vontades…
De um povo
Que vive em fastio…
Em falsas ideologias,
Em palavrões…
Em demagogias...
Que nos traem,
Cada hora, cada dia,
Como se liberdade fosse,
Fantasia…
Nas palavras mágica
Que se escondem,
Nos palcos da pura hipocrisia…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

S. Valentim

Por mais cartas de amor que te escreva meu Amor, serão sempre insuficientes e áridas as palavras que te possa escrever.
O Amor que sinto e vivo por ti…Não cabe em mil cartas de Amor.
O quanto me fazes Sentir, Viver e Recordar, é tanto…Que nenhum poeta ou escritor, por mais iluminado, sofrido ou feliz, o conseguiu traduzir como ele é sentido na realidade. Sabes porquê meu amor?
O amor não é traduzível! O que a alma sente, não dá espaço só à palavra, mas a atos! Atos de bondade, partilha, solidariedade, compaixão, admiração e respeito. E, todos esses adjectivos são Nossos, e cumpridos em Nós …A isto, eu chamo de “Amor”.

Sei que nunca é de mais, ouvires ou leres o quanto te Admiro e Adoro…O quanto para mim és Importante!
Mas, questiono-me: “Será que o dia da mulher, faz da Mulher mais Mulher?”
Será que o dia do Pai faz dele, mais Pai?
E o dia da Mãe faz dela, mais Mãe?
Será que o dia dos namorados é o dia para Amar?

O sentimento e a partilha que nós vivemos, esses sim, fazem de nós eternos namorados, eternos pais, eternas mães, eternos amantes.
É linda a palavra, “Amor…Amo-te,” e todas aquelas palavras que andam de mãos dadas com a Paixão, eu sei! Mas, elas podem conter tudo…Ou nada!

Para mim, meu amor, sem a pomposidade, com que este dia se habituou a espreguiçar-se, e a alongar-se nas palavras, para que se sinta colocado no dia e hora, com a empolgante distinção, de uma folha de calendário, que alguém que se lembrou de assinalar como importante, para que se vendam flores, postais, prendas e tudo o que possa fazer parte, de um consumismo desfasado de sentimentos.

Não!
Não para nós, meu Amor…A palavra “Amo-te!”, está gasta, é pobre e pouca, está falsificada e banalizada, nas bocas de quem não as tem sabido alimentar e respeitar com o respeito que ela merece. O nosso Amor, não faz parte desse clube, de apenas um dia de palavras doces, flores, postais, prendas ou cartas de amor. O nosso amor está imbuído nos tempos, nos ventos, na chuva, no sol, no céu e na terra.
S. Valentim, habita nesta casa, quando colhes uma flor do jardim e a colocas na minha almofada, quando me acordas no calor dos teus braços, quando sorris p´ra mim, quando a dor é nossa, ou mesmo quando as palavras dão lugar ao silêncio, e, nós sabemos como ele é necessário, porque é no silêncio que as nossas almas falam mais alto.

S. Valentim, é membro da nossa família, come connosco à mesa, dorme no nosso quarto, chora nos nossos olhos, sorri nas nossas bocas, grita nos nossos gritos, congratula-se com as nossas vitórias e entristece-se com as nossas derrotas! Ele está assente na palavra e no ato “Viver!”

S.Valentim, está impresso no nosso calendário, de Janeiro a Dezembro, em nossos corações. O nosso Amor é um Amor Maior, que não se contenta com as breves 24 horas do dia 14 de Fevereiro…
Por isso, meu Querido, não vou escrever-te uma carta de amor p´ra dizer que te “Amo” escrevo-te somente: “Obrigada meu Amor por existires na minha vida, sem ti… Ela, não teria o encanto que ambos sabemos imprimir-lhe!”
Só assim sei dizer: “Amo-te!”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Abri o dia


