terça-feira, 2 de setembro de 2014

És-me poesia










 Preciso de ti...No meu poema
E nele abandonar a sombra do tempo
Escrever de vez
O verbo por inteiro
Em silêncio
E
Na pele rasgada de saudade e desejo
Fazer nascer o poema
No vazio do teu beijo
Preciso de ti...No meu poema

Mel Almeida


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ler-te,
É sentir-te pele em mim
Na nudez que me conforte
É beijar o teu corpo nu
Num abandono de morte
Ler-te,
É ter no olhar
Um mundo azul onde mora a vida
E deixar a alma deambular
Nas asas de uma borboleta florida
Ler-te,
É ouvir a tua voz sussurrar-me docemente, e ficar louca…
Nas palavras que me abraçam,
E me beijam a boca.
Ler-te,
É dormir em ti…
Acordar,
E sentir que não te li…
Foste Tu…Meu amor
Quem veio ler…Só p´ra Mim!

Um Mundo



 O teu mundo é um poema
 Silencioso
 Perfilhado com um raro e puro amor
 
Porque nos teus olhos há raízes
Que germinam no útero
Que o mundo em ti gerou.

Ele, cedeu-te diploma de alforria
Para que possas concluir
Com o mesmo zelo e alegria
Os feitos que ele principiou.

As estrelas no firmamento afoitam-se a sorrir
Detendo a respiração
Quando em ti se rasgam trevas
E fazes delas
Claridade em exaltação
Lindo é o verbo criar
Difícil é ama-lo
Com o brilho de pérolas no olhar.

Há sempre luz



Apagaram-se as luzes

E o brilho dos teus olhos tombou na escuridão

Mas ainda assim

Sinto-o na minha boca

Ao tactear-te

Em pungente emoção



Oiço neles toda uma sinfonia viva

Tocando-os levemente

E absorvo quase inconsciente

Juras adormecidas



Apagaram-se as luzes

Mas as flores ardem e clareiam os jardins negados

Nas palavras perdidas, ausentes

Em flores ressequidas no caminho

Onde o útero infértil ainda vence

Num longo e fecundo carinho.



E o caule ergue-se de novo

No fogo da paixão

Ainda que se disfarce de adormecido

Renasce pelo beijo dado

No tombo da escuridão.


EU

Existir…
Ou resistir?
 
Apenas depois disso.
Na sensualidade à flor da pele
 
Num zelo encerrado em desatenção
Onde desenho sonhos no vazio da razão
 
E faço rascunhos de beijos
Nos lábios do alvorecer
 
Abraço-me para não perder o mundo
Onde não me recordo viver 
 
Existo…!?
Ou resisto, em ser
Apenas depois disso.

MelAlmeida

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tão bela.



Sei que o tempo nunca foi lugar

Onde o habitar é eterno abrigo

E eu que bailava dentro de mim

Como bailam as searas de trigo



Tão distante, Já tão distante...

Me está a voz desta terra

Aquela que outrora

Se me perfumava, sempre, de primavera



Vida…



Como posso eu dizer-te…

Que me sinto a morrer de sede

Senão há água pura para beber

O mundo secou de mágoas

Pelas dores dos mártires, a sofrer



Vida…



És livro já tantas vezes lido

Que abandono na mesa, de cabeceira.

Porque decorei toda a tua história, tão dura, tão matreira

Mas ainda assim, vida, chamo-te bela

Mesmo sendo sofrida desta maneira


MelAlmeida

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Voltarei!



Como foi que me reconheceste na multidão
Se tu ainda és carne, e eu não!
Vi o teu olhar deter-se em mim
Com tanta precisão
Sorriste-me,
Decifrei-te o pensamento
Soletravas o meu nome, num eco lento
Agora,
Sei que me sentes
Até quando de mim
As estrelas estão ausentes
E a escuridão me é pedra morna
Onde me assento sem demora
Na beira do teu leito, pela noite fora
Sabes amor sinto muita nostalgia
De não poder mais cerrar os dentes, de paixão, na tua pele macia
Porem, o Céu prometeu-me
Voltar a ser semente
No útero de uma manhã vazia
E quem sabe…
Eu volte a ser gente…Somente por um dia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mas tu não sabes!



                                          

Amo-te! Porque não dizê-lo?!
A poesia é uma máscara
Onde me oculto
Te ocultas
Me encontro
Te encontro
Amo-te!
Sorri
Quer seja
Pela vaidade
Ou remorso
Sorri
Porque amar-te
Assim
Ainda é viver uma verdade!
Amo-te!
Quem dera que assim não fosse
Desconhecia a escuridão
E, seria livre
Como as penas no peito das aves
Amo-te
Mas tu não sabes!


Porque me sou!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Apaga-me





Apaga-me das noites

Silencia a voz que clama em segredo

Para que os dias nunca saibam de nós



Apaga-me dos ventos

Porque eles sopram um pouco de mim

…Um pouco dos tempos…



Apaga-me de um sorriso prisioneiro

Naquele esboço insensível

…Que faz de nós…

Uma montanha a gerar nevoeiro



Apaga-me no voo das aves de rapina

Porque elas não poisam em arvoredos lentos

Nem em crianças sem tempo… Nem em livros em ruínas…



Apaga-me não me leves para uma inglória guerra

Eu não possuo armas

Que me conduzam a uma falsa vitória na terra



Se depois de me apagares
Eu ainda te surgir na noite

Acorda...!

