domingo, 21 de abril de 2013

INTEIRAMENTE


Abandono-me em ti
Como se fosses o infinito
Absoluto e disponível
E
Solto os nós das amarras
Em arrepios e garras
Embriagada pela fragrância
Dos sentidos

Nesse abandono
Sinto o mundo nas mãos
E faço dele
O nosso estar
Sem qualquer explicação

Ainda que longas
Sejam as horas
Todas…
São como estrelas cadentes
Fugazes e incandescentes

Abandono-me em ti
Como se tivesse a certeza
Que os dias anoitecem
Eternamente
No ombro das manhãs acesas

MelAlmeida

21/ 4/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

MOMENTOS





És como uma dor
Que se vomita
Em voz rouca
E se redige
Em poesia
Num amargo
De boca


Apenas choram
Nas mãos
De quem as guarda
Numa exactidão
Ausente

Porque
Nada é mais tristonho
Do que não saber
Dar cor à vida, ainda que em sonho

Vida,
Que não se canta
Nem dança
Onde
Apenas fica o grito
Como sufoco
Perdido na garganta

MelAlmeida

Foto de: Jó Almeida