segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pudesse eu


Pudesse…eu
Ser pomba,
 E poisar no teu espaço

Pudesse…eu
Ser sombra,
E acalmar o teu cansaço

Pudesse…eu
Ser teus lábios,
P´ra na palavra existir

Pudesse…eu
Ouvir a tua voz,
E de alegria poder sorrir

Pudesse…eu
Ser água,
E no teu corpo me banhar

Pudesse…eu
Ser sede,
P´ra me saboreares...

Pudesse…eu
Ser manhã,
E envolver-te no sol nascente

Pudesse…eu
Ser atalho, poente,
 Ermida de fé presente

Pudesse…eu
Ser fogo, na noite acesa
Cinza, lama, mas certeza!…

Pudesse…eu
Escrever, nas ondas do mar
 Em escritos lavados, sais purificados...

Pudesse…eu
Só poder sonhar...
Pudesse…Eu
Adivinhar!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Oceano


No oceano

                                                                                       do teu olhar

existem caudais

                                  de mel doirado

onde ceifo rosas sem espinhos

                                           colho abraços apertados

no oceano

                                                     do teu sorriso…bebo o brilho

que me cega de amor

                                              no oceano imenso

do teu corpo em flor

                                              navego sem rumo,

sem medo, sem dor,

                                 como pântano,

onde semeio...

simplesmente com prazer...

                                                                      Sonhos…
                                                                                                   E Flores…

Quero!



Quero !

mesmo,
que o teu querer seja noite,
e me desalente na madrugada…

quero!
mesmo,
que o teu caminho seja vento,
e me arraste acorrentada…

quero!
mesmo,
que o teu sol seja chuva,
e me embeba como folha vincada…

quero!
Ser um caso poente,
traço, obliquo na curva apertada

quero!
viver-te, encontrar-me,
 no tempo, na íngreme subida…

quero!
ser poema
em corpo de mulher presente…
quero ser, Vida!…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lua


Beijo a lua com olhos
                    De madrugada …

Abraço o céu com abraços
                         De vento…

Toco nas águas do mar com dedos
                    De cinza e prata…

E
No teu rosto pouso os meus lábios
                       Em chamas…

Onde
Me perco nas ondas do teu corpo
                    em lama…

Em
Impenetráveis lamas
               De violetas violadas…

Perpetuando
Minha existência…Em águas petrificadas…

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Flutuo

Flutuo em margens…

              De brandos ramos…

No alcance inatingível de mim…

              …Flutuo…

Em águas que gelam mágoas…

E secam minha alma…

Como amoras pisadas e gastas……

                 …Flutuo…

Como…Estaca…Sem nome... Paralelo flutuante…

E vigio na noite…E a cada instante…

O teu rasto…Como estrela vigilante…

                    …Flutuo...  

Nos mares onde passam…Por instantes os olhares [meus]

Em longa estrada de prata e cetim…

Flutuo em mim…

Esperanças vãs de seguir-te…

E se perdeu!

Oh… Meu amor…Rogo aos Céus…

                      …Infinita…Dor... De alcançar o esplendor…

                         …Flutuo…

Até onde… Começa a vida…

E termine a saudade, de um Adeus... Sem [dor]

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Vagabundas palavras


Sou vagabunda…De palavras…
Vaguei-o na noite… Embriagada,
Pelos sons,
Dos meus sentidos…
Onde as palavras,
Não adormecem…
E me gritam aos ouvidos…
Quando cansadas,
Descansam…Apenas…
Em palavras, em escritos…
São teimosas e teimam…
Em me acompanhar…Aos gritos…
Faço delas,
Minha companhia…
Um tanto desolada…
Nas palavras que se movem em conflito
E me levam a lugares distantes…No infinito
Onde não posso como antes,
Declama-las aos ventos…Vadios
As palavras que me inundam como rios
Hoje, sem elas…Não vivo,
Sou…
Vórtice sem comunhão
Ou apenas, um descampado em confissão.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Oiço



Oiço a tua voz …
Nas vozes que não falam …
Venho os teus olhos….
Nos olhares que não avisto…
Oiço o teu sorriso….
Nos sons que não visto…
Vejo o teu corpo…
Em corpos mutantes…
Incertos…E tão distantes…
Sinto os teus passos…Em,
Fantasmas sem rosto, nem nome…
 Num Universo imenso...
Onde cresce a vontade…Descompassada…
Na urgência…do nada…
Onde tudo, tem curso… Movimento.
E eu, pauso…No tempo…
Olhando o tempo…Simplesmente alienada!

sábado, 5 de novembro de 2011

O voo do poeta


Alma de ave
Emigrante…
Soltas-te livre
E sem medo…
Entre mares
E penedos…
E Continentes
Distantes…
Abarcas teus voos
Em águas paradas
Mortas…Estagnadas
Marés vivas…
E revoltas.
Poisas…O teu vozear…
Em silêncios
Gritantes…
Sem desesperar o voo…
Por contratempos
Ou penares…Hesitantes
Oh…Ave
Leva-me contigo…
Ensina-me…
O teu voar…
Deixarei conduzir-me
Nas asas do meu sonho…
E sonhando…
Irei até onde…
O teu voo…E o meu sonho, 
Se encontrarem!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Poema perdido


És poema,
Perdido…
Entre os livros que não li …
Em palavras...
Onde já não cabem…
As frases,
Que gritaram por ti,
Dançavam-me…
Tão inquietas…
No meu peito, contundido…
Em memórias que batem incertas…
De algum dia…
As ter vivido…
Jazem...
Agora as palavras...
Gélidas,
Em
Túmulo sagrado...
Perfumadas,
De incenso e eucalipto…
Cobertas, com mantos de nevoeiro e gritos,
Em gotas de água …e veleiros…
que derramaram…ribeiros de lágrimas...
Purificadas, nas lágrimas que bebi!