Não vá o mundo ruir em omissos sentires


Apaga-me sou apenas um embuste. …Nu

Na luz de uma cegueira presa.

MelAlmeida

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poetas



O idealista
Seja Homem
Seja Mulher
Tem contracções
Tem delírios de morte
Consome-se na seiva da sorte
Quando o poema
É um parto delicado
E da sua alma nasce maduro
O poema expatriado
Do seu próprio futuro.

MelAlmeida



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

No meu poema



No meu poema
existe
um homem que chora
em palavras rubras como amoras
numa cidade que adormece fria
e precipitadamente sucumbe vazia
No meu poema
existe
uma voz que canta
nos lábios puros de uma criança
No meu poema
existe
ilusão em verdes prados
de esperança e razão
sem pedaços rasgados
No meu poema
existe
uma palavra de sorte
em mãos cheias de vida
aonde não espreita a morte

MelAlmeida

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Não, não digas adeus.



Não, não digas adeus
Ainda que acenes com a alma em delírio
Pára.
Detém-te
Onde os rios se misturam em alucinação
Em margens revoltas e ofendidas

Não, não digas adeus
Essa palavra é espada que atravessa todos os horizontes
Onde se rasgam os Céus e, se dilaceram feridas
Chora onde secam as rosas
E mora onde a palavra é entendida

Não, não digas adeus
Canta aos deuses a divina graça dos Sóis
Sorri de pranto, de encanto, mas sorri
E, ao atravessares a porta do teu sangue
Permite-te vencer como vencem os heróis
Em colossal medida!

Mas, não digas adeus….Aos teus medos e aos meus.
Não, não digas adeus… A tanta vida com vida.


terça-feira, 18 de junho de 2013

..Só Tu e Eu…



Quando em mim te percorres
Docemente penetrante
Ausenta-se-me o chão debaixo dos pés
Em inesperado instantes

E
O Céu declara-se-me
Nessa pele de veludo, trigueira
Selvagem,
Numa coragem voraz que me consome inteira

Os teus braços, meu amor
Quando em mim se enleiam
Esses braços que foram talhados
Para me endoidecer
Apressam-me a natureza, de em ti me perder

E
Prontamente a minha carne se desnuda
Em verdes desejos
Amadurecendo velozmente
Ao doce prazer na boca que beijo.

MelAlmeida

sábado, 18 de maio de 2013

UM OLHAR

Cedo-me
Com a consciência de um anjo
Nas tuas mãos abandono o meu ser
E nelas vivo
Todos as razões de viver
Visito o céu
Abraço as nuvens
E bebo a luz do sol
Antes dele nascer
Toco nas estrelas que há nos teus olhos
Olhos, que não adormecem
E ao cerrar os meus
Cantam-me poemas que não sei escrever
Porque,
Só os deuses os ditam
Só os deuses os sabem cantar
Nos momentos
Em que a eternidade
É insuficiente para te olhar

18/4/2013


MelAlmeida

sábado, 11 de maio de 2013

NA TUA PELE



A pele

Em arrepios

Os poros num desvario

Corpos colados

Numa serena inquietude

Como pássaros que cantam

Aleluias nas altitudes

E

O silêncio falando

Falando

Na pele calada

Que a sussurrar vai ditando

Os desejos em escalada

E

Dormitando na pele

Nua

Que nos veste de amor

Embriagados

Num profundo e puro

Num amar firme e seguro

Onde os olhos se beijam

Em lábios colados

11/4/2013

MelAlmeida

domingo, 21 de abril de 2013

INTEIRAMENTE


Abandono-me em ti
Como se fosses o infinito
Absoluto e disponível
E
Solto os nós das amarras
Em arrepios e garras
Embriagada pela fragrância
Dos sentidos

Nesse abandono
Sinto o mundo nas mãos
E faço dele
O nosso estar
Sem qualquer explicação

Ainda que longas
Sejam as horas
Todas…
São como estrelas cadentes
Fugazes e incandescentes

Abandono-me em ti
Como se tivesse a certeza
Que os dias anoitecem
Eternamente
No ombro das manhãs acesas

MelAlmeida

21/ 4/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

MOMENTOS





És como uma dor
Que se vomita
Em voz rouca
E se redige
Em poesia
Num amargo
De boca


Apenas choram
Nas mãos
De quem as guarda
Numa exactidão
Ausente

Porque
Nada é mais tristonho
Do que não saber
Dar cor à vida, ainda que em sonho

Vida,
Que não se canta
Nem dança
Onde
Apenas fica o grito
Como sufoco
Perdido na garganta

MelAlmeida

Foto de: Jó Almeida

segunda-feira, 4 de março de 2013

VISTO-ME DE TI



Visto-me de ti
Na pele que me se entrega
Nua…
À minha boca
Num rigor insinuante
E nessa veste bendita,
Desmontam-se ruínas,
E nascem obras eruditas

Visto-me de ti
No odor da onça que domina o viço
Que me aglutina e conforta
E sem me dar conta
O dia cessa…
E a noite, essa, não tem portas.

