domingo, 26 de abril de 2015

O meu Mundo


Sobre mim
adormeceu
o vento
no embalo
de uma canção
suave
ele trouxe-me
os odores
da paisagem
E das águas
E dos montes
E das borboletas
E das fontes
E já nada morre
no meu colo,
porque o mundo
é meu!
E eu,
sou o mundo!
No vento
No verbo
Na ave
No sonho
Na pele
Na saudade
E tudo em mim canta e nasce
numa palavra nua sem corpo.
E tudo... Tudo em mim
tem principio sem fim...
Apenas com um sopro de vento que me adormece no colo!

Um prazer total


Desafia-me o cansaço
no som lento dos seus passos
mas a alma repousada e plena
faz-se ousada ao verso
que me ultrapassa como a Deusa de Atena
E vive para além de mim...
Antes de mim...
E em mim.
E num passo apressado
entre folhas de marfim rosado
os meus dedos obedecem cegos
e o coração no peito aritmado,
cede exaltado ao verso que me chama.
Cede-me o cansaço
e a existência é inteira aceitação
deixo-me morrer pra vida, sem saber que se chora
e é no poema que renasço em cada hora
Não tenho outra solução
e ainda que a tivesse, não a aceitava
ele é meu dono,
eu, sua escrava.
ele me sustenta... Me arrasta... Me usa.. . Me abusa...
Mas não me gasta!
Cede-me o cansaço...
E
Sopro a vela no castiçal do tempo
E já sem me ver, pé ante pé...
Saio devagarinho na escuridão parcial.
E fica-me o verso no leito da alma
a plasmar num prazer total

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Este é meu fado


Não quero fados
nem fardos no meu destino
porque o fado é triste
e o destino é um menino.

Quero rir de alegria
até a barriga doer
quero alguém que me diga: a vida é pra viver!
Mas eu sinto-a triste
e triste me minto
por não poder dar-lhe um pouco
do tanto... Que a sinto.
é fado?
é fardo?
é destino?
é viola indigente?
Mas eu não quero fados
nem fardos que eu sustente.
E no meu barco a oscilar
Vou treinando o meu" fado"
Sem viola pra me acompanhar
Mas, com o coração apaixonado
E
ao soltar esta felicidade sem ameias
vou canta-la doravante p´ras sereias
e vestir esta saudade gigante
com um sorriso rasgado e constante.
É fado?
É indiferente!
É fardo?
Pois que seja perpendicular ao destino traçado
no destino da gente.
É fado...é fardo...é força...é sede...!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sonhos





 Sonhos
Choro contigo
o suave perfume das rosas
e levo para longe
os espinhos que não vês
e vou gastando no tempo
todo o tempo de uma vez..


E assim voam livres,
todos os livros que folheei
Todas os poemas que bebi
todas as sombras que ocultei


Porque a alma do poeta é vadia
e nela vagueia sem destino
todos os sonhos
no desconforto do seu próprio desatino
como o choro inocente de um menino.


Choro contigo todas as marés
em choros escondido
através dos olhares das gentes
que não sabem chorar o mar
quando o têm consigo e não o sabem amar.


E no tempo incerto na medida não exacta
gasto o silêncio com que ofendo
Todas as horas amorfas e rasas.


E lá longe, lá muito longe
onde os sonhos se dissipam como alvos
oiço do amor outra voz
Numa voz feiticeira em sobressalto
Que tenta apagar do céu a memoria de nós.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Falam os poeta.

Falam os poetas
de beijos,
de abraços,
de preces e des(ilusões)
pedidas ao espaço
Falam os poetas
de tudo o que é seu
de tudo o que possuiu
de tudo o que perdeu.
Ao poeta tanta vida lhe é dada
que por vezes ele esquece,
que tem vidas de sobra, em si guardadas
A que inventa
a que vive
a que perde
a que encontra
a que desenhada
a que apaga.
a que chora
a que sorri
Quem consegue viver tantas vidas assim?
e julgar não viver nada.
Ao poeta tudo cabe...
Mas tudo lhe é pouco
Falam os poetas... E digo eu, que de poetas nada sabe!
Poetas...Ai... Poetas... Que sois tão loucos.
Como seria a vida sem esta loucura?
Enfadonha, cinzenta, triste, de uma tristeza medonha
sem remédio, e sem cura?!
Falam os poetas...
Eu apenas os vou lendo e tecendo a minha opinião
que de nada serve, ele têm tudo... Tudo nas mãos.
Mas a mim, não!
Falam os poetas.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Quem és tu?

