sábado, 25 de fevereiro de 2012

Espero-te



Espero-te…
Nas horas
Embriagadas
De desejo…
Em angustiantes
    …Ais…
Impossíveis,
De se ouvirem
Nas palavras
Que te escrevo.
Solto o meu corpo
 … Ao vento…
P´ra com o teu,
…Se encontrar…
…Quem sabe…
Se ainda ardem,
Os nossos sonhos…
No mesmo (Ar.)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Em teu corpo

Em teu corpo abarquei…
O meu corpo sem vela…
Em teu corpo me espraiei…
Como pintura sem tela…

Em teu corpo me perco…
Em teu corpo me prendo
Em teu corpo eu desato…
O meu adoçado lamento…

Nesse encanto me perdi
Rumo, ao infinito desconhecido
E, do teu corpo eu fiz,
O meu secreto, porto de abrigo.

Em teu corpo reluzia…
O meu, como estrela candente…
Queimando desejos e fantasias
Que dele brotam iminentes

Em gesto brandos te sonhei…
Em cantigas, que não cantarei
Em cantos, de puro espanto…
Que adornam meu precioso manto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nas asas do vento


Lanço minhas asas ao vento
E, com elas paira
O meu corpo,
Em desalinho,
Neste tremendo
Assalto,
Que me atrai
Voar como pomba,
Fora do meu ninho…
No céu,
Quero desenhar-me
Em bordados,
De oiro e prata
E, ao som do violino,
Compor uma serenata…
Quero…Voar…Voar…
Neste meu corpo,
Por mim aprisionado…
Solta-lo,
Dos ancestrais degredos,
Liberta-lo
Dos sólidos metais,
Que me acorrentaram,
Aos medos…
E, na sombra me sufocavam…
Pasmados…
Quero…Voar…Voar…
Nesta minha alma, livre…
Insolente…
Voar alto, como gente…
Agarrar a íngreme subida…
Ouvir a voz do vento…
Que me sussurra consciente
No ânimo…
Que me amparam…A esta vida.

Liberdade

 
“Liberdade”…
De que és feita?
De pó…
Que o vento levou…
De borrifos,
que a chuva lançou,
De risos… ignorantes…
Ou,
De cravos vermelhos
Já de nós,
Tão distantes…
Quantas ilusões…
Mascaradas…
Nas palavras
Que soam a “vazio”
Nas opiniões…
Atos …
E Vontades…
De um povo
Que vive em fastio…
Em falsas ideologias,
Em palavrões…
Em demagogias...
Que nos traem,
Cada hora, cada dia,
Como se liberdade fosse,
Fantasia…
Nas palavras mágica
Que se escondem,
Nos palcos da pura hipocrisia…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

S. Valentim

Por mais cartas de amor que te escreva meu Amor, serão sempre insuficientes e áridas as palavras que te possa escrever.
O Amor que sinto e vivo por ti…Não cabe em mil cartas de Amor.
O quanto me fazes Sentir, Viver e Recordar, é tanto…Que nenhum poeta ou escritor, por mais iluminado, sofrido ou feliz, o conseguiu traduzir como ele é sentido na realidade. Sabes porquê meu amor?
O amor não é traduzível! O que a alma sente, não dá espaço só à palavra, mas a atos! Atos de bondade, partilha, solidariedade, compaixão, admiração e respeito. E, todos esses adjectivos são Nossos, e cumpridos em Nós …A isto, eu chamo de “Amor”.

Sei que nunca é de mais, ouvires ou leres o quanto te Admiro e Adoro…O quanto para mim és Importante!
Mas, questiono-me: “Será que o dia da mulher, faz da Mulher mais Mulher?”
Será que o dia do Pai faz dele, mais Pai?
E o dia da Mãe faz dela, mais Mãe?
Será que o dia dos namorados é o dia para Amar?

O sentimento e a partilha que nós vivemos, esses sim, fazem de nós eternos namorados, eternos pais, eternas mães, eternos amantes.
É linda a palavra, “Amor…Amo-te,” e todas aquelas palavras que andam de mãos dadas com a Paixão, eu sei! Mas, elas podem conter tudo…Ou nada!

