quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O poder da palavra.

Quem dera poder…
Num só poema dizer,
Todas as palavras…
Em mim contidas…
Todas as esperas
Em fila, despidas…
As palavras que não digo,
São como vulcão …
Prontas a queimar,
Este chão…
De lama em fogo….
Na essência do meu jogo…
As palavras que moram comigo…
Sem tecto… sem pão…
Sem a cara lavada…
Sem a barba aparada…
Sem cama…
Nem roupa que aqueça...
A sede que dispersa...
As, palavras que não digo…
Como mendigos…Amontoados…
Neste meu eterno abrigo…
De palavras… que não digo!

Prenhas palavras

De que vale fornicar,
As palavras…
Emprenha-las…
Num embalo, sem encanto…

Acrescentar ao infinito...
Frases prenhas de pranto…
De revoltas e sofrimento…
Se, o poema simples é dito,

Com pequenos toques,
E muito... sentimento!
Quanto… mais fornicadas…
As palavras, menos falam!…

Menos… falam, e por vezes,
Apenas, calam…
O tanto que se geme…
Em fornica-las, por temer…

Que sejam partos com dor…
Partos… só por ser…
As palavras prenhas…
Que nem chegam a nascer!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AS PALAVRAS


Palavras aguçadas como espadas,
Arrastam o poeta a dizer...
Tudo o que sente e quer sentir...
No seu mais simples escrever.

De tão simples e maravilhoso,
Toma na palavra a palavra dita...
Como se delas matasse a fome...
Na sua própria escrita…

Só os poetas naturais…
Entendem o sentimento contido…
Em frases que parecem neutrais,
O poeta faz delas todo o sentido!

Quero ser poeta e poder escrever,
Como quem bebe um copo de água
E nas palavras matar a mágoa…
Que sinto… de, as não ter!

Mensagem

Mensagem

Olho o céu…extasiada,
Pelo belo que estou a ler
O teu nome escrito a fogo…
E o meu…o meu…a acontecer!
Penso estar alucinada…
Nesta visão…de luz...
Incandescente….
Que me cega, inocentemente!
Como pode o Céu adivinhar?
Os nossos nomes sem errar?
Aparece então uma Cruz…
A seu lado, está Jesus!
Está triste… eu sei!
 Jesus perdoa-me, por duvidar…
A Ti nada …se oculta!
Estas lá no Alto e escutas
O nome que tanto prenuncio…
 Pedindo-Te de alma e coração:
“Aquece o meu amor”…
Sempre… que sinta frio!”
Jesus, sorri encantado…
E, dá-me apenas um recado:
“Não confies em quem…
 Se veste de alguém…
E, apenas é… Diabo!”

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Véu


Já vivi tantas... emoções ...
Tantas, coisas belas, sem pedir…
Amei, e também feri, corações…
Sem intenção alguma de ferir…

Delas, guardo o melhor que posso,
Do muito que aprendo na vida…
Uma delas… é o remorso…
Que não sinto, em algumas partidas!

Há sempre uma razão que nos consola
Mais alto que o próprio céu…
Ouvir a alma, como quem pede esmola,

E nos desnuda suavemente do véu,
Dos enganos onde possamos cair…
De quem vive apenas com o fim! De Possuir!
  

sábado, 27 de agosto de 2011

Arte no coração



Sinto um martelo,
Dentro do peito...
Esculpindo…
Uma peça de arte,
Só eu, no meu canto
Imperfeito…
Consigo saber porque bate!
Este martelo, que bate…
Bate…
Lentamente…fingindo...
Fingindo…
Que está esculpindo…
A sua peça de arte!...
Bate, num bater… Inconsequente…
Esquecendo que sou gente...
Que me arrasta, e põe de parte…
Pára martelo!…
Pára de bater!…
Assim, não vou sobreviver…
A tão fortes marteladas…
O amor dói…naturalmente,
Eu sei!
Mas por vezes magoa a gente!
Na urgência, em se aninhar…
Ao coração,
De quem esculpe em nós,
A arte de amar!

domingo, 21 de agosto de 2011

Vesti-me de poesia


Vesti-me de poesia …
Dancei contigo um dia…
Sonhei acordada…
No silêncio que queria!
Despi-me de preconceitos…
E amarrei ao meu peito,
As nossas fantasias…
Delas, fiz meu credo…sem tempo,
Meu viver sem lamento…
Meu sorrir de alegria…
Colhi flores no campo…
P´ra vida enfeitar …
E de tanto…esperar…
Acabaram secando…
As flores, que dançando… 
Iam esperando... o teu chegar,
Até quando a vida suplica?…
Por flores e sonhos…a valer…
Sem caminhos raros a trilhar…
Na alma que se perde…
E se encontra … sem se perder!

sábado, 20 de agosto de 2011

Paixão e Poesia

 A paixão é loucura…
Que o coração acolhe…
É reboliço... sem cura…
Tempo, que não se escolhe!