Quem és tu?...
Que me respira e inspira…Que me transpira e refresca…Que me esclarece e confunde?
Quem és tu?...
Que me prende e liberta… Que me escreve e me apaga… Que me encontra e me perde?
Quem és tu?...
Que me acalma e me descontrola…Que me lamenta e me consola… Que me beija com lábios de mar?
Quem és tu?...
Que te sinto tão grande, senão o maior
O maior sonho, que no meu corpo nasce e morre.
Quem és tu?
Como posso identificar-te?
Se o tempo é escasso para pensar
Quando nas nossas mãos a lua vem crescer
E a vida em nós se curva a rezar
Em todas as latitudes do prazer.
Quem és tu?...
E eu, quem sou eu?
Se me encontro tão perto e tão longe de mim
quando ao teu lado, a noite me faz deslembrar
que o amanhã também é p´ra viver…E sonhar!

Os anjos do mar


Imagem de Mel Almeida
Poema de Mel Almeida

Não sei que fazer



Ainda tenho os lábios molhados
dos teus beijos de Abril
E o coração aberto do um jeito
que só para ti fiz nascer
E, não sei que fazer...
Com esta recaída primaveril

Abri agora o regaço
e, estás aqui a consumir-me de novo
nas mãos
na boca perdida
nos seios maduros
no ventre liso e puro
na avenida
que nem me olha nos olhos
para não dizer, que ainda,
não avista os teus...
Até a praça está de sentinela...
E a coitada já dá sinais de cansaço
O que agora faço?...
se nada me apetece fazer
senão olhar a hora...
para te ver aparecer.
Vem... Depressa
Vem... amor
e traz de volta o laço que me prendeu
Vem...
com aquele sorriso de gaiato maroto, que parece nada querer...
Mas tudo é seu...!
Tenho os lábios gretados
de tanto suspirar, neste ar saturado de saudade
Até quando eu sou capaz de esperar
Os beijos da tua boca
até quando a vila, vire cidade?!
e a minha aldeia,seja gaiola vazia
sem passado pra contar, esta história de amor?

Como um poema


A vida foge-me descaradamente
por entre os dedos
como um poema de areia feito ao vento
Que subtilmente se vai desfazendo

*
é neste descontentamento
que me pulam dentro do peito
insatisfeitas,
todas as feridas que me saram, lentas
**
E, é por mim adentro, que entro,
sempre que os meus demónios mudos
ousam segredar-me ao ouvido
Pedindo-me impiedosamente...
Para serem atendidos.
***
E os anjos, passam-me graciosos pelo lado
sorrindo airosos,
pelas batalhas que vou vencendo
****
Mas se o poema não existisse, no verso do poeta,
e ele não o possuísse...Em linha recta
De nada adiantava viver
porque morreríamos todos em silêncio
com o verso atravessado na garganta.
muito antes do poema nascer
*****
O Poema é a razão de toda a paixão
ele nasce e morre quando a palavra tem tesão.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Palavras


Só uma palavra
a que se bebe
num corpo frágil
um dedo apontado ao secreto
segredo
Só uma palavra
um beijo
lábios leves
ombros breves
no desejo que se esconde
guardado no peito
Só uma palavra
um sonho
que nasce
outro que morre
na hora
quieta em que desperta
Só uma palavra
na luz submersa do medo
no ruído da escuridão
Só uma palavra
nas mãos
Um sim... Um não...
e a poesia adormece
na geometria que enlouquece
Só uma palavra
para destruir
sonhos de fogo
Só uma palavra
para edificar
auroras na pele
Só uma palavra.
simplesmente rendida
Apenas uma palavra
para anular a imagem e eternizar a vida.

Mel Almeida

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Será ?!

Não digo o que sou
 nem sou o que digo.
por vezes, até eu me surpreendo comigo.
quando penso não querer mais
agarro o não, e abraço-o
quando penso que quero,
deito tudo por água abaixo
não sou igual a ninguém
hoje reconheço
amo o que já desprezei
e detesto, o que muito amei.
não digo o que sou,
nem a muitos...
nem a poucos...
porque nenhum louco, pode entender outro louco.
O mundo é assim: Hoje por ti, amanhã por mim.
serás que entendes o que escrevo?
talvez não...
Sabes porquê?
Porque eu também não!
Não...Não sou o que digo...
Nem tão-pouco o pouco que pareço.
Será que me conheces?
Será que te conheço?

Poema verbo de ouro

és poema que em mim nasce
no verso que me mata
és prosa que engulo
em lençóis feitos de prata
és
melodia
sinfonia
valsa
tango
és
bolero
és noite
és dia
és fruto maduro
és flor que não colho
és tudo o que quero
és tudo o que escolho!
és meu poema verbo... de ouro!