Para mim, meu amor, sem a pomposidade, com que este dia se habituou a espreguiçar-se, e a alongar-se nas palavras, para que se sinta colocado no dia e hora, com a empolgante distinção, de uma folha de calendário, que alguém que se lembrou de assinalar como importante, para que se vendam flores, postais, prendas e tudo o que possa fazer parte, de um consumismo desfasado de sentimentos.

Não!
Não para nós, meu Amor…A palavra “Amo-te!”, está gasta, é pobre e pouca, está falsificada e banalizada, nas bocas de quem não as tem sabido alimentar e respeitar com o respeito que ela merece. O nosso Amor, não faz parte desse clube, de apenas um dia de palavras doces, flores, postais, prendas ou cartas de amor. O nosso amor está imbuído nos tempos, nos ventos, na chuva, no sol, no céu e na terra.
S. Valentim, habita nesta casa, quando colhes uma flor do jardim e a colocas na minha almofada, quando me acordas no calor dos teus braços, quando sorris p´ra mim, quando a dor é nossa, ou mesmo quando as palavras dão lugar ao silêncio, e, nós sabemos como ele é necessário, porque é no silêncio que as nossas almas falam mais alto.

S. Valentim, é membro da nossa família, come connosco à mesa, dorme no nosso quarto, chora nos nossos olhos, sorri nas nossas bocas, grita nos nossos gritos, congratula-se com as nossas vitórias e entristece-se com as nossas derrotas! Ele está assente na palavra e no ato “Viver!”

S.Valentim, está impresso no nosso calendário, de Janeiro a Dezembro, em nossos corações. O nosso Amor é um Amor Maior, que não se contenta com as breves 24 horas do dia 14 de Fevereiro…
Por isso, meu Querido, não vou escrever-te uma carta de amor p´ra dizer que te “Amo” escrevo-te somente: “Obrigada meu Amor por existires na minha vida, sem ti… Ela, não teria o encanto que ambos sabemos imprimir-lhe!”
Só assim sei dizer: “Amo-te!”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Abri o dia


Abri o dia como se fosse um presente, retirei-lhe o laço que o cingia ao pensamento.Com as mãos gélidas fui retirando, uma a uma, as recordações que aquele presente continha. Abri-o cuidadosamente e deixei entrar as nuances que o coração não quer apagar. Abandono-me em mim, e deixo-me conduzir pelo sofrimento que inevitavelmente queria sentir, pedi em oração que fosse breve, pois não sei mais até quando o suportar.
Caminhei num vórtice, repleto de sons que me gritam piedosamente, para esconder as memórias mensageiras da tua ausência.
Mas, elas teimam em concordância fazerem-se presentes, e, eu, dou-lhe abrigo sempre.
Aquele presente, mais uma vez era igual a todos os que recebo. Contém a saudade embrulhada em cetim, com uma laço ténue, que me embriaga os sentidos e me faz recuar no tempo em que inalei o aroma do mais puro odor.
Abraçada, aos meus braços, abracei-te, alcançando por instantes o bater do teu coração contra o meu peito. Olhei o relógio, eram 9,15 horas da manhã, os ponteiros pareciam dois braços abertos, como se também eles, estivessem a abraçar-te.
As lágrimas que teimam em ser armazenadas, soltaram-se desaguando pelo meu rosto, como rio que corre em paralelo com a amargura. Bebi aquelas lágrimas, porque as senti tuas…Queria provar-te mais uma vez, o sabor que senti, era doce, tão doce, como os abraços que nos levavam de imediato, às nossas bocas entreabertas, onde o salivar e o desejo dançavam a par.
 O brilho daquele momento enevoou-me, compôs uma visão desfocada, mas tão real de ti! Sorrias-me como um fantasma, os teus olhos brilhavam mais do que o sol que entrava pela minha janela, o calor que senti era tão físico, que receei estar louca, gritei silenciosamente, p´ra dentro daquele presente…Dentro dele fez-se eco…E ouvi a minha alma murmurando. “Não, não quero mais visões enevoadas, não quero abrir mais presentes distantes…Ausentes, quero clarear os meus olhos, cansar os meus braços no abraço que religiosamente guardo, nos meus braços”.
Guardei o dia, no fundo de um baú de pedra, ladeado de jasmim, com uma lápide onde se pode ler; “Aqui jaz, mais um dia p´ra esquecer”
Voltei-lhe as costas, como quem quer fazer o luto longe daquele lugar, julgando tê-lo tumulado devidamente. Mas em vão! Sinto-o ainda a acompanhar os meus passos como se imortal fosse este sentir.
Por fim, cedo à tentação de o perpetuar, tentando perpetuar-me, sei que não morrerá sem mim!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PROCURO-TE


