quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

QUEM SOU?



Quem sou eu…
para além de mim…
quem me habita em quina
desfigurada...
onde me estoiram flores
como sons de aves
em debandada.

Quem sou eu …
para além de mim…
não me reconheço…
nem me sinto,
ainda que me açoite,
e me sorria, em contrafeitos dias,
porém,
choro-me em brancas noites.

Quem sou eu…
para além de mim…
serei tudo…
ou apenas, uma matizada alma,
subordinada à fantasia…

Mas, também que importa…
quem sou para além de mim
se, nem eu sei se existo…
para além de uma palavra vazia.

MelAlmeida

domingo, 8 de julho de 2012

Inexistente


Longe de ti
Não, não sou ninguém,
Sou sombra desfocada,
... Inexistente…

Sou um pedaço de nada
Em corpo de gente…

Sou quem vive silenciada
…. Imortalizando…
As palavras que me soam
 Constantes
E me fazem tingir os dias
Em tons falsamente brilhantes.

Perto de ti
A escuridão é abraço
As nossas bocas são rosas
Que desfolhamos em prosas
Silabadas de amor
Em chão de estrelas
Que matizamos de violetas
No nimbo de duas almas poetas.

Melalmeida


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Hoje...Sempre.




Hoje, faço amor contigo em poesia
Desguarneço-me de véus e mantos,
Que guardam o desejo

Perfumo-me de essências corporais,
Na ânsia excessiva
De te querer nesta página
 Como marcador
…Em Ais…

Entrego-me inteira ao teu querer,
Iniciado no pólo de um beijo.
No episódio perfeito…
A tua boca…No meu peito,
Num
Esmagar de almas em sintonia

Cerro os olhos, entrego-me embriagada de paixão
                                        Um tecto, um chão, dois corpos em desalinho
Onde apenas os ais, voam, no sussurrar dos beijos
Loucura incontável, ao comum dos mortais

Onde me arrombam frases poéticas,
em concordância descarnada
Entre o tudo… E o nada…
Morremos depois…Os dois!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sombras Reescritas.


Reescreve-me em beijos,
em abraços…Em sorrisos
desenha-me em folhas de prata
borrifadas nas águas do desassossego
em instantes perfeitos,
 feitos, no instante de um silêncio.


Partilha-me na tua pele, arranca de mim o sentir
aquele que de longe ecoa ainda, nos nossos sentidos


Clama-me…O quanto me desejas
em palavras, em escritos,
em bocas que ardem sufocadas
no vasto campo dos tempos perdidos

Ou então,
sonha-me oxidada…
Na oficina abandonada de um velho artesão.


sábado, 26 de maio de 2012

Sempre!


Saberei sempre, distinguir-te em cada vírgula,
Em cada [a] que não se esgota
Nas palavras que, como corda vacilante
Te fazem estremecer a carne, solta de ti

Saberei sempre…Quem és!

Minha fonte viva, onde brotam acácias em pedras soltas
Que ardendo de desejo,
Tentas controlar como barco, em maré de despejo

Abnegas o que mais desejas,
E colocas-te em posição de queda,
 Nas alucinantes lembranças, que te investem de mim.

Agora, não sou mais eu, quem em ti se passeia
És tu, quem me prescreve.

Eu,
Parti noutros braços, em viagem sem retorno
Na busca dos teus…
Encontrei-os com os olhos bem cerrados
Encontrei-os…Por fim, ao abri-los sem receio.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tão tarde...!



É tarde,
Que nem me lembro de mim
Nas tardes,
Em que como um livro, ao vento…
Se me folheiam
As páginas, num frenesim

É tarde sim.
Mas, apesar do tardio,
O livro que leio, são folhas,
Folhas, que não sei encerrar
Por ser tarde, fecho os olhos
E nele me arrebato a sonhar.

Por ser tarde,
As noites, chegam fugazes
E os dias tardios vão vazando
Como rio no seu leito
Nas tardes, em que sinto frio,
Por já ser tarde demais no meu peito.
Tão tarde…!

domingo, 20 de maio de 2012

MORRI



Na irrefragável força que nos envolveu,
como barcos atracados ao cais,
em abraços e beijos, de luar vivo.