Meu amor

...Meu amor...
Se estiveres por perto dá-me um sinal
Deixa no ar
o aroma a primavera celestial
Deixa nas sombras da lua
as marcas da tua luz
Deixa no meu chão
pedaços da tua cruz
… Quem me dera…
Que nas pedras da minha rua
Escrevesses só para mim
palavras tuas
...Meu amor...
Se estiveres por perto
serei mais mulher
E nos teus dedos irei desfolhar-me
como um bem-me-quer
...Meu amor…
Deixa que te encontre… Sem te procurar
Deixa que te abrace apenas com o luar
...Meu amor...
Se estiveres por perto
Sei que serás decerto...
O mais certo de todos os amores…!
...O meu amor...!

Um poema fechado nas mãos


Enquanto houver poemas
chorando nas minhas mãos
não me recordes,
porque eu não existo.

enquanto houver poemas
voando no silêncio das minhas asas
E o fogo for fruto sereno no meu peito
não me lamentes
porque o poeta apenas sabe viver desse jeito.
Enquanto houver poemas
sobrando na minha noite
fala baixinho, não o assustes
são eles que vivem todo o tempo
que o poeta julga possuir.
Enquanto houver poemas...por cantar
existem almas que se fundem a voar,
entre a loucura e a lucidez
em sombras tão inocentes... Quanto as palavras que lês.

Fui Primavera


Esperei-te nas horas mais jovens de mim,
a primavera havia florido todo o meu corpo
 os meus olhos tinham o brilho das pérolas,
e o meu ventre ardia de desejos ocultos
Demoraste; as andorinhas choraram a demora.
Agora,
Lá fora a rua está submersa de sonhos inertes
Só oiço o coração das árvores a bater no meu rosto
Num abismo... De esperança perdida na folhagem
esperei-te tanto... Tanto meu amor...
que sou incapaz de alcançar a primavera.
E caiu exausta a minha carne, nesta espera.

Ambição







Meu Deus
dá-me
a liberdade
de possuir
o vazio de todos os versos.

Poema sem voz



Queria ser poeta
para desenhar na tua alma, com bravura
as palavras que fechei na cave de mim
palavras que me gritaram
em versos tangidos à loucura.

Queria ser poeta
onde o poema fosse uma brisa suave e pura
numa demência permitida
de amar com verdadeira ternura
um poema feito de carne viva.
Queria ser poeta
poeta que lançasse silabas a voar
e na tua boca poder calar a voz
da luz que se fez em nós
numa noite consumida de luar.

FIca


Não vás ainda embora
deixa que te olhe
só mais uma vez... Só mais meia hora
fica
eu prometo: calma, abraços de alma, e poesia
e se por acaso me esquecer
procura-me nos braços
onde me adormeço sem querer
  ou onde me morro de viver
fica
só mais um pouco
amar é ser louco
e quem sabe
se a vida permite
o amanhã (des) adormecer
fica
e se a tarde nos beber
na noite que nos floresce de emoção
há uma boa razão
fica
fica em mim com paixão
eu prometo em ti...Nascer
Fica.
deixa-me aprender a ser criança
rir de careta
chorar sem razão
fica...
lê-me a tua história
canta-me uma canção
Há tanta razão pra ficar...
fica...!
A saudade está lutando
tão sozinha a coitada
que me amarrota a alma
qual pobre flor que murchou
fica
a taça inundou!

Não sei se acredito


Quem me dera ser crente
e nos santos acreditar
eu fazia mil novenas
queimava o mar em promessas
e na terra suave, fazia o meu altar.

Já não sei no que acredito
adormecem-me os sentidos exaltados
a poesia é o meu grito
e o vento, o vento traz-me este fado.

Imponderáveis são os desejos
que nos abraçam e beijam
como sons de harpas a tocar.
E no meu peito caem aves, que não podem falar

quem me dera ser crente
ou santo popular... Manipulava os milagres
e em mim os fazia acontecer
Mas, nada posso, e tudo me é pretexto pra escrever.

Estou serena



Estou serena
no meu canto a arder
num desejo infinito de poesia,
que em mim quer acontecer.
Não a posso amordaçar
ela tem a força da vida
nas minhas veias a pulsar.
Estou serena
neste canto com encanto
que me faz esquecer
os retratos perdidos,
as flores secas nas jarras de vidro
as memorias da infância
as músicas, as danças...
Estar serena e ser poesia,
é ser tão pequena
como uma grande casa vazia.
Estou serena....................

No meu canto... A respirar


.