segunda-feira, 6 de julho de 2015

Estão cansadas as minhas mãos



Estão cansadas as minhas mãos
E deixam marcas nas paredes do meu rosto
A minha pele franze-se ao frio que entra pelas janelas da mente
Estou cansada e nada tenho que me seja urgente
Somente portas e janelas voando do meu corpo
Corpo, que aprisiona o sangue que se dilui em absolvição
Como um rio que se pavoneia sem fôlego.
Há uma face translucida que me sorri morna
Num espelho disforme num ato decomposto
Sobram-me aves… Falta-me rosto
E dentro de mim ergue-se uma voz confusa e magoada
Que me grita mas, eu não entendo absolutamente nada!
Desenho no chão uma boca a sorrir
Adentro-me e deixo-me ir.
E as palavras engasgadas com o meu corpo
Dizem-me sufocadas:

Estou tão cansada de ver o que nenhum vê
Estou tão cansada de sentir o que nenhum sente
Estou tão cansada de ser repetidamente
Um dia novo a anoitecer na gula do tempo que tanto mente.
A minha alma está cansada e afasta-se de mim
Talvez pra descansar…?!
Dizendo-me:” Até sempre!...”

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