Remoinhos imersos de verdade,
onde, desvendámos palavras acríticas,
que em nossos olhos arquivámos,
 na esperança, de uma reiteração viva.

queimámos os corpos, em desejos irrecusáveis
 em sorrisos abraçados,
 mas, inacabados no hálito do amanhecer.


Numa boca de paixão que ardeu,
em águas estagnadas de silêncio,
na distância tão curta, e tão longa
no abismo,
de um “Adeus”

Morri, na embriaguez dos sentidos
...entre...
duas bocas que se tocam por prazer.

Que  [ Preciso!]


Morri?
Não, não exigia, ter morrido!
Para renascer em renovadas frases de prata,
que à chuva do meu olhar, têm escurecido!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Existe em ti



Existe em ti…
Um rio…Retido na sombra do teu olhar
Em frases que se encantam
Na pauta…Dos teus versos raros…

Existe em ti…
Madrugadas de loucura…
De uma luz, intensamente, intensa de ternura…


Existe em ti…
Uma árvore solitária…Nua…De braços erguidos…
Em madrugadas que ignoram os sentidos

Existe em ti…
…Aves que não voam, não cantam, nem sonham
Tombaram…No pranto de um poema frio

Existe em ti…
Um lugar distante...Vazio…
Onde as estrelas adormecem…Numa inquietude que não merecem…

Existe em ti…
Um Mundo…Que te implora tempestade…Prontas a explodir em vontades…


Existe em ti…!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sou-te


Sou o silêncio estrelado,
no manto azul da noite
Sou lua que te contempla,
descalça a sorrir…
Sou água que no seu leito,
folheia poesias de amor
Sou silêncio imortalizado…
Vestido de veludo…
Em madrugadas de olhares mudos…
Sou melodia,
que voa nas asas alvas da saudade…
Sou quem abriga o mais belo e profundo…!
Sou a Verdade..!
Sou a tua dor…!
O teu grito…!
O teu Mundo…!
Sou-te tudo…!
Meu amor…!

domingo, 15 de abril de 2012

Fui eu!



Velozmente, tudo se transmutou
E se revestiu de um só som
O som do silêncio!

Fui eu,
Quem te pintou …
Quem te descobriu…
Quem te amou…

Fui eu…que nasci pra morrer em ti
Pintura perfeita que representas para mim!

Procuro-te, mas não te vejo…A tela desbotou orvalhada de desejo…
Transformou-se em vento…
Vento,
Que abraço no momento em que pondero existir…


Agonizo de dor… [Meu Deus] …
Dor, que grita nas masmorras…Da punição,
Amar-te assim é crime, pra ser cumprido.

Vou desenhando no ar, palavras que não consigo reproduzir

[Meu Amor, Sou Tua, Para Sempre… Tua!
Ainda que o Mundo se engula a si Mesmo.]

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sem Ti


Sem ti…

A saudade, é ermo, é brado
É sopro de vento,
Que geme…
Num frenesim mendigado

Sem ti…

O céu é distante…É vão…
E, as horas são o bastante…
Onde o desejo, é pecado…E, perdão

Sem ti…

Há um convento de nostalgia…
Onde os sonhos
Apenas se cruzam
Na clausura, da fantasia…

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livro

 


Sou livro inacabado…
Rasurado, perfilhado…
Livro que tudo contém…
Páginas de mim…
De ti…De tudo.. E, de ninguém…
Desamarro segredos banais,
Verdades casuais…
Injustiças diabólicas…
Alegrias celestiais…
Em cada linha que escrevo.
Dobro-o em rituais chorados
Em linhas, desenhadas por fados
Que a vida me vai cantando.
E, em prosa, ou poesia…
Em desilusões…Ou alegrias…
Escrevo, o meu livro em memórias
Que adormeceram… Amarelecidas nos bancos,
De tantas...Páginas em branco…
Hoje, de joelhos curvo-me,
Sobre o meu livro Sagrado,
Escrevendo com fidelidade,
O livro, há séculos programado…
Nos céus, na terra,
Nas margens, de um rio transbordante,
Nas ondas, de uma mar ondulante...
Em palavras que leio, numa edição limitada...
Mas, Exuberante!
 

sexta-feira, 30 de março de 2012

JESUS


Fizeste-te Verbo…
Por Tua própria vontade
Verbo, chamado “Vida”
P´ra salvação da Humanidade


 Dela, bebeste o fel da compaixão,
Doaste tudo o que era Teu
Numa entrega equitativa
Renegaram-te…Perseguiram-te…
Tiraram-te a Vida!


