segunda-feira, 8 de junho de 2015

Gozada a vida



Quero a vida
arrepiada
despenteada
adormecida
acordada
maquilhada
limpa
imunda
suave
funda
em sossego
desassossegada
amarga
doce
dura de roer
a seco
molhada
soalheira
ou trovejada
quero a vida
num beijo
num abraço
num amasso
numa bebedeira
numa loucura inteira
num sofá a lê-la
numa cama a amá-la
quero a vida
grávida de mim
e eu, grávida dela
e, ao pari-la
pela vida fora
vou sorrindo
vou chorando
vou gritando
vou escrevendo
vou cantando
vou dançando
e nessa caminhada eu digo à vida: puta que pariu vou gozar-te com a arte que te é devida... Vais ver?!
E pudesse eu ser eterna que me havias de temer?!
mesmo assim te digo: Nada temo
Nem as sombras que me envias me metem medo
E se um dia vou ser pó
que seja num dia de grande vendaval
para correr o mundo inteiro, à boleia
agora enquanto for carne
vou-te dar muito trabalho...
hás-de roer-me com dentes de alho
e depois de te sufocares, vais cuspir-me e dizer":Dou-te vida novamente superaste todas as provas, com a nota que vale a pena ter!"

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