sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Apaga-me





Apaga-me das noites

Silencia a voz que clama em segredo

Para que os dias nunca saibam de nós



Apaga-me dos ventos

Porque eles sopram um pouco de mim

…Um pouco dos tempos…



Apaga-me de um sorriso prisioneiro

Naquele esboço insensível

…Que faz de nós…

Uma montanha a gerar nevoeiro



Apaga-me no voo das aves de rapina

Porque elas não poisam em arvoredos lentos

Nem em crianças sem tempo… Nem em livros em ruínas…



Apaga-me não me leves para uma inglória guerra

Eu não possuo armas

Que me conduzam a uma falsa vitória na terra



Se depois de me apagares
Eu ainda te surgir na noite

Acorda...!

Não vá o mundo ruir em omissos sentires


Apaga-me sou apenas um embuste. …Nu

Na luz de uma cegueira presa.

MelAlmeida

1 comentário:

  1. Um magnífico poema.
    Se bem o começaste, melhor o acabaste.
    Parabéns, minha querida Poeta.
    Beijos.

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