Sentada no meio da saudade, olho à minha volta, não me encontro.
Entre tantas recordações, não sei mais que chão me agasalha…Procuro-me…Procuro-te já sem fôlego…Apetece-me rasgar a folha que se colou a mim, como que pedindo, ser desenrugada e lida…Num repente apanho-a no meio daquele entulho…Agarro-a com sofreguidão…ela, contêm uma Oração…Um poema …Um grito… Uma lágrima cristalizada, que no passado, se escapou dos meus olhos, e se fechou dentro dela mesma envergonhada.
É pouco quero mais…Continuo na minha busca…Distraindo-me por segundos, ou talvez horas… Não sei…De novo mergulho, numa recordação que me escapou ao sofrimento do passado…Mais uma vez ajuntada a tantas… As lágrimas de novo afloram…Agora, já sem o fantasma que temia…A dor da saudade, ela, já me habituou à sua presença…Em todos os lugares por onde caminho.
Procuro-te…Procuro-me…E, tudo o que diviso, são, amontoados de sonhos esbatidos e esgotados. Onde a cor e o brilho d´outrora, deram lugar, ao, cinza desmaiado, ao carmim rosado, ao azul de mar, num tom apenas a inventar, o branco puro, deu lugar ao amarelo seco, como folhas caídas num Outono já prestes a caminhar, dando lugar ao Inverno que espreita dentro mim, neste amontoado de razões por abrir, de sentimentos semeados, que não foram abençoados, por um raio de sol que os fizessem florir.
Oiço qualquer coisa, não sei bem o quê? Procuro no silêncio, encontrar silêncio maior, que me faça descer, do pico onde me encontrava a sonhar. Com um tremendo esforço consigo…E eis, que me debruço sobre mim, com as mãos, tremulas, de emoção…Procuro…Procuro…E, encontro o vazio, do que procuro. O nada!
Sinto-me inútil, nesta busca, onde não soube encadernar as imagens do passado, no meu chão, de emoções… Agora, andam soltas, à deriva no mar do meu chão, projectado em recordações, distantes, ausentes, em paralelo com o meu olhar, já de mim esgotado.
Desisto desta procura!
Como te encontrar no amontoado da minha ilusão!?
Sem forças para esta procura, repouso na exaustão.
Ao sacudir o breve repouso, em que me consagrei. Encontrei-te afinal…Habitas em mim! E, em mim, não há procura …Há sentimentos, devidamente ordenados na alma e na razão!
Encontrei-te por fim, encontrei-te dentro de mim!

Orgulho

O orgulhoso,
Não tem laços de amizade,
Caminha de mãos dadas, na sua condição
Não dá abraços de verdade...
Porque nele não cabe, a sua ostentação,

O orgulho,
Não tens pai… nem idade...
É enteado da santa ignorância…
Por onde se arrasta, exala a fragrância,
Da sua enorme… imbecilidade…

Ainda, que no seu orgulho
Viva, sorrindo em falsa altivez
Vai tombando… inconsciente,
Na sua própria, embriagues…

No orgulho que o adoece,
E lhe corrói, o corpo de rancor,
No ser orgulhoso que É…
Vives decerto, sem amor.

Não trata a palavra, por tu…
Tratando-a, apenas por você…
Oh, orgulhoso como tu és cego…
E, só a ti próprio, te Vês!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fascinas-me

Fascinas-me…
Por dentro…
Por fora,
Por dentro,
Do meu mundo,
Onde mora
A soberba vontade
De ti.
Por fora,
Onde habitas
Nas lentas horas,
Que te desejo…
Acaricio…
E beijo…
Sem me lembrar que existo
Apenas, só em ti
Eu fico…
Imaginando, nos teus olhos,
O meu infinito!