Abri o dia como se fosse um presente, retirei-lhe o laço que o cingia ao pensamento.Com as mãos gélidas fui retirando, uma a uma, as recordações que aquele presente continha. Abri-o cuidadosamente e deixei entrar as nuances que o coração não quer apagar. Abandono-me em mim, e deixo-me conduzir pelo sofrimento que inevitavelmente queria sentir, pedi em oração que fosse breve, pois não sei mais até quando o suportar.
Caminhei num vórtice, repleto de sons que me gritam piedosamente, para esconder as memórias mensageiras da tua ausência.
Mas, elas teimam em concordância fazerem-se presentes, e, eu, dou-lhe abrigo sempre.
Aquele presente, mais uma vez era igual a todos os que recebo. Contém a saudade embrulhada em cetim, com uma laço ténue, que me embriaga os sentidos e me faz recuar no tempo em que inalei o aroma do mais puro odor.
Abraçada, aos meus braços, abracei-te, alcançando por instantes o bater do teu coração contra o meu peito. Olhei o relógio, eram 9,15 horas da manhã, os ponteiros pareciam dois braços abertos, como se também eles, estivessem a abraçar-te.
As lágrimas que teimam em ser armazenadas, soltaram-se desaguando pelo meu rosto, como rio que corre em paralelo com a amargura. Bebi aquelas lágrimas, porque as senti tuas…Queria provar-te mais uma vez, o sabor que senti, era doce, tão doce, como os abraços que nos levavam de imediato, às nossas bocas entreabertas, onde o salivar e o desejo dançavam a par.
 O brilho daquele momento enevoou-me, compôs uma visão desfocada, mas tão real de ti! Sorrias-me como um fantasma, os teus olhos brilhavam mais do que o sol que entrava pela minha janela, o calor que senti era tão físico, que receei estar louca, gritei silenciosamente, p´ra dentro daquele presente…Dentro dele fez-se eco…E ouvi a minha alma murmurando. “Não, não quero mais visões enevoadas, não quero abrir mais presentes distantes…Ausentes, quero clarear os meus olhos, cansar os meus braços no abraço que religiosamente guardo, nos meus braços”.
Guardei o dia, no fundo de um baú de pedra, ladeado de jasmim, com uma lápide onde se pode ler; “Aqui jaz, mais um dia p´ra esquecer”
Voltei-lhe as costas, como quem quer fazer o luto longe daquele lugar, julgando tê-lo tumulado devidamente. Mas em vão! Sinto-o ainda a acompanhar os meus passos como se imortal fosse este sentir.
Por fim, cedo à tentação de o perpetuar, tentando perpetuar-me, sei que não morrerá sem mim!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PROCURO-TE


Sentada no meio da saudade, olho à minha volta, não me encontro.
Entre tantas recordações, não sei mais que chão me agasalha…Procuro-me…Procuro-te já sem fôlego…Apetece-me rasgar a folha que se colou a mim, como que pedindo, ser desenrugada e lida…Num repente apanho-a no meio daquele entulho…Agarro-a com sofreguidão…ela, contêm uma Oração…Um poema …Um grito… Uma lágrima cristalizada, que no passado, se escapou dos meus olhos, e se fechou dentro dela mesma envergonhada.
É pouco quero mais…Continuo na minha busca…Distraindo-me por segundos, ou talvez horas… Não sei…De novo mergulho, numa recordação que me escapou ao sofrimento do passado…Mais uma vez ajuntada a tantas… As lágrimas de novo afloram…Agora, já sem o fantasma que temia…A dor da saudade, ela, já me habituou à sua presença…Em todos os lugares por onde caminho.
Procuro-te…Procuro-me…E, tudo o que diviso, são, amontoados de sonhos esbatidos e esgotados. Onde a cor e o brilho d´outrora, deram lugar, ao, cinza desmaiado, ao carmim rosado, ao azul de mar, num tom apenas a inventar, o branco puro, deu lugar ao amarelo seco, como folhas caídas num Outono já prestes a caminhar, dando lugar ao Inverno que espreita dentro mim, neste amontoado de razões por abrir, de sentimentos semeados, que não foram abençoados, por um raio de sol que os fizessem florir.
Oiço qualquer coisa, não sei bem o quê? Procuro no silêncio, encontrar silêncio maior, que me faça descer, do pico onde me encontrava a sonhar. Com um tremendo esforço consigo…E eis, que me debruço sobre mim, com as mãos, tremulas, de emoção…Procuro…Procuro…E, encontro o vazio, do que procuro. O nada!
Sinto-me inútil, nesta busca, onde não soube encadernar as imagens do passado, no meu chão, de emoções… Agora, andam soltas, à deriva no mar do meu chão, projectado em recordações, distantes, ausentes, em paralelo com o meu olhar, já de mim esgotado.
Desisto desta procura!
Como te encontrar no amontoado da minha ilusão!?
Sem forças para esta procura, repouso na exaustão.
Ao sacudir o breve repouso, em que me consagrei. Encontrei-te afinal…Habitas em mim! E, em mim, não há procura …Há sentimentos, devidamente ordenados na alma e na razão!
Encontrei-te por fim, encontrei-te dentro de mim!