Nada temeste por amor…
Carregando com sofrimento, e dor…
A Cruz ao Calvário...E, na hora derradeira,
Clamaste apenas ao Pai;” perdão e amor p´ra humanidade inteira!”


Agora, vive o Mundo em guerra…
Por desmedida ambição…
Quem dera …Que todos soubessem o quanto…
Ainda, nos amas, nesta estéril condição!

sábado, 24 de março de 2012

Não te penso!


Não,
Não te penso…
Pensar-te
É…
Perder a noção do real,
No tempo
Em que a pensar-te
És ténue ilusão…Fatal
Não,
Não te penso…
Invento-te…
No instante…Em que o pensar voa,
Nas asas de um falcão…
E, ao inventar-te…
Encontro-me no atalho
Que vive ante a lucidez…E a ilusão.

[...]


[…]
Beijo-te…
Sonho-te…
Abraço-te em mim…
Escaldante…Pensar em que me adormeço…
Na boca,
Absorvo o doce gosto que de ti invento…
Na pele,
Aflora-me,
Um arrepio intensamente…Intenso,
Te Amo…Te pertenço!
Vem, o meu sonho é sentinela…
Sem tempo…Nem hora…
E, ainda espreita pela janela,
As serenas ondas deste cais
No perfeito desejo que cerca,
O desejo dos mortais…
Te pertenço!
Te amo!
E, não sei porquê?...
[…] Ainda!

quinta-feira, 15 de março de 2012

No Meu Sono

Hoje, invadiste o meu sono
Com tamanha expressividade
Aconchegaste-te ao umbral
Da minha quietude, chamada verdade

Hoje, que os versos me estão descalços
Piso o meu chão sem transtorno…
No alongar de um silêncio, quase incauto
Que perfilho… Mas, que abandono…


Hoje, vesti-me de mim por vontade
De me encontrar com a entidade
Que me nasce, num bem-querer

Num desapego total de malignidade
Como a dor de um embrião a nascer
Onde, a alma chora…liberdade.

LUA

Se a lua sonhasse…

Tanto quanto eu…

Acordava somente,

Quando despertassem

Os sonhos meus…

Ela eleva-me ao alto…

À essência…Ao infinito…

E, pela noite fora…

Vagueamos em poesias, e escritos...

Em sorrisos, lágrimas, e fantasias…

E, abraçadas,

Sonhamos como crianças alienadas.

Quer de noite...Quer de dia.

terça-feira, 13 de março de 2012

Beijo Vadio

Hoje percorri o teu corpo,
Com um beijo vadio…
Percorri-o, num vadiar…
Louco…
E,
Em meus lábios húmidos,
Destilados de desejo…
Corre uma ânsia acesa,
Em que me afundo...
Beijar-te inteiro…Num só beijo.
E,
Nele beijar o Mundo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Flores que falam.


Esperei o teu sorriso,
Nas pétalas de uma flor…

Flor, com que me brindaste
Numa noite de amor…

Esperei…
Mas elas não puderam esperar comigo,

E, foram enfeitando aos poucos…
O meu chão…como mendigo…

As pétalas, que me falavam de ti…
Falavam-me por comiseração…

Fui, então...
Apanhando pétala…a pétala…
E, perdi-me no tempo…do meu chão

Só agora vejo,

Como as minhas mãos sangram
Embebidas de solidão.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Saudade

 

Sentimento sem cor
Trajas de branco…
Preto, incolor…
Em silêncio te fardas
E, no campo de batalha,
Me aguardas.

És quem me veste,
Me solta, me prende, e me despe…
És vento aspergido,
Folha de pergaminho
Envelhecido…

És vida, onde me morro…
Luz alucinada que me cega
Lua embuçada e vazia
Névoa lavrada, orgia…
És meu sentir, e, nada somos!

…Saudade…
Condoída realidade,
Em acervos me cais,
Desmoronas-me aos ais…
Na alma desnuda…
Na carne seca, surda-muda…
Cravas punhais.

Oh fantástica saudade,
Que inflamas…
Fogos extintos, cinzas…E lamas
.

Um Sonho