Pensamentos

***

Se todo o conhecimento

Fosse

Dado aos Homens...


Não seriam  necessários

 Anjos

***

Pensamentos


*****

Nada sou…

E tudo me parece

Tão capaz

De o “Ser!”
*****

Pensamentos

***
Não foi o Sol

Que nasceu…

Fomos nós…

Que

Ainda acordámos

 P´ra o ver .
***

Pensamentos

.

***

Se a palavra nos

Ilumina,

que a minha sombra

seja

A luz

que em ti se espelhe

***

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Deixa-me viver.

Deixa-me viver, nos teus sonhos
E tombar no teu cansaço…
Deixa-me cansar nos abraços…
Que não dei, aos teus braços.

Deixa-me sentir a maresia,
Ainda que distante do mar…
Deixa-me fantasiar por um dia
Mesmo sabendo, que estou a sonhar

Deixa-me ser a sombra, dos teus passos
Mesmo que eles, estejam parados
Deixa-me ser caso, no ocaso,
Sem contenda ou embaraço…

Deixa-me sorrir com alegria,
Nos teus lábios de veludo…
Deixa-me morrer no dia,
Em que os sinta, frios e mudos.

Deixa-me escrever à solidão,
Porque dela tenho resposta…
Nas tardes sem pôr-do-sol,
Ela, vem encostar-se à minha porta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Preciso de ti.

Preciso de ti…
…Sim!
 Porquê esconder?
Preciso te cheirar… Te provar… Te beber…
Preciso que me sufoques
…Me partilhes… Me toques…
Preciso do teu acordar…Do meu adormecer
Preciso do frio do teu corpo…Para em mim te aquecer …

Preciso da tua manhã …Do meu anoitecer…
Preciso da tua mão e contigo caminhar…
Preciso do teu silêncio…E nele precisar…De me ouvir, sem falar.

Preciso, ouvir o som dos nossos passos, sem nada questionar…
Preciso …Que me precises…E com um sorriso …Dar-te o que é meu…
Preciso de gritar…e no meu grito dizer:"Preciso de ti!"

domingo, 29 de janeiro de 2012

Amo-te

Porque te amo em silêncio?
Quando os meus sentidos teimam em gritar-te. Amo-te!
Sim. Amo-te!
Que mais poderei dizer a quem amo, do que a verdade que amordaço neste lugar onde me visto de fantasias…por não ser suficiente e audaz para aceitar, o que temo, meu amor? O que me faz calar?
Se amar… é amar!
Amo-te e agora saberás, que me despi de mim …pra te gritar. Apenas “Amo-te!”

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Oblação De Amar





Convertida em Ninfa,
Pelo mar, esvoaçava, em vão
Eis, que vindo do nada
Visiono, o cupido, de seta apontada.

Julguei estar a sonhar,
À tona daquele mar,
Mas, o cupido foi cravando…Cravando…
Até meu o corpo confirmar…

Com a alma já enfeitiçada,
O cupido avançava…avançava,
Doidamente esculpindo em mim, a parte que me faltava.

Etilizou-me em pedaços de amor
Que foram gotejando, ardentes
Numa embriagues, de frases soltas, quentes

E, num sopro de vida ofertado.
Uno os meus lábios, aos lábios desejados
Quedo-me, então, aos pés do cupido, a orar…
Agradecendo, fervorosamente, a oblação de amar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Devolve-me à vida.


Dá-me amor, o teu rir
Porque é dele que respiro
Dá-me amor, o teu sentir
Porque é dele, o meu tamanho

Sem o teu estar, eu não estou
Sem o teu caminhar, eu não vou
Dá-me amor, a formula deste viver
Sem tempo que conte, o tempo de sofrer

Tudo em ti, me é valioso
O teu ombro amigo,
O teu chorar carinhoso
És lapa onde me abrigo,
Nesta paisagem de folhas secas
Sem ti, não há verde...
Não há esperança que me valha
Nesta vida negra, canalha,
Onde nem a água, me mata a sede

Dá-me amor, o teu sangue quente
Que beberei, ao acordar docemente
Em goles, de abraços pelo abraçar
Vem, é imperativamente urgente!
Estes braços, que pendem do meu corpo,
Morrem em cada instante, pelo teu aninhar
Vem!
Dá-me a vida que levaste, abraçada ao teu olhar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Existes!