Orgulho

O orgulhoso,
Não tem laços de amizade,
Caminha de mãos dadas, na sua condição
Não dá abraços de verdade...
Porque nele não cabe, a sua ostentação,

O orgulho,
Não tens pai… nem idade...
É enteado da santa ignorância…
Por onde se arrasta, exala a fragrância,
Da sua enorme… imbecilidade…

Ainda, que no seu orgulho
Viva, sorrindo em falsa altivez
Vai tombando… inconsciente,
Na sua própria, embriagues…

No orgulho que o adoece,
E lhe corrói, o corpo de rancor,
No ser orgulhoso que É…
Vives decerto, sem amor.

Não trata a palavra, por tu…
Tratando-a, apenas por você…
Oh, orgulhoso como tu és cego…
E, só a ti próprio, te Vês!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fascinas-me

Fascinas-me…
Por dentro…
Por fora,
Por dentro,
Do meu mundo,
Onde mora
A soberba vontade
De ti.
Por fora,
Onde habitas
Nas lentas horas,
Que te desejo…
Acaricio…
E beijo…
Sem me lembrar que existo
Apenas, só em ti
Eu fico…
Imaginando, nos teus olhos,
O meu infinito!

Pensamentos

***

Se todo o conhecimento

Fosse

Dado aos Homens...


Não seriam  necessários

 Anjos

***

Pensamentos


*****

Nada sou…

E tudo me parece

Tão capaz

De o “Ser!”
*****

Pensamentos

***
Não foi o Sol

Que nasceu…

Fomos nós…

Que

Ainda acordámos

 P´ra o ver .
***

Pensamentos

.

***

Se a palavra nos

Ilumina,

que a minha sombra

seja

A luz

que em ti se espelhe

***

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Deixa-me viver.

Deixa-me viver, nos teus sonhos
E tombar no teu cansaço…
Deixa-me cansar nos abraços…
Que não dei, aos teus braços.

Deixa-me sentir a maresia,
Ainda que distante do mar…
Deixa-me fantasiar por um dia
Mesmo sabendo, que estou a sonhar

Deixa-me ser a sombra, dos teus passos
Mesmo que eles, estejam parados
Deixa-me ser caso, no ocaso,
Sem contenda ou embaraço…

Deixa-me sorrir com alegria,
Nos teus lábios de veludo…
Deixa-me morrer no dia,
Em que os sinta, frios e mudos.

Deixa-me escrever à solidão,
Porque dela tenho resposta…
Nas tardes sem pôr-do-sol,
Ela, vem encostar-se à minha porta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Preciso de ti.

Preciso de ti…
…Sim!
 Porquê esconder?
Preciso te cheirar… Te provar… Te beber…
Preciso que me sufoques
…Me partilhes… Me toques…
Preciso do teu acordar…Do meu adormecer
Preciso do frio do teu corpo…Para em mim te aquecer …

Preciso da tua manhã …Do meu anoitecer…
Preciso da tua mão e contigo caminhar…
Preciso do teu silêncio…E nele precisar…De me ouvir, sem falar.

Preciso, ouvir o som dos nossos passos, sem nada questionar…
Preciso …Que me precises…E com um sorriso …Dar-te o que é meu…
Preciso de gritar…e no meu grito dizer:"Preciso de ti!"