domingo, 26 de abril de 2015

Um prazer total


Desafia-me o cansaço
no som lento dos seus passos
mas a alma repousada e plena
faz-se ousada ao verso
que me ultrapassa como a Deusa de Atena
E vive para além de mim...
Antes de mim...
E em mim.
E num passo apressado
entre folhas de marfim rosado
os meus dedos obedecem cegos
e o coração no peito aritmado,
cede exaltado ao verso que me chama.
Cede-me o cansaço
e a existência é inteira aceitação
deixo-me morrer pra vida, sem saber que se chora
e é no poema que renasço em cada hora
Não tenho outra solução
e ainda que a tivesse, não a aceitava
ele é meu dono,
eu, sua escrava.
ele me sustenta... Me arrasta... Me usa.. . Me abusa...
Mas não me gasta!
Cede-me o cansaço...
E
Sopro a vela no castiçal do tempo
E já sem me ver, pé ante pé...
Saio devagarinho na escuridão parcial.
E fica-me o verso no leito da alma
a plasmar num prazer total

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