Apetece-me acreditar....
Que em algum lugar existes,
E atestes o lago vazio...
Que guardo neste lugar,
E me catives, me afagues,
Me contemples e me guardes.
Neste lugar rendido, onde me trazes…
Onde me prendes, sem correntes,
Em amarras ausentes…
Em fragmentos, de ventos quentes,
Em obstinados silêncios, a vozear
Que me prendem neste lugar
De onde, não me quero separar…
Lugar, onde te roço, sem te tocar.
Existes!...
Porque em mim clareias, as margens do lago frio
Onde somente escoavam gotas, gastas de leitura.
Agora, é um rio que verte, vida em goteira,
Derramando sonhos a fio, em plena alvura,
No vigilante cativeiro, onde me prendes inteira.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mulher

Despiste-me
De tudo…
O que me envolvia
Em segredo
Despiste-me
De tudo…
O que me apavorava
De medo.
Depois, nua...
Nem ao espelho me olhava
Não fosse ele
Mostrar-me a imperfeição,
Do secreto medo,
Que me acompanhava,
O espelho reproduziu então,
Uma correcta visão…
Uma mulher, inteira...
De alma e coração.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Um Dia

Um dia…
Seremos primavera…
Pombas brancas, riscando o céu,
Em silenciosas…quimeras
Um dia…
Seremos doce aragem, em ventos de verão,
Com breves miragens, aos que ainda cá estão.
Um dia…
Seremos trilhos, de Outono luminoso,
Inverno, em tempo amistoso…
Um dia…
Seremos espuma, que veste a praia,
De veludo adornado a cambraia
Um dia…
Longe de tudo…Até da imerecida tristeza
Seremos fantasia, em Carnaval de Veneza…
Um dia…
Seremos vento, oscilando docemente…
Em marés que moldam o abandono dolente
Um dia …
Seremos margem, singular sem beira…
De ventos em espiral, sem poeira.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Miragem


Na miragem muda
da imaginação
mora um sóbrio castelo
feito de areias
uma armação de árvore
tombada, inerte…
onde perecem como teias…
os sonhos desfocados
de uma vasta visão.
desfaço-a na passagem
  miragem…feita de areia sumida
 armação tombada, abatida
em deserto fugaz
disperso e audaz
na alucinada viagem da vida.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Meu corpo de jardim

No meu corpo,
 nascem rosas
que me enfeitam com soberania

Rosas, que desabrocham
 no meu corpo,
em quietude fantasia.

Colho-as,
em madrugadas,
sem espinhos ou folhas quebradas,

Apenas quando,
me suplicam silenciosas,
amparo e companhia.

São de um aroma majestoso,
 as rosas, que nascem
caprichosas, no meu corpo…

Como borboletas esvoaçando
com requinte…graciosas…
no meu corpo, de jardim.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Esperança


Esperança…
Num olhar de uma criança
Num sorriso de um idoso
Num anoitecer duvidoso,
Em auroras de bonança.

Esperança…
Na ponta dos dedos, na palma da mão,
Na entrega de amor e compaixão
E no toque, transmitir gratidão…
Converter lágrimas, em sorrisos de satisfação.

Esperança…
Na doença desagradável,
Na esperança que transmuta
A dor, de um Ser que luta…
Numa esperança imutável

Esperança…
Em comungar a um Deus
Misericordioso…
Aquele, que nos devolva em oração
A esperança, de um Mundo Novo.


Esperança…
Na maré inconstante, exagerada
Que ao mar leva crentes…
Numa esperança, confirmada

Esperança…
Num abraço de despedida
Na aventura projectada…
Esperança, de voltar a ser sentida,
O sentido da chegada.

Esperança…
Estrada de sorrisos e cantos…
Por momentos, também és prantos,
Daqueles que percorrem vidas…
Sem amor, sem luz e nela ficam vencidas.