Oh… coração louco…
Que me feres… a razão…
Deixa-me acomodar um pouco,
À minha nova condição!

Quem nunca amou…não sabe,
Que o caminho é tortuoso…
Que fere, e vai queimando gente…

Em fogueira, a não julgar...
É estranho, mas tão virtuoso…
Aquele... a quem se quer dar!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

De ti...

De ti...
apenas quero...
um sorriso...com alegria...
uma mão vazia...
onde a minha possa apertar...
quero os teus lábios quentes...
como sol que adormece...
a areia plena de gente,
de ti....
quero apenas....
um coração cheio de cor
sem lamentos...
adormecer em silêncio...
e, ao acordar, olhar o teu sorriso,
apenas!...
aquele que me faça acreditar,
que valeu a pena esperar...
de ti...
apenas quero,
o que a vida me levou,
e agora...
e agora... me devolveu...
de ti, apenas quero...
tudo!...
de ti apenas quero ...
ser eu!

sábado, 13 de agosto de 2011

Onde habito


Este lugar onde habito…
Encerra, gritos insuportáveis!
Sentimentos não palpáveis…
Este lugar…onde habito…
Sem gente, sem sorrisos…
Só o vento traz ruídos absurdos,
Gritos vestidos de veludo…
Soluços contidos em luxúria…
De desejos que ardem …
Como vulcão…em fúria!
Neste lugar onde habito…
Por solução…
Há gente que não se move …
 Vontades que não se dissolvem…
Há cais sem barcos…
Sem velas… sem correntes…
 Gaivotas, sem céu pra voar…
Quero um lugar urgente,
Que me faça sentir gente…
Com vontade de habitar…
Neste, ou, em qualquer lugar!...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pertenço


Pertenço ao sonho à fantasia
Aos pilares que me consomem
…Na poesia…
Pertenço… à vida escrita…
À palavra dita pelo som
Dos meus dedos…
Onde prenha de segredos...
Abortam… todos os meus medos,
Pertenço a ninguém…
Onde, ninguém pertencer…
Nesta forma, inócua… indolor…sensata...
De transpor a palavra grata,
 Numa fonte a beber…
Entre ruas inundadas de flores
Os meus olhos alcançam as dores…
De quem não as quer ter…
Explodem-me rios de páginas em branco…
Onde as frases são o flanco do acontecer…
Sóis… brilham-me na noite escura…
Onde a própria verdade é doçura
…Pronta a lamber…
Por entre sonhos e fantasias …
Gritam-me…estrelas de dia…
Dançam-me… marés vestidas de gente…
Que se consomem somente
Pelo espumar do prazer!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Alucinação

Uma alucinação...excitante...
Queima o corpo , como fogo...
Como estrelas que de longe...
Se vão aproximando ao jogo...
A carne afogueada em desejo...
Entrelaçada de encantos sólidos
Num cerrar de olhos...incógnitos...
Como líquido que se bebe em sorvo,
Na pastagem corporal...
Onde queimamos...intemporal...
Os nossos corpos em fogo!...
Meu corpo escaldando ...em teu corpo...
Deixa escorrer rios de prazer atónito,
Marés de intenso movimento...
Que se distendem...inesperadamente...
De prazer sem tempo!...
Abrem-se grutas em ardidos...
Palavras incontroladas...inacabadas,
Em sufocados gemidos...
Tua boca nos meus seios...
Contemplando...e precipitando,
O desejo precipitadamente...
...Gracioso...
Num balanço...bem ajustado...
Num prender freneticamente...alado,
Em jeito vincado......e precioso...
O final...tão esperado do nosso jogo!





terça-feira, 26 de julho de 2011

Canta-me o coração


Coração porque me cantas?
De onde vem tanta alegria?
Escondes algo que me espanta...
Nesta maravilhosa melodia!

Canta-me de novo a canção,
Ainda estou adormentada…
E plenamente desconfiada…
Esquecendo por completo o refrão!

Não te esperava contente…
Por seres tão exigente!
Agora que chegaste,
Fica mais um pouco…
Não importa quem ouve…
Não importa se ficar louco!...

Como louca me deixaste,
De emoção…
Ao entrares pela minha porta…
Cantando esta canção…
Refrescando a memória de tempos,
Tempos…que já lá vão!…


Razão


O que faz a razão perder-se…
Se a razão não tem morada,
Onde se encontre perdida,
Onde se ache talhada!…

Que importa senão ter…
Razão … desfocada,
Se nela encontramos tudo,
Ou perdemos o nada!…

Nada é também a forma …
Incompleta que nos conduz,
Ao que tememos e nos torna,
A imperfeita, ofuscada luz!…

Perco-me onde me encontro…
Na razão que me abraça,
Na força que me arrasta,
Encontrar-me no desencontro!...