Visto-me de ti…
Em gestos vivos e lentos
Como quem escreve versos,
Na fogueira do tempo
E, nessa doce claridade…
Nascem astros, que cantam no firmamento.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

SÓ.


EXISTEM


CORPO DE PRAZER


MEDITAR


SONHOS


AMANHECER


[...]


PERTO DO CÉU


ALMA SILENTE


MULHER


EM MIM


SEI P´RA ONDE VOU


BREVE SUMÁRIO


ONTEM


NAS MINHAS MÃOS


MEU AMOR


ATÉ POR DEUS!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

DESENHO APAGADO

Cansaste-me em palavras cruas,
Que me ardiam desnudadas

Onde desenhaste em gestos de loucura,
Pungentes melodias, mascaradas.

Em actos,
Que me eram partos, sem tempo, nem espaço

Queimando na escuridão, a luz dos meus dias 
Num frio que arrepia, as noites sem nome.

Na minha boca, nasciam-me impérios de pedidos
Folheados em agudos silêncios…Nunca ouvidos.

Agora, apaguei todos os sinais que fui tatuando,
Numa inquietude invertida,

Onde me repousa a mente, protegida.
No cansaço, que em mim descansa.

E me incendeia numa verdadeira paixão,
Em taça de beijos…Na boca da exactidão.

MelAlmeida

domingo, 27 de janeiro de 2013

JORNADA



Nas palavras que me cantam sibiladas
Onde te revejo…
Com a sagaz coragem,
Que pernoita
Em fortaleza embriagada nas noites,
Onde repousam as nossas madrugadas.

E
No meu devaneio
Voam-me imagens em carruagem silenciosa
Onde me passeio
E o som,
É uma paisagem acesa,
Que me cerca, sem paragens na incerteza


Mas ao ver-te,
Já não é o tempo que em mim viaja
Sou eu, quem viaja sem tempo…
 Nos braços que me abraçam,
Como carril oleado de desejo,
Onde não existe desalento
Pousando a paisagem…
Em abraços, e num beijo, lento.

MelAlmeida

domingo, 20 de janeiro de 2013

HINO À VIDA




Trago no olhar a claridade de todos os astros…
Na boca, o sorriso das manhãs enfeitiçadas
Onde desenho a pastel oceanos e sereias
 Em gotas de luz ardentes, por mim criadas,
nas areias do meu mar.

No cabelo, solto a escuridão das noites orvalhadas…
Em pingos de mel e ramos trajados, 
pelo canto das aves emigradas…

E, no meu corpo inquieto…
Aquieto a imensidão das falésias adormecidas
Nos caminhos, em passadeira de sombras choradas e perdidas

E, sonhando acordada vou…
Vazando o meu lago de ventura…
À vida que não sei contestar…
Porque nela, me avalio com abençoada ternura

MelAlmeida

sábado, 12 de janeiro de 2013

NO MEU SONHO




Hoje, que a poesia se faz em nós
Como gaivotas ébrias de melancolia

Aguardamo-nos na impaciência,
Como almas ao vento, queimadas em perfeita demência
E,
 Nos teus sonhos de macho arrojado
Sei-te em falácia incerta, que se acerca em vedações de arame farpado

Hoje, golpeados por gládios aguçados
Onde escorrem sulcos de dor, e nos rasgam as entranhas em brancos marcados
Mas, ainda assim,
Procuro encontrar-te, num pedaço que me vista de consolo
E te cubra como lenitivo, em cais onde embarcámos, 
Sem porto de abrigo.

Hoje, sinto-te nuvem, pairando nos meus lábios frios,
Meu amado, porque os deixaste falecer?

Se para ti nasceram, como um leito que se ajeita ao rio.
 Onde navegavas, sem tempo marcado!

Os meus sonhos, não sabem mais quem são?
Perderam-se no clímax de uma cegueira
Quando sonham acordados contigo, em delírio de paixão!

MelAlmeida

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

POR TI AMOR



Esperarei por ti
Meu amor…

Ainda que os dias se consumam em trevas
E as montanhas se vão desgastando

Nos registos que agasalho
Como banquete em horas que me vão tombando

Esperarei por ti
Meu amor

Até que os ventos me tragam

 De volta a tua voz …

Que me acode…Com tal nitidez
Como águas puras que se escoam sem foz

Esperarei por ti
Meu amor…
E
Quando o instante finalmente, chegar
 O meu corpo será perfumado de rosas
E
Adormecerei no teu peito
 P´ra não mais acordar, 
Em noites que se me consagram sem astros, sem luar.

Esperarei por ti
Meu amor
E
 em taça de champanhe transbordante
Irei celebrar-te…
Ante, a areia que aguarda impassivelmente
O doce beijar do seu mar, Amante.

                                                                                                               MelAlmeida

Um Sonho