Esperança…
Que alimentas a fome, a desconfiança, a fatuidade,
E se tardas em ser mudança…
Oh esperança…
Serás chamada de ”Acaso” ou “Fatalidade”

Esperança…
Imortalizada esperança
Consoladora de ideias,
És eterna pertença, Imortal…
De todos os Mortais!


domingo, 25 de dezembro de 2011

Tua a Noite.


É
madrugada…
lá fora,            cá dentro…

um silêncio ondulante
de lembranças em caldo…frio…
de renúncia, em pecados gritantes…

de
euforia…consumismo…
estulto, cepticismo, contenda…

quem Te convidou a entra, e sentar à mesa pelo, pão ázimo?
o pão da fé, da esperança, da luz!

chegaste! 
as Tuas chagas sangraram de novo, pelo mundo com que te deparaste!

imundo…

irracionalmente…irrazoável…

impenetrável!…

[onde tudo, é tanto…e tomado, por tão pouco]

Jesus, onde ficas agora?
 porque choras?

anda vem!...

ainda há quem macere descalço o chão!

e ajunte a palavra amor...sem dor… sem tumulto…

Vem!

És a Salvação...!

não quero vestir-me de [LUTO]

sábado, 17 de dezembro de 2011

Imortais


Em palavras azuis
 de céu e mar
 escrevo meu sonho
a navegar

em palavras
que não amarro,
nem escondo,
em palavrear…

em palavras
 e valsas te danço
em rosas vermelhas
 te abraço
e não canso…

neste sonho
em te aquietar…
em palavras,
no meu perpétuo desfolhar

amarra-as
 em beijos, ondas
e vendavais…

As palavras que escrevo…
São, salivas imortais.

Metade


 Que a metade
Nos grite,
Nos amarre,
E em nós fique
Em palavras,
Em gestos,
Em verdade,
Em sopros de amor
 E gratidão,
Em suportáveis momentos,
Em visões que não se apaguem
 Nos tempos
Que cada metade se una
Em morais cobertos de flores
Que não se confundam jamais
Em colaterais encontros de dor,
Que cada metade seja,
Pra sempre unida
Em
Amor e compaixão
Pelo mistério da vida
Pelo amor…Pela união!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vermelho e paixão


Olho o mar por ti  atendido,
onde ardem...

céleres e aplaudidas pinceladas,
em compasso,
que roçam deleitadas
 vermelhos,
rosas,
cinzas e prata,
inalo
 os aromas por onde passas…


 onde o olfacto se apura
 e a visão viaja grata!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Abraço de mel e sal


Em silêncio te abraço
E abarco o desejo,
Em meus braços…
Nas noites em que transito…
Em sonhos…
Contidos em silenciosos gritos…
Que abato, em memorias a transmutar,
Onde não consigo imaginar…
O devolver…O ficar…
Procuro-te em mim… Me aninho…
Em casca… Como passarinho…
Onde o querer anoitece…
Frio e lento...
E a manhã desfalece,
Como nascente de um rio, sedento de mar…
Mistura divina de doce e sal…
Em suplicas… Me envolvo…
E amotino o meu sofrer…
Na infinita vontade de poder…
Ser ainda…
A envolvente causa…
Da minha infindável…Vontade de te viver!

Há em ti...


Há nos teus olhos a incerteza
Na tua alma a estranha recôndita…
Em pálpebras adormecidas
Na ambiguidade da vida…
Em noites por ti veladas
Em horas por ti esquecidas
Há em ti…
Um estado que vigia
Uma noite sem dia
Um descansar que não sonha…
Um acordar que não adormece…
Um pousar que não voa, nem esmorece…
Há em ti …
Uma esperança...uma longa visão
Uma estação…que suspende
Um viver sem razão…
De que a partida….
É,
 Hora que não se adia,
Há em ti…
Algo de belo... Assustador…Há magia…
Algo, de fantástico e merecedor
Que à vida, fica devendo…
 Momentos ávidos de incerteza
Há em ti…
Meu amor…Tudo que desejo, com clareza
Sabor… Saber…Doçura…Ternura…
A contemplada ventura…do teu ser…
Há em ti
Meu amor …”o meu viver!”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sopro Salgado