De mim em minha morada…
Com razão que me leve,
Em alvorada de mim tão breve,
A abençoada caminhada!...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Menina ...Mulher.


Olha quem passa indiferente
Passando tão vagarosamente
Descalça na rua a menina…

Quem a viu crescer?!…

Hoje com suas colinas
Elegante… a menina…
Jamais se esqueceu do trilhar

Trilhar, elegante de sempre

Hoje mulher feita com intenção
De arrasar por onde passa…indiferente,
Toda a multidão!...

Passa…como brasa…
Passa, sem nada tremer...
Como se a vida fosse…

Esquecer-se de a envelhecer…
Ah…menina… a vida,

Que passa é combinação…
Ainda a mesma condição…
Passada…
Doutras que julgavam não ser!

Coisas de gente, jovem, impertinente…
Já não conhece ninguém…

Julgando, ser outro alguém…
Nesta rua que pisando…
A menina de outrora…
vai passando,

Hoje, já cá não mora…
Por ocasião…
A mulher que faz tremer o chão
Sem nada dizer a ninguém…

Tarda a envelhecer! Mas não demora!


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Abraço


Quero o teu abraço…
Forte e sentido…
Como se de laços
Os nossos braços fossem vestidos
Faz-me sorrir…
Faz-me vibrar….
Olhar a lua nesse abraçar…
Quero um abraço apertado…
Bem aconchegado…
E sentir que abraçando…
É perpetuar…até quando…
O abraço se queixar…
Fecha os olhos e sonha
Neste abraço…
Até que o queiramos…
Acordar …abraçados.
Aos nossos braços.

No palco da vida

Abre-se o palco da vida...
Na encenação quase perfeita,
Em marés contidas...
Em frases já feitas...
Ao abandono total…
De sentir por igual...
Num palco inventado,
Num rigor desmesurado...
No cenário de tantas vidas...
Abrem-se fendas nas almas...
Onde escorrem gemidos…
Quebram-se promessas loucas,
Em acordo mentido...
Num saborear de bocas…
Noutros cenários permitidos
Oiço gritar “Bravo”!
No aplauso do argumento...
Encenação que é apenas,
O palco da vida no momento!
Fecha-se o pano e choro…
Choro…
Pela comoção da peça…
Peça, que ninguém entendeu…
Que se representa apenas…
O texto…que a vida nos cedeu!

domingo, 17 de julho de 2011

Papoilas por colher.


Não…ainda não, cumprimos mesmo…
O que havia-mos prometido!

Dançar nas searas, correr, cantar…
 Beber os sons e amar…
          
 Ouvir, os rouxinóis, e declamar…
 As nossas poesias…

 Dar lugar ao tempo, e espaço…
 E, nas papoilas desbotarmos…
Os sonhos em cansaço…

Ceifando… iremos…
Colher, as papoilas, prometidas…

Mesmo que a brisa seja  fria      
E, nas mão se façam feridas…

E, as papoilas murchem de esperar
Pelo tempo do nosso amar…

No delírio, em que dois corpos…se enlaçam        
Em fantasias…

Iremos, colhe-las a tempo… jorrar fontes nos campos …
Gritar de contentamento… caçar pirilampos…

No tempo que não está longe …e tem mais sabor …
Tanta... quanta... abundância…neste amor!

sábado, 16 de julho de 2011

Amo-te


Amo-te!

Amo-te em pensamento …
Em sentimento…
Em tempo…
Sem tempo…
Amo-te!… 
Como quem tem fome …
E sacia senão …
A urgência de amar…
O …abismo…
Num paradoxo…
Sem igual…
Sei que te amo!…
Porque nele me deito …
E levanto… sentindo…
O mesmo apertado sentir…
De quem ama sem pedir,
Nada por condição…
Amo-te... em silencio…
Gritando cá dentro…
O que não chegaste a ouvir…
Amo-te! Agora podes saber!…
Ao leres… que te amo!…
Sem jamais te dizer!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As árvores dançam


As árvores dançam…
Ao som dos ventos…
Ao sabor dos tempos…
Tempos… que não cansam,
Suas…folhas a tombar…
Sem ninguém acusar…
Dançam…dançam…
Restam, apenas os ramos
Em abraços…
Numa entrega total,
Ao som dos tempos.
Dos nossos passos,
Plena atitude natural
Confiando-nos os dons…
Numa subtileza…real
Onde o ser mais…
Miserável…afinal,
Bebe a paz, que nela há!…
Sem querer saber...
Se é paz?...Se é fogo?
E a vida... vai cedendo…
Ardendo de amor...
Na entrega... de um Todo!
Por igual!

Um Sonho