quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PROCURO-TE


Sentada no meio da saudade, olho à minha volta, não me encontro.
Entre tantas recordações, não sei mais que chão me agasalha…Procuro-me…Procuro-te já sem fôlego…Apetece-me rasgar a folha que se colou a mim, como que pedindo, ser desenrugada e lida…Num repente apanho-a no meio daquele entulho…Agarro-a com sofreguidão…ela, contêm uma Oração…Um poema …Um grito… Uma lágrima cristalizada, que no passado, se escapou dos meus olhos, e se fechou dentro dela mesma envergonhada.
É pouco quero mais…Continuo na minha busca…Distraindo-me por segundos, ou talvez horas… Não sei…De novo mergulho, numa recordação que me escapou ao sofrimento do passado…Mais uma vez ajuntada a tantas… As lágrimas de novo afloram…Agora, já sem o fantasma que temia…A dor da saudade, ela, já me habituou à sua presença…Em todos os lugares por onde caminho.
Procuro-te…Procuro-me…E, tudo o que diviso, são, amontoados de sonhos esbatidos e esgotados. Onde a cor e o brilho d´outrora, deram lugar, ao, cinza desmaiado, ao carmim rosado, ao azul de mar, num tom apenas a inventar, o branco puro, deu lugar ao amarelo seco, como folhas caídas num Outono já prestes a caminhar, dando lugar ao Inverno que espreita dentro mim, neste amontoado de razões por abrir, de sentimentos semeados, que não foram abençoados, por um raio de sol que os fizessem florir.
Oiço qualquer coisa, não sei bem o quê? Procuro no silêncio, encontrar silêncio maior, que me faça descer, do pico onde me encontrava a sonhar. Com um tremendo esforço consigo…E eis, que me debruço sobre mim, com as mãos, tremulas, de emoção…Procuro…Procuro…E, encontro o vazio, do que procuro. O nada!
Sinto-me inútil, nesta busca, onde não soube encadernar as imagens do passado, no meu chão, de emoções… Agora, andam soltas, à deriva no mar do meu chão, projectado em recordações, distantes, ausentes, em paralelo com o meu olhar, já de mim esgotado.
Desisto desta procura!
Como te encontrar no amontoado da minha ilusão!?
Sem forças para esta procura, repouso na exaustão.
Ao sacudir o breve repouso, em que me consagrei. Encontrei-te afinal…Habitas em mim! E, em mim, não há procura …Há sentimentos, devidamente ordenados na alma e na razão!
Encontrei-te por fim, encontrei-te dentro de mim!

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