Um beijo em sopro salgado
D´ ontem…
De hoje…
De agora…
Beijo que guardo como sagrado
Na boca,
Que beijo em memória…
Memória, de Sol…
Sal… Mel…e Açafrão…
Em,
Madrugadas amarradas, em cordão
De abraços…
Laçados em imagens de cancela …
E
Catedrais imensas... de sonhos e caravelas
Nas orações que vou desfiando…
E
Esbarro na noite enevoada,chorando...
Em
Sonhos e pesadelo…em agonias toldadas
Nas horas que flutuo…fantasiada...
De bailarina, em pontas quebradas,
Na solitária caverna, que monte e desmonte
A esperança que adormece…pela aurora que aponte
O beijo, sem sopro...sem sal …nem maresia...
Em sólida realidade, toldada…de Alegria.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em águas


Boca de ninfa, de tempos, sonhados
Boca de adamastor que no passado
Roubaste sentimentos, meditados...
Em bravura de águas e verdes prados

Boca de águas tão…impetuosas
Onde pintores desbotaram rosas
Poetas escreveram…docemente
Palavras levadas por ti na corrente


                                                          Em ti caminho ainda na procura,
                                                              Do que julguei ter um dia pintado…
                                                         Por ti encontro agora a ventura


                                                         Em poemas por mim lavrados,
                                                              Que coro em aguarelas e pinceladas...
                                                             Breves instantes e quentes madrugadas

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Voo


Não descansarei…

Enquanto, minha alma voar,
Em primaveras e folhas de calendário rasgado

Não descansarei…

Enquanto o meu voo, se augure incompleto
E seja, página de um livro inacabado,

Não descansarei…

Enquanto sentir que o amor, é abrigo e afectos,
Em qualquer sítio, em qualquer lugar,

Não descansarei…

Voarei, sempre em seu rumo,
Neste doce voar, onde adormeço e não durmo,

Não descansarei…
Mesmo que se faça noite, irei a tactear…

Nesta alma, de criança…e mulher
Que voa …voa… sem cansar…

Não descansarei…

Enquanto os teus olhos, não alcançar,
E neles, puder espelhar o meu sonho, e sorrir,

Não, não quero descansar!

Seria morrer, no caminho que me conduz, ao cume
A que me propus escalar,
Ainda que, o cume expluda, em Urbe nuclear…

Não, não descansarei!
Irei até onde, o voo me saiba aninhar!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sinto!


Sinto!
O teu corpo, trémulo, frágil,
Em lugares distantes…
Em ventos de levante
Sinto!
O teu olhar penetrante,
Gritar de saudade,
Escondido de ti,
Vacilando,
Em qualquer lugar.
Sinto!
As tuas mãos carentes,
De um novo começar
Sinto!
A tua voz,
Nas asas de pássaros a voar
Sinto!
Algo que escondes,
No teu saber mais profundo...
Sinto!
Tumulto, no teu sentir, furibundo…
Sinto!
Poema…Enfraquecido,
Em reticências...hífenes, perdidos,
Em inseguranças, em crenças...
Em espaços cobertos, de astros latidos,
Sinto!
O teu sentir...
E em poemas escrevo [Sentindo!]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Silêncio

Se os meus olhos puderem navegar
Em lágrimas derramadas…
De saudade...
Serei, apenas olhar vazio…
E barco navegando em alto mar,

Calo em serena agonia…
Como ave, que vai pairando…no dia
Em voos húmidos,
Penas tingidas de óleos e águas
Tão pouco, nos prende e amarra à vida, sem mágoas,

Em madrugadas lavradas de doce e sal...
Onde se morre em toques, e sinfonias...
Em estreitas noites...E  melodias...
De silêncios, vestidos de dedos
E gemidos que queimam…Lábios
…De sonhos e medos…

Luares despidos de Céus… Infinitos...vestidos de véus…
Onde o olhar ventilava …A par
E
Os corpos se aninhavam como anjos em altar…
Oh...Ave minha, pousa no meu ombro, vem descansar!

Um Sonho