segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Outro chão...Outro lugar

Não pises este chão
Meu amor…
Porque ele já foi o teu corpo
Não lamentes o tempo em que a raiz
Era dona da mais exausta razão
Não pises este chão
Meu amor…
Debaixo dos teus pés
Ainda existe barro que dá flor
Sinto o grito em silêncio
Na matriz de outro viver
Num vasto oceano intenso
Onde os teus lábios vão morrer
Guarda nas tuas mãos abertas
A paixão por experimentar
Dá-lhe liberdade certa
Meu amor…
Deixa-a ser chão de outro lugar


terça-feira, 2 de setembro de 2014

És-me poesia










 Preciso de ti...No meu poema
E nele abandonar a sombra do tempo
Escrever de vez
O verbo por inteiro
Em silêncio
E
Na pele rasgada de saudade e desejo
Fazer nascer o poema
No vazio do teu beijo
Preciso de ti...No meu poema

Mel Almeida


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ler-te,
É sentir-te pele em mim
Na nudez que me conforte
É beijar o teu corpo nu
Num abandono de morte
Ler-te,
É ter no olhar
Um mundo azul onde mora a vida
E deixar a alma deambular
Nas asas de uma borboleta florida
Ler-te,
É ouvir a tua voz sussurrar-me docemente, e ficar louca…
Nas palavras que me abraçam,
E me beijam a boca.
Ler-te,
É dormir em ti…
Acordar,
E sentir que não te li…
Foste Tu…Meu amor
Quem veio ler…Só p´ra Mim!

Um Mundo



 O teu mundo é um poema
 Silencioso
 Perfilhado com um raro e puro amor
 
Porque nos teus olhos há raízes
Que germinam no útero
Que o mundo em ti gerou.

Ele, cedeu-te diploma de alforria
Para que possas concluir
Com o mesmo zelo e alegria
Os feitos que ele principiou.

As estrelas no firmamento afoitam-se a sorrir
Detendo a respiração
Quando em ti se rasgam trevas
E fazes delas
Claridade em exaltação
Lindo é o verbo criar
Difícil é ama-lo
Com o brilho de pérolas no olhar.

Há sempre luz



Apagaram-se as luzes

E o brilho dos teus olhos tombou na escuridão

Mas ainda assim

Sinto-o na minha boca

Ao tactear-te

Em pungente emoção



Oiço neles toda uma sinfonia viva

Tocando-os levemente

E absorvo quase inconsciente

Juras adormecidas



Apagaram-se as luzes

Mas as flores ardem e clareiam os jardins negados

Nas palavras perdidas, ausentes

Em flores ressequidas no caminho

Onde o útero infértil ainda vence

Num longo e fecundo carinho.



E o caule ergue-se de novo

No fogo da paixão

Ainda que se disfarce de adormecido

Renasce pelo beijo dado

No tombo da escuridão.


EU

Existir…
Ou resistir?
 
Apenas depois disso.
Na sensualidade à flor da pele
 
Num zelo encerrado em desatenção
Onde desenho sonhos no vazio da razão
 
E faço rascunhos de beijos
Nos lábios do alvorecer
 
Abraço-me para não perder o mundo
Onde não me recordo viver 
 
Existo…!?
Ou resisto, em ser
Apenas depois disso.

MelAlmeida

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tão bela.



Sei que o tempo nunca foi lugar

Onde o habitar é eterno abrigo

E eu que bailava dentro de mim

Como bailam as searas de trigo



Tão distante, Já tão distante...

Me está a voz desta terra

Aquela que outrora

Se me perfumava, sempre, de primavera



Vida…



Como posso eu dizer-te…

Que me sinto a morrer de sede

Senão há água pura para beber

O mundo secou de mágoas

Pelas dores dos mártires, a sofrer



Vida…



És livro já tantas vezes lido

Que abandono na mesa, de cabeceira.

Porque decorei toda a tua história, tão dura, tão matreira

Mas ainda assim, vida, chamo-te bela

Mesmo sendo sofrida desta maneira


MelAlmeida

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Voltarei!



Como foi que me reconheceste na multidão
Se tu ainda és carne, e eu não!
Vi o teu olhar deter-se em mim
Com tanta precisão
Sorriste-me,
Decifrei-te o pensamento
Soletravas o meu nome, num eco lento
Agora,
Sei que me sentes
Até quando de mim
As estrelas estão ausentes
E a escuridão me é pedra morna
Onde me assento sem demora
Na beira do teu leito, pela noite fora
Sabes amor sinto muita nostalgia
De não poder mais cerrar os dentes, de paixão, na tua pele macia
Porem, o Céu prometeu-me
Voltar a ser semente
No útero de uma manhã vazia
E quem sabe…
Eu volte a ser gente…Somente por um dia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mas tu não sabes!



                                          

Amo-te! Porque não dizê-lo?!
A poesia é uma máscara
Onde me oculto
Te ocultas
Me encontro
Te encontro
Amo-te!
Sorri
Quer seja
Pela vaidade
Ou remorso
Sorri
Porque amar-te
Assim
Ainda é viver uma verdade!
Amo-te!
Quem dera que assim não fosse
Desconhecia a escuridão
E, seria livre
Como as penas no peito das aves
Amo-te
Mas tu não sabes!


Porque me sou!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Apaga-me





Apaga-me das noites

Silencia a voz que clama em segredo

Para que os dias nunca saibam de nós



Apaga-me dos ventos

Porque eles sopram um pouco de mim

…Um pouco dos tempos…



Apaga-me de um sorriso prisioneiro

Naquele esboço insensível

…Que faz de nós…

Uma montanha a gerar nevoeiro



Apaga-me no voo das aves de rapina

Porque elas não poisam em arvoredos lentos

Nem em crianças sem tempo… Nem em livros em ruínas…



Apaga-me não me leves para uma inglória guerra

Eu não possuo armas

Que me conduzam a uma falsa vitória na terra



Se depois de me apagares
Eu ainda te surgir na noite

Acorda...!

Não vá o mundo ruir em omissos sentires


Apaga-me sou apenas um embuste. …Nu

Na luz de uma cegueira presa.

MelAlmeida

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poetas



O idealista
Seja Homem
Seja Mulher
Tem contracções
Tem delírios de morte
Consome-se na seiva da sorte
Quando o poema
É um parto delicado
E da sua alma nasce maduro
O poema expatriado
Do seu próprio futuro.

MelAlmeida



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

No meu poema



No meu poema
existe
um homem que chora
em palavras rubras como amoras
numa cidade que adormece fria
e precipitadamente sucumbe vazia
No meu poema
existe
uma voz que canta
nos lábios puros de uma criança
No meu poema
existe
ilusão em verdes prados
de esperança e razão
sem pedaços rasgados
No meu poema
existe
uma palavra de sorte
em mãos cheias de vida
aonde não espreita a morte

MelAlmeida